Seg01272020

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

19 Jun 2005

A Liberdade de Imprensa no Paraíso Socialista

Escrito por 

As idéias vivem e morrem no coração e nas mentes das pessoas. E é justamente neste recôncavo que elas se encontram mais que vivas.

As vezes fico a pensar se vale se o meu combate através de minhas missivas valem a pena, visto o grande número dos fiéis que essa doutrina política danosa que é o socialismo e, vejo ser, tal esforço, um tanto que patético, tamanho o consenso que se construiu em torno de sua pretensa benevolência. E, por parecer patética essa luta, chegando a semelhança com uma batalha Quixotesca é que continuo a redigir esses míseros e patéticos libelos.

Mas o porque de tal combate se o dito socialismo está morto? As idéias vivem e morrem no coração e nas mentes das pessoas. E é justamente neste recôncavo que elas se encontram mais que vivas. Lá, elas se vêem fortalecidas e praticamente inabaláveis, visto que, nesta toca que é nossa alma, suas propostas permanecem dissociadas de suas práticas, que se fizeram presentes no correr do século XX e que ainda em muitos rincões pelo mundo afora, continuam sendo impingidas.

Chamo a atenção aqui, neste ínterim, para algo que julgo ser basilar para uma sociedade aberta: a liberdade de imprensa, a liberdade de pensamento e de expressar o fruto de suas elucubrações.

Não conheço um país economicamente próspero ou, relativamente próspero que não tenha como fundamento de sua sociedade esse princípio. Por sua deixa, também não conheço nenhum país que viva sob um regime ditatorial totalitário ou, proto-totalitário, que não tenha boa parte de sua população imersa na miséria, apesar das belas promessas em nome do povo.

Mais uma vez, a contra gostos dos amantes desse pesadelo equatorial, sito o caso da Ilha de Fidel. Tomo por base, para não criar tanto desagrado nos pupilos do Papai Noel fardado, informações obtidas do livro SOMBRAS DO PARAÍSO, do cientista político Antônio Rangel Bandeira, militante de esquerda que lutou contra a ditadura verde-oliva brazuca e ex-exilado, para que assim, os “humanistas” socialistas não se sintam ultrajados por críticas vindas de reacionários dissidentes da ilha ou de algum “direitista” qualquer.

O autor em sua estadia na ilha de Cuba entrevistou uma jornalista que lhe disse o que pensava sobre a liberdade de imprensa na Ilha Cárcere e só o fez, porque Bandeira lhe assegurou que sua identidade seria mantida em total sigilo. E assim sendo, a jornalista O., disse a ele que: “...ser jornalista em Cuba é uma grande frustração. Hoje mesmo, com a ida da delegação cubana á posse do novo presidente do Haiti, a imprensa cubana só entrevistou a sua própria delegação. O papel do homem de imprensa aqui é o de convencer a todos que o governo faz o melhor para o povo” (BANDEIRA; 1994: p. 218).

A “terra do bem” não permite de modo algum a livre circulação de informações, como ocorria antes da tomada do poder pelo movimento M-26 liderado por Fidel no fim da década de 50 da centúria passada. Alias, quando esse havia sido preso em sua primeira tentativa de golpe em 1953, lhe foi permitido gravar uma entrevista para rádio CMKR, onde o mesmo dizia para os cubanos na época: “Nós viemos para regenerar Cuba!”.

Passado 10 anos, ele teceria o seguinte comentário sobre o ocorrido nos idos de 1953: “Imagine só a imbecilidade daquela gente! Eles me pediram que pegasse o microfone e defendesse o meu ponto de vista diante de todos...” (Idem; p. 220). Não apenas a liberdade de expressão em Cuba foi suprimida como a economia que, naqueles idos era a quarta da América-Latina e hoje, a décima quinta. Em termos alimentares, a última nação do continente. Pelo menos a miséria foi socializada, não é mesmo?

Atualmente, existe mais de uma centena de jornalistas presos por crime de consciência na Ilha Cárcere de Cuba, segundo a Sociedade Interamericana de Impressa. A desculpa é que esses jornalistas independentes seriam agentes financiados pelo Monstro (USA) para desestabilizar o regime Castrense.

Sobre isso, Robert Ménard, da ONG Repórteres Sem-Fronteiras, afirma que: “Não é uma desculpa, é um pretexto, é um falso argumento. Ninguém ameaça hoje em dia a segurança de Cuba. Fidel Castro sempre encontrou argumentos para fazer de seu país um dos mais fechados à liberdade de expressão. Cuba é um dos raros países no mundo onde para comprar um computador você precisa da autorização do governo.Hoje, Cuba é a maior prisão do mundo para os jornalistas[...] Fidel é um verdadeiro predador da liberdade de imprensa, é um tirano no sentido próprio da palavra, na definição clássica da palavra. É um velho tirano que não suporta a menor crítica. É um dos piores países para a liberdade de expressão no mundo e não somente na América Latina”.

Mas, obviamente que, para os fiéis da doutrina política que da forma a governança castrense, que viola sem o menor peso na consciência os artigos 3, 5, 6, 8, 9, 11, 12, 19 e 20 da Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas, dirão que tudo isso é culpa de tudo isso é dos USA e que, se lá, em Cuba, a liberdade de impressa é suprimida de maneira totalitária é para evitar a contaminação com idéias conspiratórias do Império do Norte. Mas, com toda certeza se isso ocorresse com um de seus correligionários aqui no Brasil, a conversa seria diferente, pois, para esses todos tem o direito de expressar o que pensam, desde que, seja o que eles pensam.

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:05
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.