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10 Jun 2005

Os Intelectuais e Sua Religião

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Por que, ao contrário do deus da foice e do martelo, que é só rancor, E’le, é só amor.

Os intelectuais! Professores, jornalistas, escritores, etc. O que podemos falar a respeito deles? Poderíamos falar o que eles omitem por malícia para assim desnudar a sua pretensa sabedoria mundana e é o que pretenderemos fazer nessas breves linhas em especial, os intelectuais orgânicos de esquerda.

É de chocar o quanto que esses indivíduos conseguem, ao mesmo tempo, adotar uma postura dual e se cercarem de uma forte ortodoxia para assim justificarem a sua posição de casta de “sábios”.

Não há exagero de nossa parte, cremos, quando procuramos afirmar que esses acabaram por erguer uma estrutura similar a das religiões, porém, de maneira mundana, edificando assim os seus dogmas, ritos, liturgias, “santos”, “divindades”, etc. Exemplo disso foi o positivismo com sua “religião da humanidade”, o nacional-socialismo com o seu culto da raça ariana e, com muito mais requinte e muito presente em nossos dias, o marxismo, onde, segundo as palavras do sociólogo francês Raymond Aron, seria esse o ópio dos intelectuais.

Todavia, é de estranhar que essa casta pseudo-religiosa critique com tanto afinco o cristianismo. Estranheza essa presente nos olhos das almas mais desatentas. Mas, não o é, visto que, na atualidade, esses, os intelectuais orgânicos, procuram fazer-se como os porta-vozes da verdade, como a algum tempo os sacerdotes assim faziam.

Sobre isso, Freud escreveu em sua obra O FUTURO DE UMA ILUSÃO, que: “Se quisermos expulsar de nossa civilização européia a religião, não se poderá chegar a isso senão com a ajuda de um novo sistema doutrina, e este sistema, desde sua origem, adotará todas as características psicológicas da religião: santidade, rigidez, intolerância e a mesma proibição de pensar, como autodefesa”. Coisa que o partido governista (Partido dos Trabalhadores) faz com maestria.

Trocando em miúdos: este tipo de intelectual procura de maneira sutil e as vezes até mesmo inconsciente, construir uma nova religião em uma versão mundanizada, secularizada, para substituir as Tradicionais. Palavras exemplares do que estamos tentando demonstrar aqui, são as que seguem a baixo, escritas pela mão do finado Jorge Amado, que na ocasião do aniversário dos setenta anos de Joseph Stálin (1951) declarou:

“Mestre, guia e pai, o maior cientista do mundo de hoje, o maior estadista, o maior general, aquilo que de melhor a humanidade produziu. Sim, eles caluniam, insultam e rangem os dentes. Mas até Stalin se eleva o amor de milhões, de dezenas e centenas de milhões de seres humanos. Não há muito ele completou 70 anos. Foi uma festa mundial, seu nome foi saudado na China e no Líbano, na Rumânia e no Equador, em Nicarágua e na África do Sul. Para o rumo do leste se voltaram nesse dia de dezembro os olhos e as esperanças de centenas de milhões de homens. E os operários brasileiros escreveram sobre a montanha o seu nome luminoso”.

Diante destas palavras fico a me perguntar onde está a sabedoria superior destes intelectuais e militantes partidários que trocam a fé em um Deus onipotente por outra que nutre uma sinistra “esperança” em um “deus de carne e ossos” impotente e pretensamente superpotente. Onde?

Na década de 50 após a morte de Stalin houve uma grande decepção da parte destes para com o seu “deus”. Hoje, muitos intelectuais tupiniquins se entristecem e caem em heresia por verem o seu “deus barbudo de carne, ossos e canha” os trair.

Se a frustração está a abate-los, um pequeno conselho posso ofertar: Adonay está sempre de braços abertos às ovelhas desgarradas, ao contrário dos seus ídolos de carne e osso que os expulsam diante da menor traição. Por que, ao contrário do deus da foice e do martelo, que é só rancor, E’le, é só amor.

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:07
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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