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05 Jun 2005

Coisas de Chico

Escrito por 

Se, algum dia, os intelectuais de esquerda forem capazes de realizar esta tarefa hercúlea, não mais teremos a ameaça de subversões totalitárias vinda da mão sinistra.

No jornal O Estado de São Paulo desta segunda-feira, foi publicado uma matéria onde apresentava-se alguns trechos de uma entrevista dada pelo sociólogo Francisco de Oliveira à rádio Eldourado, onde este qualificou o grande apdauta, nosso mui digno Presidente desta República de Bananas, como um “político bisonho”.

O referido sociólogo disse que: “Como políticos, todos que estão no PT hoje, nos organismos de direção, revelaram-se bisonhos, tacanhos, aquém da esperança do povo brasileiro. Toda a vez que o presidente Lula entra nas crises política, ele piora as coisas”.

De Oliveira ainda observou que: “Mantenho (a opinião), não só pelo desempenho frouxo das políticas sociais, que eram a marca registrada do PT, como pelo fato de conseguir uma política econômica conservadora. [...]"Além disso, gesta crises políticas todos os dias, devido à tentativa de tornar-se uma espécie de partido único".

Nossa! Parabéns ao senhor Chico (desculpe-me a intimidade) de Oliveira! Ele teve que ajudar a fundar e fundamentar teoricamente esse partido de matizes totalitárias que é o PT (Partido dos Trabalhadores), teve que ajudar a eleger a quem o senhor agora chama de “político bisonho” e só agora percebe que o referido partido deseja vorazmente portar-se e, quem sabe, tornar-se, um partido único?

Desculpe-me, mas é muita sem-vergonhice de sua parte fazer esse corpo mole nesse momento em que tudo aquilo que o senhor ajudou a construir está a ruir diante de sus olhos e, de certa forma, levando a nação brasileira junto.

O mínimo que se poderia esperar de um intelectual de sua envergadura era, pelo menos, no mínimo, um pedido de perdão a toda sociedade brasileira pelos longos anos em que defendeu algo que, muitos outros intelectuais já sabiam e advertiam e que, pensadores como o senhor, os tachavam de “reacionários”, “direitistas” e coisas do gênero.

Este tipo de postura covarde e dissimulada, realmente, é típica de intelectuais esquerdistas que, quando se vêem diante do monstro que ajudaram a construir, se esquivam de sua responsabilidade na edificação da tragédia societal portando-se como piás pançudos.

Muitos são os males de nossa sociedade, mas, se pelo menos um dia, nossos formadores de opinião, tiverem a decência de rever os seus ditos e redimir-se perante os seus leitores antes de posar fazendo o tipinho do crítico guardião da ética. Se, algum dia, os intelectuais de esquerda forem capazes de realizar esta tarefa hercúlea, não mais teremos a ameaça de subversões totalitárias vinda da mão sinistra.

Mas, até lá, fiquemos com isso.

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:07
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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