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05 Jun 2005

A Luta de Israel

Escrito por 

O máximo que alguns leigos se permitem, por desconhecimento dos fatos, é evitar qualquer julgamento objetivo, simplesmente colocando palestinos e israelenses no mesmo barco, adotando uma postura "neutra".

"Uma disposição para sacrificar crianças é um sinal de uma cultura da morte." (Jean Elshtain)

 

O Estado de Israel é vítima de inúmeras calúnias, assim como um perverso julgamento com duplo padrão. O máximo que alguns leigos se permitem, por desconhecimento dos fatos, é evitar qualquer julgamento objetivo, simplesmente colocando palestinos e israelenses no mesmo barco, adotando uma postura "neutra". Porém, a ignorância não deve justificar uma condenação mútua, pois o relativismo moral acaba por prejudicar o mais justo. Com certeza, um melhor conhecimento dos fatos aliado a uma honestidade de avaliação, irá mostrar quem é a real vítima desse mar de violência que assola o Oriente Médio.

Vale, entretanto, um caveat: Israel não é perfeito! Levantar a poeira da desinformação, resgatar o contexto da situação e julgar imparcialmente os envolvidos não é o mesmo que inocentar por completo um dos lados. É somente colocar os devidos pesos aos fatos. Israel merece críticas, claro. Mas atualmente, ele tem sido vítima de críticas infundadas, parciais e injustas, fruto de interesses obscuros ou puro racismo. O artigo pretende esclarecer esse lado da moeda.

A primeira acusação que alguns fazem diz respeito ao próprio direito da nação judaica de existir. Judeus vivem naquela região há milênios. Os judeus europeus começaram a se mudar para onde hoje é Israel em números significativos desde 1880. Quem aceita a Austrália, para dar um exemplo, como sendo legitimamente uma nação, não pode questionar a legitimidade da presença judaica onde hoje é Israel. Várias nações surgiram por decisões políticas e diplomáticas, mas Israel parece ser a única julgada como não merecedora do direito de existir.

As terras adquiridas no Oriente Médio pelos judeus não foram fruto de colonização, mas sim compradas, muitas vezes de especuladores árabes que viviam no Líbano. Eram terras pobres, e os compradores eram refugiados de regimes opressivos que procuravam uma nova vida num lugar em que seus ancestrais viveram e foram expulsos. A Judéia mudou de nome para Palestina no começo da era pós-Cristo, quando os judeus foram expulsos pelos romanos. Mas a região nunca deixou de contar com numeroso contingente judaico. Muitos viviam pacificamente com árabes, até que Maomé desferiu atrocidades contra seu novo inimigo, chegando a massacrar homens, mulheres e crianças judias. Suas ordens eram claras: "Jamais podem existir duas religiões na Arábia". Ainda assim, Tel Aviv foi uma cidade predominantemente judaica desde a sua fundação em 1909. O argumento de que o Estado de Israel é colonizador na origem e não tem sequer o direito à existência é injusto e falso.

A Palestina sempre foi dividida em várias partes territoriais, sendo que a maior delas era governada de Damasco por um paxá. Mas não pode-se dizer que os palestinos habitavam uma "nação" da Palestina antes da criação de Israel. A edição de 1911 da Encyclopaedia Britannica descreveu a população da Palestina como compreendendo grupos "étnicos" muito diferentes, falando não menos que 50 línguas. Eram vastas milhas sem habitação alguma, e tribos de beduínos espalhadas pelo território. Nunca houve uma união em forma de nação, formando uma Palestina. Os judeus ocuparam, legal e pacificamente, uma pequena parcela desse vasto território, transformada em nação por medidas de segurança após a Segunda Guerra, quando ficou evidente a insustentabilidade de convivência mútua entre judeus e muçulmanos, cujos líderes haviam apoiado abertamente o nazismo de Hitler.

Já na Primeira Guerra, os árabes muçulmanos lutaram, em sua maioria, ao lado dos imperialistas otomanos, e mesmo derrotados, ficaram com cerca de 80% do território. O primeiro Estado estabelecido na Palestina foi um emirado, chamado Transjordânia, exclusivamente árabe. Mas havia clara oposição à formação de um Estado judaico, e os líderes árabes começaram a exigir a eliminação de qualquer presença judaica na Palestina. Muitos gritavam que "a religião de Maomé nasceu com a espada". Os ocidentais, em especial os britânicos, acreditaram que a centralização do poder nas mãos de um religioso ou político facilitaria o controle da região. Husseini foi escolhido, mas tratava-se de um anti-semita virulento, com declarado ódio aos judeus. O líder dos palestinos aproximou-se de Hitler, e insistiu que sua "solução final" chegasse à Palestina, liquidando os judeus do mapa. Em 1929, ocorreu o massacre de Hebron, quando 60 judeus foram mortos e o restante foi expulso da cidade.

Em 1937, a divisão em dois Estados foi proposta, e os judeus aceitaram de imediato, enquanto os árabes rejeitaram, alegando que a Palestina fosse toda colocada sob o controle árabe, com os judeus sendo transferidos para outro país. Durante o Holocausto, a suástica tornou-se um símbolo bem recebido entre muitos palestinos, e a SS deu tanto apoio financeiro como logístico aos pogroms anti-semitas na Palestina. Em 1944, uma unidade de comando árabe-alemã sob as ordens de Husseini foi lançada na Palestina num esforço para envenenar os poços de Tel Aviv. Mesmo estando novamente do lado perdedor da guerra, várias vantagens foram oferecidas aos palestinos após a queda de Hitler. Mas não era suficiente. Os judeus tinham que sumir dali, e a criação de Israel, para proteção dos judeus, nunca foi aceita. Várias nações muçulmanas, lideradas pelo Egito, atacaram Israel, tendo como alvos civis inocentes. Suas bases militares eram deliberadamente cercadas por escudos civis, para qualquer reação de Israel causar danos a inocentes, afetando sua imagem frente a opinião pública. Apenas a perfídia impede alguém de notar a diferença moral entre alvejar expressamente civis e atingir acidentalmente civis, defendendo-se.

Em 1967, uma nova guerra contra os judeus teve início, pelas claras iniciativas de Nasser. Os exércitos árabes estavam aglomerados ao longo da fronteira de Israel, prontos para atacar. Os planos de guerra egípcios incluíam o massacre da população civil de Tel Aviv. Israel derrotou seus inimigos na Guerra dos Seis Dias, com um número de baixas civis árabes menor que em qualquer guerra comparável. Em outubro de 1973, o Egito e a Síria desfecharam ataques-surpresa contra Israel no Yom Kippur, o dia mais sagrado do ano judaico. Israel tem armas nucleares desde os anos de 1960, mas jamais as usou, mesmo nessa guerra absurda. Ainda assim acusam de genocida aquele que defendia-se de forma moderada dos inimigos fanáticos.

Israel simplesmente não podia existir. O terrorismo seria adotado como prática comum para esse objetivo final: exterminar o povo judeu. Nada além disso seria aceito pelos líderes palestinos, cuja existência do inimigo externo serve como escusa para o totalitarismo interno. O falecido terrorista Yasser Arafat não negou tal objetivo, ao declarar que a OLP planeja "eliminar o Estado de Israel e estabelecer um Estado puramente palestino". O sobrinho de Husseini, acusado de desviar milhões de dólares da OLP, continuou, afirmando que tornaria "a vida impossível para os judeus através de guerra psicológica e explosão populacional". Enquanto a mulher e filha de Arafat viviam confortavelmente na França, filhos de palestinos, alguns com 13 anos, eram mandados pelo líder como bombas humanas para o assassinato de crianças, mulheres e idosos judeus. Até mesmo um deficiente físico foi jogado no mar em um seqüestro de um navio pelos terroristas palestinos. Suas ações incluem bombas em sinagogas, discotecas, jardim-de-infância, aviões e shopping centers. Ainda assim, a ONU recebia Arafat como um respeitado líder. O método estava funcionando, e os ataques terroristas se intensificavam.

O duplo padão do julgamento internacional deixa evidente o viés anti-semita. A ocupação da Palestina pela Jordânia e pelo Egito jamais foi condenada pela ONU, nem foi alvo de preocupação dos grupos de direitos humanos. O fato de os próprios árabes e muçulmanos serem os maiores assassinos dos palestinos nunca foi duramente criticado. São sempre dois pesos e duas medidas. Israel é sempre o culpado. O Tibete foi ocupado pela China comunista, teve boa parte de seu povo dizimada sem qualquer motivo, mas a "ocupação" de Israel na Palestina merece infinitamente mais atenção da mídia, e a ONU jamais condenou a China por isso. Se Israel consegue matar um terrorista palestino em um ataque cirúrgico, é acusado de "terrorismo de Estado". Até mesmo um muro construído por Israel foi condenado, e comparado ao Muro de Berlim, ignorando a obviedade de que um tenta impedir a entrada de terroristas, e o outro a saída do próprio povo escravo. Não adianta: qualquer ação que Israel tome para combater o terrorismo será vista como condenável. É a sua própria existência que não aceitam.

A prova de que os líderes palestinos não querem de fato a paz está na oferta de Barak recusada por Arafat, que sequer apresentou uma contra-proposta. Os judeus cederam em praticamente todas as demandas, inclusive um Estado palestino com a capital em Jerusalém, o controle do Monte do Templo, a devolução de aproximadamente 95% da margem ocidental e toda a faixa de Gaza, e um pacote de compensação de 30 bilhões de dólares para os refugiados de 1948. O príncipe saudita Bandar exortou Arafat a aceitar a generosa oferta, afirmando ser um crime sua rejeição. Arafat escolheu esse crime, e milhares de inocentes pagaram com suas vidas essa decisão absurda, com a intensificação dos ataques terroristas que se seguiram, como tática deliberada do líder palestino.

Outra prova de que a liderança palestina não quer a paz está no próprio estatuto do Hamas, de 1988, que declara que "não há solução para o problema palestino a não ser pela jihad", a guerra santa muçulmana. Não podemos dizer ao certo quanto da população palestina aprova o terrorismo. É certo que o regime autoritário de terror impede a livre expressão do povo, e somente a democracia faria com que a real intenção fosse exposta. Dificilmente a maioria de um povo prefere a guerra. Mas temos que levar em conta também que são anos de lavagem cerebral, colocando os judeus como o próprio demônio, que precisa ser eliminado. O terrorismo não nasceu do desespero palestino, mas é uma tática racional de seus líderes, porque funciona. Combater isso com a diplomacia parece uma grande utopia. Mas Israel é sempre condenado ao tentar se defender dos terroristas, que cada vez mais miram em alvos chocantes, como pequenas crianças.

Como diz Alan Dershowitz, "o contexto é essencial para qualquer avaliação justa do comportamento de uma nação". Existe uma clara disposição da comunidade internacional de mostrar Israel como único ou "principal" violador de direitos humanos, ignorando comparações com nações que vivem situação similar, como os russos na Tchetchênia e os franceses na Argélia. Um erro não justifica outro, e Israel comete seus erros. Mas aquele que não analisa os fatos friamente, com imparcialidade, está julgando a partir de um preconceito. Somente isso explica os brados contra Israel e o silêncio sobre os demais. Apenas a má fé ou a ignorância justificam uma condenação unilateral a Israel, ou mesmo o relativismo, neste conflito entre palestinos e judeus. Para terminar, cito novamente Dershowitz: "A imparcialidade em relação àqueles cujas ações não são equivalentes do ponto de vista moral é uma forma artificial de simetria imoral e perigosa".

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:08
Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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