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05 Jun 2005

Senhores V, W, X, Y e Z

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Não estivemos perante um misterioso Senhor X a gravar confissões extraídas por benéficas e misteriosas influências siderais.

Maio de 1997. O primeiro mandato do presidente Fernando Henrique se encaminhava para o final e tramitava no Congresso projeto de emenda constitucional que visava a permitir que presidentes disputassem uma reeleição. O bloco oposicionista entrou em campo através de agressiva mobilização lançada com o objetivo de desacreditar o governo. Pela estratégia, se a emenda viesse a ser aprovada, FHC iria para o pleito moralmente destroçado. Foram divulgadas, inclusive, gravações feitas por um certo Senhor X, que se tornou, por semanas, o mais famoso anônimo da história do país. Nelas, o referido cavalheiro, dotado de extraordinária capacidade de extrair confissões voluntárias de parlamentares corruptos, desmascarava o processo de compra de votos que teria sido posto em marcha para aprovar o projeto. Resultado da votação: 318 votos a 17, Fernando Henrique saiu ileso do episódio, venceu o pleito no ano seguinte e nós vamos morrer sem saber quem era e se de fato existiu o tal Senhor X. <Br><Br>

É muito pouco provável que o leitor lembre desses eventos que ocuparam as manchetes nacionais há exatos oito anos. No entanto, eles me vieram à mente ao tomar conhecimento da pressão desencadeada sobre o Congresso durante a coleta de assinaturas para a constituição da CPI que investigará as denúncias de corrupção na EBCT. Não estivemos perante um misterioso Senhor X a gravar confissões extraídas por benéficas e misteriosas influências siderais. Não. O que tínhamos - e continuamos tendo -  é a poderosa confluência, ostensiva, visível, publicamente assumida, de duas tropas de choque - a do Lula e a do Collor - contra a CPI. &quotNão tem mais pão-de-ló nem cafuné&quot para quem votar contra o governo, proclamava um vice-líder da bancada governista. Ou seja, há pão-de-ló e há cafuné para quem não assinou o pedido de CPI, para quem dele retirou sua adesão e para quem se aplicar em paralisa-la nos meandros regimentais. <Br><Br>

Em vez de um anônimo qualquer, cinco ministros do governo, os senhores V, W, X, Y e Z,  foram destacados para cabalar votos, estimular desistências e armar mecanismos de recompensa ou revide, usando para isso recursos públicos e tendo como objetivo evitar a investigação parlamentar sobre determinado setor da administração federal. <Br><Br>

Estou convencido de que esse fato é muito mais grave do que aquele que estará sob investigação. Caberia perfeitamente, aliás, criar uma CPI para investigar as manobras montadas para evitar essa CPI.

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:09
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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