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12 Mai 2004

A Entrevista de Walter Salles

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Walter Salles verbalizou a indigência mental dessa gente, que nem mais elite é, são apenas os resquícios enriquecidos do que outrora era o escol da sociedade.

Navegando na Internet deparei-me com a chamada, no sitio da UOL, sobre a entrevista concedida à revista “Trip” por Walter Salles, o cineasta-banqueiro que fez Central do Brasil e agora filmou a biografia de Chê Guevara. Deve ser lida por todos, tanto que não resisti a fazer esses comentários. Nela está à mostra o complexo de culpa que a nossa elite econômica adquiriu, doutrinada por anos e anos de pregação gramsciana.

Reputo a esse sentimento a causa primeira das maiores mazelas de nosso país, pois a elite, em qualquer sociedade, é que tem a missão civilizadora, a clarividência do porvir, a liderança moral. Quando ela deixa de ser referência, instala-se a decadência. É todo o povo que decai.

Walter Salles verbalizou a indigência mental dessa gente, que nem mais elite é, são apenas os resquícios enriquecidos do que outrora era o escol da sociedade. A riqueza não pode, todavia, esconder a pobreza de alma, o fracasso pessoal e de classe de quem não dispõe de nenhum projeto além daquele que é o proverbial servilismo diante do politicamente correto e das idéias coletivistas.

“A classe social de onde venho é asfixiante”. Quem lê essa frase solta deverá achar que o sujeito nasceu em uma favela ou nos ermos dos sertões. Mas é dele, filho do banqueiro que passou parte da infância e da adolescência em Paris. “Não fico puto quando alguém menciona de onde vim. É a minha história, ponto final. Fico puto quando há generalizações, quando alguém diz que uma pessoa de uma classe social não pode olhar para outra com integridade”. Aqui nessa frase é que se vê a pobreza espiritual do homem. Vê o mundo pelas categorias marxistas. Apenas um ser vê outro ser, classe social não é nada.

No encontro de personalidades é que pode haver trocas. Por mais filmes piegas e comunas que venha fazer, nunca conseguirá enxergar o outro porque o outro é gente, não classe. Ama o próximo como a ti mesmo é algo que Walteza não sabe o que é. [É assim que os implicantes lhe tratam, segundo o repórter. Permita-me, pois, a intimidade].

O seguinte trecho enfatiza a pobreza espiritual do homem: “Passar um tempo na casa desse tio abriu um monte de portas — ele é umbandista, tinha um terreiro dentro de casa. Sacudir aquela poeira católica foi, no mínimo, interessante”. E pode apostar que declarou isso como um triunfo pessoal e não como o fato é: uma enorme regressão, um descenso, uma decadência, a negação daquilo que tinha de mais precioso para abraçar o nada em seu lugar. É com se dissesse: “Olha, sou branco e rico, mas me identifico com o negro e pobre”.  Sacudir a poeira católica, como ele declarou, é negar toda a civilização. Tinha mesmo que filmar a vida de Guevara. Merecem-se.

“O que eu espero do governo Lula? Antes de mais nada, que ele reverta esse quadro de desequilíbrio social que existe no país. E originalidade, a criação de um modelo de desenvolvimento que nos seja próprio, independente”. Se os comissários petistas puderem, reverterão o quadro, sim, a começar por acabar com a raça dos banqueiros, que eles tanto odeiam. Aliás, outro não era o desejo de Chê, que morreu em prol de alcançar esse ideal nada cristão.

A vida, caro Walteza, é mais do que imagens projetadas. E há uma verdade, à qual você deu as costas. Não há grandeza nas suas declarações. Deu-me pena lê-las. A indigência delas só me convenceu a não ver os seus filmes, que nunca os vi mesmo, pois devem ser ainda mais pobres do que as suas idéias. Uma pregação niilista rumo ao niilismo socialista.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 21:30
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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