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08 Dez 2020

COMO ERA VERDE O MEU VALE

Escrito por 

Na escola tinha o Gordo, o Magrela,  Branca azeda, Quatro Olhos, Baixinha, Olívia Palito, o Gago, o Cabelo Bombril, o Negão, o Fanho, o Mulherzinha, o Narigudo, o Zé meleca e por aí vai...

 

Meus amigos.

Recebi de um correspondente, via e-mail, o texto que decidi transcrever na sequência, a despeito de não haver o registro de seu autor.

No entanto, ele é tão verdadeiro e expressa com tanta fidelidade uma realidade que, imagino, vários daqueles que acessarão seu conteúdo, certamente concordarão comigo que a não identificação de seu autor não materializa qualquer desrespeito e, sim, uma manifestação inequívoca de admiração pela sua iniciativa. Até porque, ele mesmo sugere que se dê visibilidade à sua reflexão, ao sugerir que se copie e cole seu conteúdo.

Como o artigo não tinha título, busquei algo que representasse o sentimento que sua leitura despertou em mim.

Disse o nosso autor anônimo:

"Passei minha infância num Rio de Janeiro lindo.  Época onde tínhamos que tirar uma nota boa para poder ir pra rua brincar pois ficar em casa era castigo.

Nessa época não tínhamos celular. As pesquisas de escola eram feitas em bibliotecas (frequentei muito a Biblioteca  Nacional, no Centro) ou nas enciclopédias( Barsa ou Conhecer) de algum amigo. O trabalho era escrito a mão e a prova, na folha de papel almaço. Tinha dever de casa pra fazer, a Educação Física era de verdade tínhamos corrida, vôlei, futebol, handebol, etc...

Tínhamos Desfiles Cívicos e Festas do Folclore nas escolas com participação em massa dos alunos. Só saudades. Cantávamos o Hino Nacional no pátio antes de ir para a sala de aula.

Na escola tinha o Gordo, o Magrela,  Branca azeda, Quatro Olhos, Baixinha, Olívia Palito, o Gago, o Cabelo Bombril, o Negão, o Fanho, o Mulherzinha, o Narigudo, o Zé meleca e por aí vai... Todo mundo era zoado e às vezes até brigávamos, mas logo estava tudo resolvido e seguia a amizade. Era brincadeira e ninguém se queixava de bullying, existia o valentão, mas também existia quem defendesse o mais fraco !

O lanche era levado na merendeira, podíamos almoçar nos colégios públicos e qdo. se tinha dinheiro,  comprava-se sanduíche de mortadela ou de presunto, groselha, Crush, Grapette ou Coca Cola na cantina. Pirulito, bala Juquinha, jujuba, caramelos, balas Soft, chocolate Garoto ou Diamante Negro,  quem era dos colégios particulares.
Época em que ser gordinho(a) era sinal de saúde e se fosse magro, tínhamos que tomar o Biotônico Fontoura, Emulsão de Scott ou Calcigenol ! A frase "peraí mãe " era para ficar mais tempo na rua e não no computador ou no celular.

Colecionava-se figurinhas, papéis de cartas, tinham as competições de iô- iô da coca cola... As brincadeiras eram saudáveis, brincávamos de bater em figurinhas, e não nos colegas e professores.

Na rua era pelada, vôlei, queimado, pique bandeira, pular elástico, pique-esconde, polícia e ladrão, andar de bicicleta, chicotinho queimado, se arrebentar nos patins e ficar na rua até tarde. Comiamos também na casa dos amigos (a comida na casa dos colegas era sempre mais gostosa).

Não importava se meu amigo era negro, branco, pardo, rico, pobre, menino, menina, pois todo mundo brincava junto e era ótimo ! Assistíamos Pica-Pau, Tom e Jerry, Pantera Cor de Rosa, Papa Léguas, Sítio do Pica-Pau Amarelo, Corrida Maluca, Zé Colméia, Os Flintstones e vários outros.

Tínhamos nossos deveres de casa, que cada um fazia como se fosse brincadeira e ainda ia ajudar o amigo para terminar logo e ir brincar.

Que saudades desse tempo em que a chuva tinha cheiro de terra molhada. Época em que nossa única dor era quando passava Merthiolate nos machucados. Felizes em comparação com esse mundo de hoje onde tudo é bullying. Nossos pais eram presentes, mesmo trabalhando fora o dia todo, educação era em casa, até porque, ai da gente se a mãe tivesse que ir à escola por aprontarmos. Nada de chegar em casa com algo que não era nosso, desrespeitar alguém mais velho ou se meter em alguma conversa. Era logo um tapão ou  aquele olhar de "quando chegar em casa conversamos (pânico total).

Tínhamos que levantar para os mais velhos sentarem. Fico me perguntando, quando foi que tudo mudou e os valores se perderam e se inverteram dessa forma ?

Se você também é dessa época, copie e cole no seu mural, mude o que for necessário.

Copiei e colei, não tive muito o que mudar, pois foi exatamente assim que vivi minha infância. Claro que tive um sorriso no rosto enquanto lia esse texto e relembrei de vários bons momentos...

Quanta saudade, quantos valores importantes que me fizeram um adulto realmente digno!

Sou grato por tudo que vivi e aprendi.

Essas palavras não são minhas, mas, vivi exatamente a mesma experiência.

Bons tempos!"

Última modificação em Terça, 08 Dezembro 2020 19:53
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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