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12 Nov 2020

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2020 - 4a Parte - Os candidatos

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Indivíduos, numa proporção constrangedora, absolutamente desqualificados para a ocupação dos cargos disponíveis nas instituições, lutam ferozmente para ocupá-los.

Ver Eleições Municipais 2020 - 3a Parte

Meus amigos

Nesta última reflexão sobre as próximas eleições municipais, se buscará registrar aspectos que envolvem as características, as peculiaridades, o perfil daqueles que, desejando ocupar os espaços públicos nas Prefeituras e Câmaras Municipais, se valem dos espaços disponibilizados pela legislação para conduzir suas campanhas eleitorais, se oferecem, “quase imploram”, para serem escolhidos a ocupar esses espaços.

Em tese, há que se considerar que se tratariam de cidadãos que, conscientes da importância, para a população, de um desempenho eficiente daqueles que se responsabilizam, quase imploram, por trabalhar obstinadamente no esforço de superar as dificuldades enfrentadas pelo povo, atender as suas necessidades, suas aspirações, se disponibilizam para “doarem” sua energia, sua competência, seu tempo, dedicando-se integralmente neste mister.

Na verdade, lamentavelmente, não é isso que se assiste.

Indivíduos, numa proporção constrangedora, absolutamente desqualificados para a ocupação dos cargos disponíveis nas instituições, lutam ferozmente para ocupá-los.

Há poucos dias do pleito, o que se vê é desagradavelmente triste e sinalizador de que não se deve esperar mudanças significativas nos ambientes políticos municipais.

Nos espaços disponibilizados na mídia e nas redes sociais para que os candidatos conduzam sua “propaganda” (propaganda sugere tentativa de venda), o que se constata são cenas grotescas, de indivíduos que, em alguns casos, parecem se apresentar propositalmente de forma ridícula, demonstrando acreditar que o inusitado possa lhes favorecer e, claro, passando a mensagem de que, por considerarem os eleitores idiotas, entendem que ao se mostrarem da forma mais aberrante possível, se diferenciarão dos demais e poderão levar alguma vantagem na “competição”.

Nenhum demostra estar consciente de que estão se oferecendo para serem “contratados” como “empregados” da população, a quem deverão respeito e servidão no transcurso do tempo em que estiverem nos cargos pretendidos, sujeitos a serem demitidos de suas funções, na melhor das hipóteses, ao final de seus mandatos.

De outro lado, a população também não demonstra vê-los como seus serviçais, por vezes enxergando-os como “autoridades” merecedoras de “respeito” e reverências.

Dentro desse quadro, a população deve escolher entre os Zé Manés, os Manoéis da Farmácia, a Fulustreca da Posto de Saúde, a Maricota do Bairro Tal e coisas que tais.

O que não se pode perder de vista é que alguns desses pobres coitados foram induzidos a acreditar que poderiam ser eleitos e se tornarem “autoridades”, pelos caciques políticos locais, esses sim, com grande possibilidade de continuarem ocupando os espaços que já ocupam por algumas legislaturas.

Na verdade, os caciques precisam desses, talvez inocentes, para captar votos pingados, aqui e acolá, que, somados, possibilitarão que o partido obtenha votação que, considerado o quociente eleitoral, assegure sua vitória.

Dentre os identificados aqui como pobres coitados, entretanto, existem aqueles que, conhecendo mais de perto a realidade do processo, se disponibilizam voluntariamente como candidatos, mesmo sabendo que não terão qualquer chance de se elegerem, porque cientes de que o seu cacique preferido no partido, poderá, grato pelo apoio, guindá-lo para ocupar alguma função no poder público que, pelo menos, lhe propiciará um salário que, ainda que pequeno, será incomparavelmente superior ao que poderia obter na atividade provada com sua qualificação, além de proporcionar, quem sabe, algum prestígio, que permita um futuro sucesso em eleições posteriores.

Afinal, esse foi o caminho que levou seu benfeitor a chegar à condição de um dos caciques do partido.

Em suma, prezado leitor, o ambiente é podre e a única coisa que se pode afirmar que não está motivado a gerar é o atendimento do interesse público que deveria justificar a realização de todo o processo.

Por questão de justiça, há que se registrar que existem pouquíssimas exceções nesse ambiente.

Finalmente, merece ser dito que a desinformação, o despreparo, a ignorância (no verdadeiro sentido do termo), uma quase inocência do eleitor, dificulta a reversão deste quadro lúgubre descrito.

Pobre Brasil !!!!!!!!!!!

Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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