Sex12042020

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

06 Nov 2020

ELEIÇÃO MUNICIPAL 2020 - 3a Parte - Os Eleitores

Escrito por 

Em desvantagem para decidir sobre como conduzir suas próprias vidas, necessitam decidir sobre a quem atribuir a responsabilidade de administrar a vida de todos.

 Ver Eleições Municipais 2020 - 2a Parte - O Processo Eleitoral

Meus amigos

No presente artigo, se deseja provocar a reflexão dos prezados leitores com relação ao perfil dos eleitores que estarão se responsabilizando pela conquista de sucesso no processo que irá materializar o próximo pleito municipal.

Antes de qualquer consideração, é importante lembrar que ninguém escolhe em que família irá nascer, que pais irá ter.

A consequência desta verdade é de que não se deve atribuir demérito àquelas pessoas que, por terem nascido em lares muito pobres, desestruturados, nos quais a figura paterna se ausentou, nas quais a mãe não possui qualificação profissional que lhe permita sustentar financeiramente seus filhos de forma a lhes propiciar educação adequada.

Lamentavelmente, pelas razões mais diversas que não se justificam serem elencadas neste artigo, esse universo de brasileiros constitui uma maioria constrangedora. Basta que se percorra as periferias das cidades, particularmente as maiores, ou que se observe a circulação de pessoas nas áreas comerciais mais populares das cidades.

São pessoas simples, humildes, mas que se encontram numa situação de absoluta desigualdade de oportunidades, quando comparadas aos seus demais concidadãos com os quais convivem e que tiveram a felicidade de nascer em famílias que puderam lhes propiciar condições melhores de educação, melhores referências para o enfrentamento dos desafios que a vida moderna apresenta a todos.

Esse universo de cidadãos integra o contingente daqueles aos quais cabe decidir sobre quem “contratar” para conduzir os destinos das cidades às quais pertencem.

Em desvantagem para decidir sobre como conduzir suas próprias vidas, necessitam decidir sobre a quem atribuir a responsabilidade de administrar a vida de todos.

Com referências pobres para distinguir o certo do errado na vida de uma coletividade, tendem a se constituir em universo facilmente manipulável por aqueles que visualizam a ocupação de espaços no espectro político da vida pública como solução para suas vidas.

Decorre desta constatação que a probabilidade de que, nos pleitos municipais, findem por serem eleitos indivíduos desqualificados, aventureiros e, mesmo, desonesto, cresce desconfortavelmente.

É triste se ter que registrar, em acréscimo, que há, no universo dos munícipes, particularmente em grandes cidades, um contingente de cidadãos que, por disporem de condições econômico-financeiras que lhe proporcionam a possibilidade de viverem independentemente da ação administrativa dos responsáveis pela definição das regras que balizam a vida em coletividade no município, não têm qualquer tipo de motivação para que se interessem em interferir na escolha daqueles aos quais se entregará os destinos daquele espaço.

A despeito de, muito provavelmente, disporem de informações, referências, que lhes permitissem contribuir positivamente para a escolha de concidadãos que integrariam um grupo melhor preparado para administrar o município, se isentam de envolvimento no processo eleitoral, por vezes mesmo, deixando de comparecer ao pleito, sabedores de que poderão se justificar posteriormente.

Decorre das considerações feitas até aqui, que resta um contingente pequeno de cidadãos que, normalmente pertencentes à classe média, conscientes de suas responsabilidades, se empenham em contribuir de forma adequada para que o processo possa desaguar em algum resultado positivo para o interesse público.

Clara minoria, tem pouca possibilidade de influir decisivamente no resultado.

É triste concluir que, dentro da atual realidade da população brasileira, fica difícil se imaginar que o ambiente político no país possa caminhar no sentido de um permanente e seguro aperfeiçoamento.

Tudo sugere que ainda se deverá purgar por algum tempo, convivendo com um ambiente político desqualificado, despreparado para o efetivo cumprimento de suas responsabilidades, por isso incompetente, quando não corrupto.

Os eleitores brasileiros não têm consciência de que são os patrões na relação com aqueles que elegem e que devem estar preparados para expurgá-los de seus cargos sempre que se mostrarem desqualificados para ocupá-los.

Última modificação em Sexta, 06 Novembro 2020 20:25
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

Website.: www.rplib.com.br/
  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.