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03 Nov 2020

CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONCEITO DE TRANSIÇÃO JUSTA

Escrito por 

O Movimento Globalista tem particular interesse em manter o controle do mercado mundial de commodities minerais e energéticas.


1.    Aspectos Geopolíticos

O Movimento Globalista Internacional surgiu como organização secreta, durante o ocaso do Império Britânico, na última década do século XIX, sob a inspiração e liderança de Sir. Cecil Rhodes. A finalidade era perpetuar a influência global das oligarquias financeiras, por meio do dinheiro e da mídia de massa. A meta final é o governo mundial. O clube possui um código de conduta inspirado no regulamento da Companhia de Jesus.

No início do século XIX, após a morte de Rhodes, organizou-se como “Round Table”, sob Lorde Milner, congregando os principais banqueiros: Rockefeller, Carnegie, Ford, Morgan, Warburg, Rotschild e outros. Após as duas guerras mundiais, influiu na criação da Liga das Nações e da ONU.

Posteriormente, aproveitou o prestígio da Cruz Vermelha Internacional para induzir “status” legal às organizações-não-governamentais. Paralelamente, criou o Movimento Ambientalista, articulando propaganda de massa e trabalho das ONGs. Instituiu o Conselho Mundial de Igrejas (Genebra) e passou a atuar na dimensão religiosa e cultural.  Em 1971, lançou o Movimento Indigenista na Conferência de Barbados.

O Movimento Globalista é uma hidra de muitas cabeças, mas deve haver uma coordenação central oculta. As mais conhecidas são a Comissão Trilateral, o Council on Foreign Relations (USA), o Conselho Mundial de Igrejas (Genebra/Suíça) e os clubes de interesses (Bildeberg, Clube de Roma e outros). Sua agenda global tem viés construcionista, que estimula doutrinas e teorias voltadas à massificação (socialismo, multiculturalismo, laicismo, feminismo, identitarismo, etc), com a intenção de vulgarizar a família, enfraquecer o Cristianismo e estabelecer controles de massa, além de patrocinar campanhas políticas em várias partes e semear revoluções, como a Primavera Árabe.

O Movimento Globalista tem particular interesse em manter o controle do mercado mundial de commodities minerais e energéticas. O histórico desse movimento está descrito no livro “The Anglo-American Establishment”, do historiador Carroll Quigley, da Universidade Georgetown (1981).

2.    Transição Energética

Em 2018, surgiu o conceito de “transição justa”, definido como “um processo justo e equitativo rumo a uma sociedade pós-carbono”. Sugestivamente, passou a integrar o preâmbulo do Acordo de Paris, firmado em 2016, para entrar em vigor a partir de 2020. A proposta consiste no aumento do uso do gás como fonte de transição energética e na substituição progressiva do carvão e do petróleo por fontes renováveis. Paralelamente, multiplicaram-se as iniciativas de eletrificação dos veículos, uma solução polêmica, pela dificuldade em acumular energia e pelo descarte em massa das baterias inservíveis no meio ambiente.

A campanha de substituição dos combustíveis fósseis é liderada pelos países importadores desse insumo estratégico, sob a alegação de que provocam o “efeito estufa”, responsável pelo aquecimento global. Cabe considerar, no entanto, que ainda não há comprovação científica dessa tese. E pouco se sabe a respeito da influência cosmológica sobre o clima. Os dados coletados até hoje são muito incipientes e não permitem tirar conclusões seguras sobre as causas naturais dos ciclos glaciais e de aquecimento. Portanto, não há prova de que as mudanças climáticas sejam causadas pela ação humana. O IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática) e seu coordenador, o indiano Rajendra Pachauri, tiveram a credibilidade comprometida, no final da década de 1990, com a denúncia fundamentada de manipulação intencional de dados para justificar a teoria do aquecimento global por gases do efeito estufa.

Por outro lado, o efeito nocivo da poluição sobre os ecossistemas é um fato incontestável. Além disso, a devastação do solo e a erradicação das nascentes levam à desertificação. A poluição das áreas urbanas, o lançamento em massa de gases de carbono na atmosfera e a poluição oceânica, certamente, são flagelos ambientais. Assim, os grandes empreendimentos da atualidade, inclusive energéticos e minerários, passaram a ser onerados com a imposição de critérios de avaliação e correção de impacto ambiental.

Contudo, o combate à poluição gasosa é uma tarefa politicamente complexa. Países populosos e carentes de energia hidráulica como a Índia e a China não podem prescindir dos combustíveis fósseis. Interditá-los, seria condenar essas sociedades ao subdesenvolvimento. Nesse contexto, merece atenção o viés preconceituoso e malthusiano dos clubes de interesses globalistas do Primeiro Mundo contra o crescimento populacional dos países pobres. A população europeia está em declínio, enquanto crescem as massas dos demais continentes. O Clube de Roma, fundado em 1968, propôs a tese do “crescimento zero”, baseado em modelos matemáticos de projeção do futuro. Na conferência de Estocolmo (1972), os países desenvolvidos abraçaram a tese do “desenvolvimento zero”, significando congelar as condições econômicas e sociais existentes no Planeta. Egoisticamente, os países ricos não aceitam abrir mão do seu padrão de consumo para compartilhar os recursos do Planeta.

Os combustíveis fósseis são recursos naturais não renováveis, e o consumo crescente há de levá-los à extinção em um futuro previsível. Por isso, deverão ser progressivamente substituídos por fontes renováveis de energia. Esta é a verdadeira causa da necessidade da “transição justa”, em termos econômicos e energéticos.

A matriz energética mundial mostra que 81% da energia em uso ainda provém de fontes fósseis (carvão, petróleo e gás); 10%, da biomassa; 5%, de fonte nuclear; 2%, de hidrelétrica; e apenas 2% de outras fontes renováveis.

3.    O modelo alemão e o Brasil

Na Alemanha, apesar do esforço pró-energia limpa, 45,4% da sua matriz energética ainda provém de fontes fósseis e 13,3%, de nuclear. O país depende do gás russo, e tem dificuldade em substituir o carvão nacional. As fontes renováveis (eólica, solar, biomassa e marés) respondem por apenas 40,4%.

Cabe lembrar que a Alemanha, embora vanguarda econômica e tecnológica da Europa, tem a sua soberania política limitada e continua sob vigilância dos vencedores da 2ª Guerra Mundial. Portanto, a vontade nacional alemã não é autônoma.
Não obstante, o trabalho de revitalização ambiental de Minas Gerais pode inspirar-se nos projetos de restauração paisagística e ambiental implementados na Alemanha. Os modelos bem-sucedidos de revitalização do vale do Ruhr e da região da Lusacia merecem ser estudados.

No Brasil, as fontes fósseis geram 65,1; as fontes renováveis, 24,5 %, sendo 16% hidráulica e apenas 2,3% da biomassa; e nuclear, 10,4%. O potencial brasileiro da biomassa, com o Proálcool, associado ao de insolação, é incomensurável. Portanto, o Brasil está na vanguarda da geração de energia limpa.

Embora o setor mineral contribua com 60% do saldo comercial de Minas Gerais, no contexto nacional ele ainda se encontra em estágio incipiente. Apesar do potencial existente, o produto mineral contribui com apenas cerca de 4,4% do nosso PIB, enquanto que na Austrália, representa 9,4%. Até hoje, o Brasil só completou o mapeamento geológico de cerca de 30% do território. A legislação brasileira é complexa, causando desconhecimento e ensejando privilégios a poucos iniciados. Os stakeholders nacionais ainda não se organizaram politicamente. Por atuarem isoladamente, ficam vulneráveis às pressões econômicas, ambientais e midiáticas dos concorrentes.

Evidentemente, o intercâmbio com stakeholders alemães tem o potencial de agregar conhecimento e oportunidades de negócios, desde que ressalvada a influência política e ideológica. O Estado de Minas Gerais sozinho tem potencial para ser fornecedor dos insumos necessários para suprir a demanda global das tecnologias de energias renováveis.

Como bem destacou o Concept Paper, “Alavancar as experiências alemães no Brasil é possível, mas precisam ser contextualizadas às peculiaridades brasileiras”. A mesma ressalva aplica-se aos financiamentos internacionais que apoiem projetos de transição justa no Brasil.

4.    Conclusão

As tratativas sobre “transição justa” com stakeholders alemães são portadoras de grande potencial comercial e cultural e merecem ser estimuladas.

As possibilidades de financiamento estrangeiro, no entanto, merecem receber cuidadosa avaliação quanto a servidões que condicionem a soberania nacional.

O estágio de desenvolvimento mais avançado da mineração na Austrália sugere a possibilidade de um intercâmbio com potencial de enriquecer o setor com experiência organizacional, gerencial e tecnológica.
   
 





 

Última modificação em Quarta, 11 Novembro 2020 12:49
Maynard Marques de Santa Rosa

 General-de-Exército reformado. Nasceu em Canudos (município de Anadia-AL), em 1944. Formado pela AMAN, turma de 1967. Graduou-se nos demais cursos de formação militar e no curso de Política e Estratégia do US Army War College. Serviu em 24 organizações militares. Foi Comandante Militar do Nordeste, Secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa, professor de pós-graduação da Fundação Armando Álvares Penteado-FAAP (S. Paulo) e Secretário Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República

 

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