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12 Mai 2005

Kirchner, Lembra Que és Presidente!

Escrito por 

Era uma vez um homem que achava que podia fazer o que queria. Além de não ter muita certeza do rumo que quer dar ao país que governa, acha que pode ser mal-educado em qualquer ocasião. (Colaboração de Ariane Holzbach)

Era uma vez um homem que achava que podia fazer o que queria. Além de não ter muita certeza do rumo que quer dar ao país que governa, acha que pode ser mal-educado em qualquer ocasião. Néstor Kirchner, o sem-noção do momento, deve estar por demais estressado, pois parece que não anda raciocinando direito. As atitudes do presidente argentino (e não se trata de rivalidade Brasil X Argentina) não estão de acordo com o que seu país precisa, além de fazer uma péssima propaganda mundo afora. Será que ele lembra que é um presidente?

            Se tem consciência do que seu cargo significa, como alguém que acaba de se safar de um dos maiores calotes da história com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que continua enfrentando crises internas a torto e a direito e que precisa da cooperação internacional para amenizar os problemas da Argentina trata mais de 30 líderes mundiais como se quisessem dar esmola? Ao abandonar a Cúpula América do Sul-Países Árabes, o presidente argentino fez muito mais que desrespeitar o Brasil, que sedia o evento: feriu a ética entre países e certamente manchou futuros acordos que poderiam livrar seu país de um buraco que está fundo há anos.

            A complacente diplomacia tupiniquim finalmente se pronunciou contra as loucuras do presidente, dizendo que o argentino desta vez passou dos limites. Para quem conhece nossa atual orientação a respeito das relações externas com o “novo mundo” dos países pobres, emergentes, sul-sul, o seja lá o que isto queira dizer, fica a certeza de que tal descortesia será logo relevada pelo “pragamatismo” da turma do Itamaraty.

Tanto é que o secretário da presidência para assuntos exteriores, Marco Aurélio Garcia, continuou defendendo Kirchner, chegando ao cúmulo de afirmar que o abandono, o desrespeito, o desprezo do argentino pela Cúpula “não tem importância”. E ainda colocou a culpa nos “excessos” da mídia, sempre tida como a ovelha-negra de tudo. É  fácil colocar a culpa na imprensa para se livrar de maiores explicações. Mas fica muito, muito feio. O Brasil bem que tentou apaziguar os ânimos, o que nem sempre acontece quando o assunto é Argentina, arranjando um jeito de falar da questão das ilhas Falkland, vulgo Malvinas, durante o simulacro de OPEP, quer dizer, da Cúpula. Lula esqueceu-se momentaneamente que elas são território britânico desde o século 17, tomadas à Argentina, que por sua vez, as tomaram dos espanhóis quatro anos antes... 

A ação foi, na verdade, mais uma manobra de Kirchner para desviar a atenção dos problemas reais que seu país enfrenta. Será que ele vai querer reeditar a loucura perpetrada por um de seus já longínquos  antecessores, o general Leopoldo Galtieri, quando declarou guerra à Inglaterra em 1982 por causa da ilha que à época, não se sabia se valia um único míssil (PIB em 2002 US$75 milhões; população 2,5 milhões)? Na ocasião, o então presidente usou a guerra para desviar a atenção de problemas internos e levou uma tremenda surra da Marinha Real Britânica, embora esta tivesse sofrido baixas, bem menores, e tido navios afundados.

Além de se comportar como se estivesse no jardim de infância durante as reuniões (bocejando, mostrando tédio, falando ao celular... Parecia uma criança mimada), Kirchner saiu do local batendo pé, como um adolescente rebelde. Não deu explicações, não falou aos repórteres e continuou emburrado, calado e trancado no avião.

Mesmo que não concordasse com a forma e/ou o conteúdo da Cúpula, ou que tivesse com inveja/despeito/raiva/ do Brasil, as ações do presidente não se justificam. Tudo bem que o evento, de pretensa categoria internacional, já começou com a ausência de vários lideres, que enviaram ministros em seus lugares. Aliás, aquilo que o atual governo brasileiro chama de cooperação pioneira foi pouco mais que um mero convescote, cujos resultados e protocolos de intenções – que raramente passam disto, promessas – não justificam o alarde dado ao “acontecimento”. Qualquer semelhança entre esta Cúpula e os fóruns de Davos e Porto Alegre  não é mera coincidência.

Mas, voltando ao assunto do adolescente Kirchner, o presidente deve estar, agora, assistindo à televisão, usando pantufas e pensando que vai conseguir bons resultados nas próximas eleições. Se os argentinos ficarem satisfeitos com as atitudes histéricas do presidente, o filósofo francês Joseph De Maistre estará, novamente, mais do que certo: cada povo tem o governo que merece.

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:15
Luiz Leitão

Luiz Leitão da Cunha é administrador e consultor de investimentos, sendo articulista e colunista internacional, especialmente para países lusófonos. É colaborador do Jornal de Brasília, Folha do Tocantisn, Jornal da Amazônia, Diário de Cuiabá, Publico (Portugal), entre outros.

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