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12 Out 2020

LEMBRE-SE: LINGUIÇA TEM VOLTA

Escrito por 

Lá vai: amigo leitor, caríssimo ledor, se você está se mordendo de ódio de alguém, ao invés de ficar aí, se martirizando feito Rapunzel na torre à espera dum príncipe montado numa mula manca, perdoe seu desafeto.

 

É muito comum vermos pessoas que se deixam carcomer facilmente pelo rancor e pela raiva. Minha Nossa Senhora! É uma grandeza! Tamanha é a miudeza que habita no coração de tanta gente e, é claro, que as vezes também faz morada no peito da gente.

Chega ser bonito de ver, marmanjos, homens feitos, barbados, e também senhoras donas de si, se retorcendo, feito jararaca em agonia, de tanta raiva que sentem quando veem uma pessoa que, segundo os mesmos, não valeria a boia que come.

Claro, isso não significa, necessariamente, que o sujeito não preste, nem que ele seja uma cândida alma inocente; mas, com certeza, o infeliz dificilmente encontrará um cantinho no coração do pobre amargurado.

Pior! Muitas vezes, amigo leitor, o sentimento é recíproco e, quando isso acontece, todos nós sabemos muito bem o que acontece. O trem azeda de um jeito tão feio que acaba ficando engraçado.

Tem remédio pra isso? Tem! Tem, sim senhor! Mas não posso receitar não. Na verdade, não quero. O que desejo, mesmo, é ver o circo pegar fogo, como todo palhaço desse mundão de meu Deus. Que pegue fogo e que o caminhão dos bombeiros esteja sequinho da silva.

Não apenas isso! Aproveito essa imprestável escrevinhada para jogar mais um tanto de gasolina. Lá vai: amigo leitor, caríssimo ledor, se você está se mordendo de ódio de alguém, ao invés de ficar aí, se martirizando feito Rapunzel na torre à espera dum príncipe montado numa mula manca, perdoe seu desafeto. Isso mesmo! Perdoe-o sem pestanejar e com magnanimidade.

E faça isso não por bondade. Nada disso. Sei que você é como todos nós: não presta. Por isso, perdoe-o só pra deixa-lo pau da vida. Isso mesmo! Nada aborrece mais quem nos acabrunha do que o perdão. Além de você tirar um peso dos seus ombros irá ter a delícia de ver o olhar aturdido, adornado com uma expressão sisuda, duma pessoa que não sabe o que fazer diante do seu gesto. É divertido pacas. Se você o fizer verá.

E não pare por aí não. Seja cretino ao ponto de rezar por seu desafeto. Coloque-o em suas orações privadas e, quando for à Santa Missa, entregue o nome do infame em suas preces. Mas faça isso discretamente, no altar do seu coração, não no púlpito. Nada de testemunho público. Isso é muito piegas e aí a bagaça não funciona como tem de funcionar.

Vá por mim: essa é a melhor forma de dar o troco. Esse negócio de ficar com os amiguinhos destilando veneno, lambendo as feridas feito um vira-latas sarnento não vai irritar as pessoas que não moram em seu coração peludo porque, não sei se você sabe, mas bem provavelmente essas pessoas não querem nem saber de morar nele e, talvez, seu apreço seja a última coisa que elas querem na vida.

Enfim, perdoe seus inimigos e reze por eles antes, durante e depois das eleições. Pelo menos uma vez por dia. Não tem erro. Essa é a melhor vingança que há. Pode crer.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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