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12 Mai 2005

Entre Bananas e Paradigmas

Escrito por 

Então quer dizer que um paradigma nada mais seria que o fruto de um reflexo condicionado, como nas experiências de Pavlov com seus cães?

Pobre Thomas Kuhn. Bem, infeliz de todo homem de ciência que procura apresentar as suas elucubrações teoréticas para uma sociedade onde a idiotia impera de maneira draconiana. Falo de Kuhn, o autor da obra A ESTRUTURA DAS REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS, na qual o mesmo apresenta um conceito interessante que o mesmo batizou com o termo paradigma.

Sobre esse assunto, no livro O FIM DA CIÊNCIA de John Horgan, é nos apontado que Kuhn se via por demais preocupado com a forma que o seu conceito era utilizado de maneira inadequada e em demasia, de maneira irresponsável e mesmo idiota, para ser mais claro. Qualquer expressão do pensar humano passou a ser chamado de paradigma, ou de novo paradigma. Esse conceito acabou-se vulgarizando de uma maneira nunca vista antes na história da filosofia, como uma infecção viral em meio a sociedade e principalmente nos círculos letrados.

Quanto a esses segundos, nestas terras de Pindorama, Deus nos acuda. Quando se chegava em uma encruzilhada em que a retórica chula não conseguia mais se transladar para outra faceta, jogava-se em meio ao lixo encefálico em um misto com cacoetes mentais a expressão “paradigma”, paradigmaticamente esvaziada de seu significado original.

O caso mais melancólico descrito por Horgan sobre os abusos da obra de Thomas Kuhn foi o plano econômico lançado pelo governo do Bush pai, intitulado “Novo Paradigma” que na verdade não passava de uma “reagonomia requentada”. O próprio autor faz um mea culpa pelo fato de não ter definido de maneira tão clara o que ele estava querendo dizer com paradigma.

Todavia, há usos e abusos que nem Horgan e muito menos Kuhn jamais poderiam imaginar que um dia dariam a esse conceito e nem mesmo esse simplório missivista. Mas eis que chega direto de um circo de horrores acadêmicos a senhora pérola a qual, em sua ostra de fatuidade, nos revela uma nova compreensão do que seja o paradigma, coisa que nem o próprio Kuhn calculava que poderia ser dito. Alias, ninguém em sã consciência.

Para um determinado indivíduo, exemplo de paradigma é o caso daquela velha experiência feita com macacos que eram molhados com água gelada quando tentavam pegar um cacho de bananas, condicionando-os a terem medo de pegá-las e a baterem e todos aqueles que tentassem faze-lo. Com o tempo trocara-se todos os macacos e eles, continuavam batendo em todo símio que tentasse pegar as ditas bananas no alto da escada. Para esse indivíduo, seria as bananas um paradigma para os macacos.

Mas que bananada em meu caro. Então quer dizer que um paradigma nada mais seria que o fruto de um reflexo condicionado, como nas experiências de Pavlov com seus cães? Seria interessante que elementos como esse apenas se dessem o trabalho de refletirem um pouco apenas sobre o que dizem, alias, sobre o que esbravejam, antes de arrogarem chamar para si a pecha de pseudo-senhores da verdade.

Tal tipo de afirmação, vinda de um professor renomado no meio acadêmico nada mais é do que um dos reflexos do estado de idiotia mental que se encontra a nossa civilização. Não estamos recorrendo a uma cobrança de precisão, mas sim, de no mínimo, um pouco de lucidez e nada mais, para o bem geral da nação e felicidade irrestrita de nossos ouvidos.

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:15
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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