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10 Mai 2005

Os Erros Políticos de Lula

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Tudo indica que os motores já estão ligados para a corrida presidencial. O
interessante é que esta largada foi dada pelo próprio governo, seus
articuladores e líderes.

Tudo indica que os motores já estão ligados para a corrida presidencial. O interessante é que esta largada foi dada pelo próprio governo, seus articuladores e líderes. Enquanto ainda resta um período de mandato ao presidente Lula, o mesmo já se preocupa com seu segundo termo, certo de que sua reeleição é um fato, com a certeza de que seu governo é um sucesso.

Lula comete dois erros primários. O primeiro é acreditar que pode vencer o pleito do próximo ano facilmente. É certo que como Chefe de Estado e de Governo, com o controle da máquina pública nas mãos, este trabalho fica mais fácil, entretanto, entrar em uma disputa sentindo o gosto da vitória é o primeiro passo para a derrota. Lula é um nome forte para a sucessão de 2006, entretanto, não é imbatível. Se o primeiro pecado político de Lula visando sua reeleição é a falta de humildade, o segundo se chama PMDB.

Parece que os anos de sindicalismo ensinaram o Presidente a transitar e movimentar uma oposição, que mesmo sem propostas claras e definidas, realizava um trabalho de embate sistemático a qualquer que fosse o governo instalado no Palácio do Planalto. Entretanto, o exercício do poder não ensinou a Lula as lides e meandros da articulação política eficaz e da gestão pública eficiente. Aqui, contudo, nos focaremos na falta de visão e articulação política do principal fio condutor do processo sucessório, o próprio presidente Lula.

Ao Presidente falta articulação política, e tal inépcia leva o governo a uma situação delicada. Desde a metafórica queda de José Dirceu, após o escândalo Waldomiro Diniz, o governo ainda não achou seu maestro político. Por mais que se discorde das idéias do Chefe da Casa Civil, enquanto este esteve a frente da articulação, o governo seguia um rumo, que podia ser equivocado, mas seguia para algum lugar. Hoje, por culpa do próprio Presidente, sem um maestro na condução da orquestra ou com um mastro sem batuta, o Planalto viu sua base se esfacelar no Congresso, se tornou refém de grupos políticos e, como se não fosse o bastante, entregou a eleição da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em uma badeja de prata para a oposição, que agora faz o Planalto se humilhar a cada votação e derrota no Parlamento. O problema do governo é político.

Atualmente, o presidente enxerga no PMDB sua tábua de salvação, pois acredita que com a indicação de um vice deste partido teria duplo significado: levaria o PT aos grotões não alcançados nas eleições municipais de 2004 e lançaria as fortificações de uma sustentável base governista para um eventual segundo mandato do presidente Lula. Dois equívocos políticos, se me permitem os articuladores governistas. O PMDB, sempre cortejado, não é um partido, mas uma agremiação de diversos grupos, incapazes de uma unidade partidária que forneça sustentação a qualquer governo, podendo se esfacelar na primeira curva. Avizinham-se aí problemas para a construção de alianças estaduais durante a campanha e dificuldade na arena da governabilidade após a posse. José Serra cometeu este erro enquanto candidato. José Sarney sentiu o mesmo enquanto Presidente.

Somente dois partidos chegam aos grotões: PMDB e PFL. Entretanto, esquecem-se os petistas que somente um candidato chega a todos esses lugares: o presidente Lula.

O PSDB parece ter aprendido a lição, sabendo que sua aliança deve ser com o PFL, o único partido que chega aos grotões do Brasil e tem disciplina e unidade suficiente para acertar as bases para as eleições e fornecer uma eficiente base governista parlamentar. A chapa da oposição pode se desenhar com o governador paulista Alckmin e o deputado baiano Aleluia, os senadores Jereissati e Tuma, podendo o prefeito César Maia ainda ser uma opção de unidade dentro do PFL.

O PMDB sozinho na disputa pode pender para os dois lados. Pode se tornar o coadjuvante de uma disputa polarizada ou pode se tornar a terceira-via do embate PSDB/PFL e PT. Nesse vácuo que pode ser abrir, se enquadra como potencial candidato o governador gaúcho Germano Rigotto. Entretanto, se o vácuo precisar ser aberto, isto será uma tarefa para o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho.

De qualquer forma, vale lembrar do mais importante: o mais forte candidato ainda é o Presidente Lula, e somente ele e o PT podem fazer com que esta eleição seja perdida pelo atual inquilino da Granja do Torto. O problema é que lembrando a desenvoltura política mostrada pelo seu grupo até o momento, isto não é impossível. Resta a oposição mostrar um mínimo de competência.

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:15
Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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