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09 Mai 2005

O Veneno do Socialismo

Escrito por 

O veneno socialista se esparrama por todos os cantos e me enfurece mais quando está travestido de bondade e de sapiência, especialmente quando o veículo de inoculação é a pena de um ancião erudito, reconhecido pela sua cultura.

O veneno socialista se esparrama por todos os cantos e me enfurece mais quando está travestido de bondade e de sapiência, especialmente quando o veículo de inoculação é a pena de um ancião erudito, reconhecido pela sua cultura. Refiro-me, ainda uma vez, ao ilustre Miguel Reale, que no artigo publicado no Estadão de hoje (“A convergência das ideologias") usa magistralmente da retórica para enganar os leitores, especialmente aqueles mais jovens, que não puderam ainda adquirir armas intelectuais de defesa, sólidas o bastante para perceberem dentro do retórico a mentira embutida.

O autor repudia igualmente o marxismo ortodoxo e seu contra-ponto, o liberalismo clássico, apresentando um tentador meio-termo que é ele mesmo o veneno gramsciano aprendido do mestre italiano Norberto Bobbio. Em questões princípios não é possível fazer concessão. Qualquer filósofo bem intencionado sabe que argüir a questão da igualdade na ordem política e econômica, que não a igualdade jurídica de todos diante da lei, é um sofisma evidente e uma realidade que jamais existiu e dificilmente existirá. É precisamente isso que faz o vetusto Reale, ao escrever que “Nesse quadro econômico-social, perdia sentido a pregação da idéia revolucionárias (eterna ameaça dos centristas contra os liberais clássicos – NC), também está obrigada a alterar-se para fazer face ao novo valor adquirido pelos prestadores de serviços num sistema de produção caracterizado pelo processo eletrônico e pela informática”. Não sei bem o que essas novas tecnologias têm a ver com as relações de produção, cuja natureza nunca mudou, mas têm evidente apelo retórico aos jovens.

Ele conclui a sua mensagem venenosa: “É claro que, com isso, não desapareceriam as desigualdades e exclusões sociais, mas o superamento destas exigia novas soluções teóricas e novas medidas práticas, que o ‘socialismo real’ estava longe de fazer”. Evidente que há aqui a falsa premissa de que desigualdades poderiam desaparecer e que uma tentativa arbitrária nesse sentido não geraria o seu oposto, agravando as ditas desigualdades.

O velho jurista descreve supostos fatos, que carecem de demonstração, a exemplo do que podemos ler: “Por outro lado, percebeu a maioria dos donos do capital que esse não podia mais resolver seus problemas com base só na livre concorrência ou nos valores do mercado, sendo necessário reconhecer que as novas formas de produção exigiam melhor compreensão do valor de seus parceiros laboristas, bem como a interferência cada vez maior do Estado em sentido crescente de assistência social”. Parece que o professor Reale foi o pedagogo dos nossos banqueiros e da grande burguesia em geral, pois carregam um sentimento de culpa inexplicável  e apóiam, com votos, dinheiro e influência os mais radicais comunistas, que não hesitariam em levá-los ao paredão em algum momento revolucionário.

[A maioria dos donos do capital é uma massa de ignorantes que mal dá conta de seus próprios negócios, não tendo tempo para ler nada além de literatura técnica e manuais de auto-ajuda. São, via de regra, uns otários intelectuais, que se deixam enganar por qualquer um que lhe venha com propostas politicamente corretas e com o verniz do combate às supostas desigualdades. As ONGs comunistas nadam em dinheiro farto desses coitados, vítimas de sua própria ignorância. Especialmente no Brasil a plutocracia perdeu o instinto de sobrevivência, algo lastimável. Aqui vale a máxima do quanto mais rico, mais burro. O lamentável é que, sem uma elite para conduzir conscientemente as massas, cria-se o potencial do caos revolucionário. Isso, Reale sabe e muito bem].

Nessa última frase citada o jurista fez, a um só tempo, uma apologia ao Estado “grande” e um ataque aos valores liberais supremos. O irônico é que Reale é tido por seus seguidores como alguém de tendências liberais. É mais do que evidente que isso é um grande equívoco. Ele é um companheiro de viagem da comunalha.

O restante do artigo é um repetir das mesmas teses, uma apologia a um suposto social-liberalismo ou socialismo liberal, expressões tidas como sinônimas pelo autor. Jogo de palavras não esconde que esse tipo de postura só alimenta o inimigo da civilização e esta só se manterá enquanto a economia de mercado, ainda que atacada de todas as formas, se mantiver de pé.

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:16
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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