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08 Mai 2005

A Tentação Imperialista do Governo Lula

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Os atritos entre Brasil e Argentina, que se existem de longa data vêm se acentuando ultimamente, na verdade refletem a tentação imperialista do governo Lula.

Os atritos entre Brasil e Argentina, que se existem de longa data vêm se acentuando ultimamente, na verdade refletem a tentação imperialista do governo Lula. Nossa diplomacia tem interferido nas crises de governos latino-americanos de forma isolada, auxiliado e defendido o ditador Fidel Castro e o falso democrata Hugo Chávez, distribuído fartamente recursos do BNDES. Esvai-se assim nossa grandeza, nossa verdadeira vocação continental, nossos ideais de justiça e harmonia entre os povos.

Aparentemente, a meta é o fortalecimento do natimorto Mercosul. Conta também e muito a campanha pelo almejado assento no Conselho de Segurança da ONU. E enquanto prosseguem os acessos de megalomania do Itamaraty, propaganda interna intensiva utiliza o nacionalismo como elemento reforçador da reeleição do presidente Luiz Inácio, supostamente apontado como líder mundial. Um líder, diga-se de passagem, com acentuada inclinação terceiro-mundista e antiamericanista, admirador de ditadores e portador de uma retórica messiânica de defesa dos pobres que muito agrada aos que cultivam a mentalidade do atraso.

No seu afã de mudar a geografia política mundial, os chanceleres Celso Amorim, seu sub, Samuel Pinheiro Guimarães, Marco Aurélio Garcia e José Dirceu, alternando arrogância com fachada de bom-mocismo agem como se os interesses brasileiros fossem universais. Não se leva em consideração necessidades e aspirações de outras nações que nem sempre coincidem com as nossas.

Por conta dessa atitude começam a surgir de forma inevitável alguns atritos, como os verificados com a Argentina. Assim, o governo argentino critica a Comunidade Sul-Americana de Nações e insiste que em vez de se investir nesse organismo é prioritário combater as assimetrias econômicas existentes entre os países do Mercosul; cobra do Brasil negociações bilaterais; critica a atuação brasileira na crise do Equador sem o respaldo da OEA (Organização dos Estados Americanos); insurge-se contra a desmedida ambição do nosso país, pois segundo a imprensa Argentina, o presidente Néstor Kirchner teria dito: “Se há um lugar na OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil quer; se há um lugar na ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil quer; se há um lugar na FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), o Brasil quer. Até o papa eles quiseram eleger”.

Portanto, por a culpa no futebol ou no despeito dos argentinos para explicar opiniões e atitudes de seu governo, seria excesso de simplificação. E os argumentos do governo brasileiro e do Itamaraty, baseados em conceitos como os de liderança natural do Brasil e de potência média, na verdade escondem a tentação imperialista brasileira que, no mundo globalizado vai a reboque de ambições imperialistas bem mais amplas e complexas como, por exemplo, as da China.

Na realidade o governo Lula, que tem amargado derrotas internas – como as havidas nas eleições municipais, na presidência da Câmara dos Deputados, em votações no Congresso como na escolha para o Conselho Nacional de Justiça e para o Conselho Nacional do Ministério Público – perdeu nos Estados Unidos quando Bush se saiu vitorioso sobre Kerry; perdeu a presidência da OMC, perdeu na Inglaterra com a eleição de Tony Blair para seu terceiro mandato. Apenas com a vitória do primeiro-ministro espanhol, Zapatero, o socialista que fez acordo com Bin Laden, o Brasil se sentiu triunfante.

Evidentemente, as constantes viagens do presidente Luiz Inácio têm lhe surtido grande visibilidade. Provavelmente por isso, a pesquisa Barômetro Ibero-americano de Governabilidade, divulgada em 1 de maio pelo diário colombiano El Tiempo, apontou Luiz Inácio juntamente com Hugo Chávez e Fidel Castro como os principais líderes latino-americanos. Sem dúvida um resultado que indica não só a capacidade de acesso à mídia que os três possuem, como o tipo de mentalidade latino-americana que, sobretudo entre as camadas mais pobres da população é sensível à retórica de líderes populistas, ao apelo dos caudilhos, às atitudes paternalistas estatais.

 Internamente, porém, a mesma pesquisa indica que a aprovação do governo Luiz Inácio, entre agosto de 2003 e maio de 2005, caiu 16 pontos, de 66% para 50%, o que equivale à 13ª posição do nosso presidente entre os 18 líderes regionais.

Ao observar tropeços e equívocos do atual governo, chega-se de fato à conclusão que o “melhor do Brasil é o brasileiro”, mas que o pior do país é seu governo. É preciso dar um basta na mentalidade do atraso e para isso existe um instrumento precioso chamado voto. Em 2006 poderemos usá-lo, afinal, “brasileiro não desiste nunca”.

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:16
Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

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