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03 Set 2020

D. PEDRO I, O FUNDADOR DA NACIONALIDADE BRASILEIRA

Escrito por 

POR: AILEDA DE MATTOS OLIVEIRA                                                                                      

D. Pedro I era português, mas pelas ações dele com a cooperação ativa de D. Maria Leopoldina de Áustria, sua primeira esposa, fez o que muitos brasileiros, nunca fizeram, e, ainda, não fazem: lutar pelo Brasil.

 

A palavra "nacionalidade" provém de "nação", logo, é preciso que haja a palavra primitiva para que seja formada a palavra derivada a ela relacionada. No entanto, acostumamo-nos a ler, nas obras de antigos e renomados historiadores, a repetição do mesmo cantochão de que "os jesuítas foram os fundadores da nacionalidade brasileira".

Como aceitar essa proeza, se o Brasil era Colônia durante a dominação político-religiosa desses padres e continuava sendo ao serem expulsos, pelo Marquês de Pombal, do território do qual já se sentiam donos? Impossível a existência de uma Nação-Colônia ou de uma Colônia-Nação, por significarem situações políticas incompatíveis, mesmo considerando o fato de que o Brasil já nasceu sob o signo do "inusitado".

A nacionalidade brasileira foi-nos legada por quem bravamente lutou por ela, e não por batinas interessados nos engenhos de açúcar e fazer do território meio de barganha com os holandeses, além de dominar os índios por meio de um dialeto artificial, criado e gramaticalizado por José de Anchieta: a "Língua Geral".

D. Pedro I era português, mas pelas ações dele com a cooperação ativa de D. Maria Leopoldina de Áustria, sua primeira esposa, fez o que muitos brasileiros, nunca fizeram, e, ainda, não fazem: lutar pelo Brasil.

Costuma-se falar que D. João VI, ao deixar a Colônia, levou as nossas riquezas, ajaezando portais das bibliotecas portuguesas e decorando os monumentos de Portugal com o ouro levado do Brasil. Ele era um colonizador e, como tal, não foi exceção à regra, mas, apesar de tudo, muitas instituições que existem até hoje, foram por ele legadas. O que dizer, então, do governante brasileiro que, em pleno regime republicano, apoderou-se do erário e levou para casa o acervo do Palácio do Planalto, em onze caminhões, e continua viajando com o seu "caso" de ocasião, à custa do dinheiro do contribuinte?

Se hoje podemos chamar o Brasil de "Nação", devemos àquele que se tornou o Primeiro Imperador do Brasil, no dia Sete de Setembro de 1822, e fez surgir, pela nova situação adquirida, a palavra "nacionalidade". Serão duzentos anos a serem comemorados (assim esperamos), em 2022.

O que não podemos admitir é que, nestes 198 anos, após conquistarmos a nossa Independência, uma instituição do Estado, altamente desmoralizada, que apoia e legitima todos os atos negativos dos políticos e da parte decomposta e violenta da sociedade, venha impor à grande parcela consciente da Nação as suas criminosas decisões.

A Independência de um País não pode ser sacrificada por causa de arbitrários artesãos do atraso, em troca de favores particulares, ideologicamente sacramentados.

Que esta data, Sete de Setembro, tão importante para o Brasil, marco da retirada da corrente da submissão à Corte Portuguesa, não se limite apenas ao desfile militar, mas se estenda em agradecimentos à atitude de um jovem Príncipe, que soube separar as suas aventuras amorosas das responsabilidades do Estado e para com o Estado.

A Autora é Dr.ª em Língua Portuguesa. Acadêmica Fundadora da Academia Brasileira de Defesa (ABD); Membro do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (CEBRES) e Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB), Articulista do Jornal Inconfidência.

Última modificação em Sábado, 19 Setembro 2020 19:15
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