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06 Set 2020

A VACINA CONTRA A COVID 19 É OBRIGATÓRIA?

Escrito por 

O pior é que um Zé Mané desses, que tem a cara de pau de propor uma loucura dessas, encontra adeptos por aí.

 

Meus amigos.

Novo tema para polêmica: vacinar contra o coronavírus deve ser obrigatório.

Um deputado federal apresentou projeto de lei que, sendo aprovado, obrigaria toda a população brasileira a ser vacinada contra a COVID 19.

O Presidente já se posicionou contrário a que se venha a obrigar o cidadão a se vacinar e, com isso, imediatamente, várias figuras que não perdem oportunidade para identificar circunstâncias que lhes permitam antagonizá-lo, vieram a público para transformar esse tema em mais uma frente de ataque.

Não tive como evitar me permitir ficar refletindo sobre o assunto e, aí, foram surgindo um sem número de pequenas questões que o tema, na hipótese absurda de que a obrigatoriedade prevaleça, deflagraria.

Antes de tudo, há precedente de que alguma vacina existente para a prevenção de quaisquer doenças que possa acometer um ser humano deva ser, obrigatoriamente, tomada? Qual? Em que lugar do mundo isso ocorre?

Na sequência fiquei imaginando: como essa obrigatoriedade seria implantada e seu cumprimento fiscalizado?

Pelo que se noticiou, o pobre coitado do deputado prevê em seu projeto que aquele que não cumprir a determinação de se vacinar deverá ser multado.

Aí, fiquei pensando como isso seria verificado. Acredito que, logicamente o cumprimento da lei se faria pelo registro em uma carteirinha de vacinação, dessas que já se usa para registrar a vacinação contra a gripe H1N1, por exemplo. O cidadão se vacina e o funcionário do posto de saúde carimba sua carteirinha.

Naturalmente, isso não seria bastante, para garantir o cumprimento da lei. Assim, ter-se-ia que criar oportunidades de checagem desse cumprimento.

Ah! Não seria difícil. Por exemplo, bastaria que se definisse que, a partir da aprovação da referida lei, todos os brasileiros, como já devem, no dia-a-dia, portar um documento de identidade, teriam que, igualmente, carregar consigo, sua carteirinha de vacinação.

Pronto. Resolvido. Assim quando ele fosse acessar qualquer espaço onde possa haver qualquer tipo de aglomeração, ao entrar, na porta, deveria apresentar ao “fiscal” que teria, ali, sido postado, sua carteirinha devidamente carimbada.

Vai entrar no mercado, no cinema, no banco, na padaria, no shopping, na farmácia, carteirinha em punho.

Vai passear com a família no parque, na praia, no jardim zoológico (é, afinal, temos que proteger os animais também), carteirinha de toda a família na mão.

Caso, na hora de entrar no cinema, o cidadão descubra que a namorada esqueceu a carteirinha, ter-se-ia duas alternativas: deixa a noiva de fora, assiste o filme e depois conta para ela, ou, num gesto admirável de amor, perde o dinheiro dos bilhetes comprados e volta para casa junto com ele, sem repreendê-la, pelo esquecimento.

Como se cobraria a multa, quando se constatasse o desrespeito à lei? Em espécie?

Quase ninguém, hoje em dia anda com dinheiro. Quase tudo é pago com cartão.

Tudo bem. É fácil solucionar o problema. Todos os fiscais encarregados dessa conferência carregariam consigo uma maquininha dessas que todas as lojas têm.

De pronto, surge uma grande vantagem da aprovação da lei. A criação de milhares de empregos.

Todo mercado, todo o cinema, todos os espaços geradores de aglomeração teriam que ter um funcionário na entrada para verificar o preenchimento da carteirinha. No caso de cinemas, talvez se pudesse flexibilizar a lei, admitindo que o bilheteiro na entrada acumulasse o serviço, verificando o bilhete de entrada e o preenchimento da carteirinha. Claro, desde que o seu salário fosse aumentado. Afinal, quando foi contratado, sua obrigação não incluía esse encargo.

Outra consequência que se pode prever é a criação de mais um sindicato. O sindicato dos profissionais fiscalizadores da carteirinha de vacinação da COVID 19.

Só um problema gera apreensão, compreensivelmente. É que, sem dúvida, iriam surgir aqueles que se especializariam em adulterar as carteirinhas, criando carimbos ou assinaturas falsas que possibilitassem que, aqueles, “maus brasileiros” que quisessem burlar a nova lei, pudessem circular “irresponsavelmente” por aí, sem serem incomodados pelos briosos novos fiscais.

Talvez se devesse criar uma nova função: a dos fiscais de possível adulteração das carteirinhas. Mais empregos.

Ih! Talvez se criasse mais uma fonte de propina. Para não denunciar que identificou uma carteirinha adulterada, talvez um ou outro fiscal, mal-intencionado, aceitasse algum trocado. É, há que se admitir essa possibilidade, mas isso não chega a ser um empecilho à aprovação da lei, já que é de conhecimento público que uma infinidade de fiscais nas mais diversas áreas da administração pública são especialistas nesse mister e por valores astronômicos. Penso que não chegaria a abalar a economia do país.

O pior é que um Zé Mané desses, que tem a cara de pau de propor uma loucura dessas, encontra adeptos por aí.

Última modificação em Domingo, 06 Setembro 2020 10:21
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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