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29 Ago 2020

LITURGIA DO CARGO

Escrito por 

 

“Prefiro um Presidente boca suja, mas ficha limpa”.

 

 

Meus amigos

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.

Esse ditado popular, parece representar no ambiente político, hoje, no Brasil, o esforço desesperado, incansável, obstinado que é conduzido pelos adversários do atual Presidente da República, na esperança de apeá-lo do cargo.

Inconformados com a derrota inesperada e constrangedora sofrida nas últimas eleições e angustiados por terem perdido a possibilidade de continuar se locupletando das riquezas produzidas pela sociedade, das quais, até então, eram, direta ou indiretamente beneficiários, lutam diuturnamente para identificar argumentos, teses, que possam produzir no imaginário coletivo da sociedade, a constatação de que o primeiro mandatário do país, precisa urgentemente ser afastado do cargo.

Consciente de que a população não é cúmplice das suas intenções e constatando que a popularidade do presidente não recua a despeito de seus permanentes esforços, a cada dia identificam uma nova frente de ataque, agarrados à expectativa que alguma delas renda os frutos desejados.

Dentre as inúmeras tentativas, de tempos em tempos, reapresentam a tese de que o Presidente não respeita a “liturgia do cargo”. O seu comportamento emocional é visto como uma brecha significativa para que seja atacado.

A estratégia é simples. Alguém é encarregado de provocá-lo, com uma pergunta, ou afirmação que, aprioristicamente, se imagina que vá irritá-lo. Havendo a reação agressiva, ou grosseira, ela é registrada e a imprensa, conivente com os propósitos que justificam a iniciativa, se encarrega, na sequência, de dar a maior visibilidade possível ao fato, cabendo aos locutores agregar a emocionalidades necessária, quando da divulgação da informação do ocorrido, de forma a se imaginar que, assim procedendo, se irá conquistar novos adeptos à intenção de buscar o afastamento do Presidente, ou, na pior das hipóteses, ampliar o esforço de asfixiá-lo funcionalmente.

A tese é de que o Presidente não respeita a liturgia do cargo que ocupa, que segundo seus detratores, exigiria mais equilíbrio, serenidade, paciência diante das adversidades, comportamento que sugeriria respeito aos que dele pensam diversamente.

Interessante como, segundo o ditado popular, aqui ou acolá, se percebe aqueles que se sensibilizam com a argumentação.

Não têm se dado conta os que se empenham em criar circunstâncias que lhes pareça colaborar com a tese, que o atual Presidente foi guindado ao seu cargo pela maioria da população, exatamente, pela exteriorização do seu comportamento autêntico, desnudo de firulas falsas, estudadas, de simulada educação no trato.

Seus adversários não entenderam, ainda, que a compreensão da população sobre o significado de respeito à liturgia do cargo não se circunscreve, em hipótese alguma, a manifestações de finura de trato, daquelas que exteriorizem formação acadêmica nos mais altos níveis, capacidade de relacionamento internacional em diversos idiomas, e coisas que tais.

O respeito à liturgia do cargo é visto, hoje, pelo povo brasileiro, no comportamento honesto no trato da coisa pública, pela adoção de medidas que exteriorizem a compreensão das demandas mais importantes das camadas desassistidas da população, pelo esforço em reduzir ao máximo as iniciativas assentadas em corrupção no trato da coisa pública, no abominável esforço de obtenção de benefícios pessoais, no exercício de cargos públicos.

O fato concreto de ter o atual Presidente sido precedido por ocupantes do cargo que poderiam ser qualificados como, em alguns casos cidadãos que primavam pela educação social, por uma aparente prudência e elegância ao se expressar, numa formação acadêmica invejável e, noutros casos, por discursos populistas vazios e desacompanhados de ações concretas que materializassem esses discursos, parece ter produzido a capacidade de parcela significativa da população em identificar o engodo, até porque essas administrações acabaram, em razão da desconexão entre discurso e práxis, a levar o país a um quadro dramático de quase insolvência financeira, escândalos de corrupção jamais vistos e  desemprego a um universo imenso de brasileiros

O comportamento da população de apoio ao atual Presidente parece querer deixar claro que os brasileiros do hoje preferem um primeiro mandatário que possa ser acusado de agressivo no trato, que pode até se valer de palavras chulas em algumas circunstâncias, mas que se mostra devotado em ir ao encontro da busca de solução para os problemas mais críticos da população, da satisfação de suas necessidades mais prementes, e que não permita desvios de recursos financeiros para atender a demandas políticas e de políticos.

É assim que o povo brasileiro, hoje, entende o que seja respeito à liturgia do cargo, que tem sido sintetizada no que poderá se constituir em novo ditado popular para o futuro;
“Prefiro um Presidente boca suja, mas ficha limpa”.

Última modificação em Quarta, 09 Setembro 2020 13:09
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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