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22 Ago 2020

ESTELIONATO ELEITORAL COISA NENHUMA

Escrito por 

Ora, essa narrativa ridícula dos que fazem oposição ao governo não se sustenta diante da reflexão mais elementar.

 

Meus amigos.

Alguns estudiosos justificam que o fato do Brasil não ter sido fragmentado durante o seu período como Colônia, da mesma maneira do que ocorreu na América espanhola, se deveu à forma como Portugal conduziu à administração do espaço conquistado.

Tentando explicar de forma superficial essa avaliação, poder-se-ia registrar que, ao estabelecer uma gestão centralizada da administração da Colônia, teria gerado incapacidade financeira, para que as diversas regiões fossem capazes de dar solução aos seus problemas, satisfazer suas necessidades, ficando na contingência de ir buscar nas autoridades que conduziam a administração central os recursos indispensáveis à consecução das iniciativas desejadas de serem implementadas nos seus espaços físicos.

Em cada província, ao responsável maior pela administração dos recursos ali gerados, cabia assegurar a drenagem de, pelo menos, parcela das riquezas enviadas a sede que centralizava a gestão dessas riquezas com o propósito de fazê-las chegar ao reino.

Uma das decorrências dessa estratégia, segundo esses estudiosos, foi o surgimento progressivo de lideranças regionais que, por circunstâncias diversas, conquistavam a capacidade de se constituírem em interlocutores dos gestores centrais e capazes de trazer de volta para suas regiões parcela dos recursos ali gerados, visando dar solução aos problemas locais, atender às demandas das suas regiões.

Assim, segundo aqueles que se dedicaram a estudar a formação da nacionalidade brasileira, teriam surgidos os “coronéis” no nordeste do país e os “caudilhos” no sul.

Essa realidade se manteve no tempo, produzindo uma relação de dependência entre as populações das diversas áreas do país e os “caciques” das famílias que politicamente as dominava.

Assim, teria surgido, particularmente nas regiões menos desenvolvidas do país, uma visão distorcida de como deveria se dar a relação entre a população em geral e esses líderes regionais. O apoio popular a esse ou aquele líder político se dava com base na expectativa de que dele se recebesse uma manifestação de “caridade” com a solução de qualquer benefício para a comunidade.

O cidadão comum, ao invés de compreender que, no desempenho das responsabilidades do cargo que ocupava, o político estava simplesmente cumprindo suas obrigações como servidor público, empregado do povo, acreditava, sim, que estaria, por “caridade”, dando solução aos problemas existentes naquela região, pelo que todos lhe deveriam ser gratos.

A decorrência natural dessa realidade é a de que, aos caciques regionais passou a ser extremamente interessante manter a população, que dele acreditava depender, na ignorância dos seus direitos e, permanentemente, esperando suas manifestações de caridade, na medida em que, assim sendo, se eternizavam nos espaços políticos conquistados.

Durante os governos de esquerda que, nas últimas décadas se refestelaram nos espaços de poder, com isso se locupletando indecentemente de todo tipo de benesse possível, essa cultura alienante da população mais humilde e desinformada, particularmente no nordeste do país, foi travestida de “política de assistência social”, “enfretamento da pobreza” e outros rótulos que pretendiam mascarar seus reais propósitos.

Com a ocupação do poder por defensores de uma visão política alicerçada numa proposta conservadora nos costumes e liberal na economia, como consequência de uma postura legítima da população brasileira de clara demonstração de inconformidade com as práticas anteriores, o desespero dos derrotados pela consequente perda das desonestas vantagens até então auferidas, gerou um esforço angustiado de busca de ‘desconstrução” (como é usual referir-se, hoje) da imagem do responsável maior pela guinada política ocorrida, o Presidente da República.

Recentemente, a despeito de todas as iniciativas dos perdedores, nas mais diferentes frentes de atuação intentadas, se viram na frustrante constatação do aumento sólido e significativo dos índices de aprovação da atuação gerencial do Presidente, medido por empresas de pesquisa, cujo passado sugerem não demonstrarem grande simpatia pelos caminhos adotados pelo atual governo federal, o que determina que os resultados dessas pesquisas, com certeza, não devem ser desacreditados.

Inacreditavelmente, os opositores políticos do governo federal, inconformados com a atual realidade e, ainda, dentro do contexto inalterado de desacreditá-lo, iniciaram a divulgação de uma narrativa que qualifica esses resultados como decorrência de uma iniciativa que, segundo esses inconformados, materializaria “estelionato eleitoral”, ou seja, uma estratégia de comprar a adesão da população como decorrência da concessão de um abono emergencial, para viabilizar a sobrevivência da camada mais desassistida da população, da perda de receita desses brasileiros, em razão de terem perdido suas fontes de renda, resultado do isolamento social imposto por governadores e prefeitos como, segundo esses “governantes”, iniciativa de enfrentamento da pandemia do COVID -19.

Ora, essa narrativa ridícula dos que fazem oposição ao governo não se sustenta diante da reflexão mais elementar.

Primeiro, que a crise financeira enfrentada pela população é decorrência de decisão do STF (e aqui peço desculpas ao prezado leitor, por usar de palavrão nesse artigo, uma vez que aprendi com meus pais que não se deve usar palavrões em público), que impediu o Presidente da República de gerenciar as ações de enfrentamento da pandemia, delegando aos governadores e Prefeitos essa responsabilidade, tudo feito na expectativa de, engessando o governo federal, lhe gerar descrédito.

Segundo, porque a estratégia de impor “isolamento social” (#fiqueemcasa), disfarçada numa suposta orientação que se subordinava em avaliações científicas, na verdade, pareceu buscar promover uma crise financeira histórica que, na visão desses políticos irresponsáveis, determinaria uma revolta popular contra o governo federal.

Por terceiro argumento, cabe lembrar que o valor do auxílio emergencial foi definido pelo congresso, numa expectativa de que o bônus do processo lhe fosse atribuído, além de promover a debacle da saúde financeira do país.

Por fim, a visão pobre desses políticos de oposição e seus simpatizantes em diversas áreas, especialmente em parcela da mídia, continuavam baseando suas posições na suposição de que aqueles brasileiros mais humildes, menos letrados, de menor poder aquisitivo são idiotas, incapazes de fazerem análise da realidade, avaliação das ações de seus governantes e, por isso mesmo, facilmente manipuláveis. Negam-lhes a capacidade e o direito inalienável de definirem o que lhes é mais adequado, melhor para o seu futuro e de suas famílias.

Na verdade, o que ocorreu é que, dentro de todo esse quadro político lamentável, porque decorrente de ações nem um pouco decentes de homens públicos que, nas diversas esferas, são sustentados pela população para que, em seu interesse, balizem o desempenho que é inerente aos que ocupam seus cargos, o governo federal atuou diretamente junto às populações, até então, vítimas da ação nefasta desses maus brasileiros.

Ao aproximar-se diretamente dessa camada da população à beira do desespero, deixou claro quem estava solidário com as suas dificuldades, quem estava sensível e motivado para contribuir para que o pior fosse enfrentado e superado.

A decorrência foi que a população, que não é idiota, reagisse, registrando sua adesão à iniciativa de governo federal de colocar por terra os maus hábitos do passado.

Falar em estelionato eleitoral só mostra o distanciamento que a esquerda guarda da população, particularmente a mais humilde, mais necessitada, escancarando a vilania do seu discurso histórico de suposta “defesa dos oprimidos”

Estelionato eleitoral coisa nenhuma.

Vade retro Satana!

Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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