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04 Mai 2005

Dono de Boteco

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Lamentável para um país que seu líder máximo se comporte como se fosse dono de boteco. O Brasil deve ser um pouco mais importante, e seus problemas um pouco maiores, que os do boteco do “Zé”.

Um dos momentos mais prazerosos da vida, por certo, é encontrar com os amigos em um boteco, acompanhado por uma cervejinha e petiscos que, com certeza, vão incomodar o fígado. Nestas ocasiões é comum o “Zé”, o todo poderoso dono do boteco, se aproximar de uma mesa e iniciar sua verborragia. E nestas horas, sem ter a mínima culpa, o “Zé”, ignorante de pai e mãe, faz considerações sem nenhum sentido científico ou cultural, mas hilárias e que tornam aquele ambiente, de pura descontração, ainda mais animado. E o “Zé” tem todo o direito de agir desta maneira, pois ele se encontra dentro de sua propriedade, que é o boteco. Assim, todos os dias o boteco do “Zé” encontra-se cheio de amigos do “Zé” que para lá acorrem atrás de um bom papo-furado, de jogar conversa fora e ouvir os “causos” contados pelo “Zé”.

Desta maneira, e por esta razão, o “Zé” acaba sendo o centro das atenções do boteco. Afinal todos os seus clientes curtem sua total despreocupação com os acertos da língua portuguesa. Sua reconhecida falta de conhecimento de concordância verbal. Ou mesmo seu desconhecimento de história. Mas esses “problemas” são o que menos importam, pois todos estão ali, no boteco, para se divertir e esquecer os problemas do mundo real.

Recordo-me do “Zé” e seu boteco, todas as vezes que escuto o Sr. Luis Inácio da Silva se pronunciar. Sinto-me, ao ouvir o presidente da república discursar, no boteco do “Zé”. Enquanto o líder supremo do povo brasileiro estupra a língua portuguesa e chicotea a história ou outras ciências, seus ouvintes se deliciam com suas metáforas que buscam explicar assuntos “ligeiramente” mais importantes que os causos do “Zé”: economia, inflação, taxa Selic, desemprego, violência, entre outros “causos” palacianos. É de causar náuseas. Ainda mais quando se vê no rosto do presidente aquele indisfarçável sorriso de contentamento por mais uma explicação sobre, digamos, a diplomacia brasileira ou a ALCA através de pífias comparações com o seu “curíntians”. Afinal, Sr Luis Inácio é, como ele próprio admitiu em 08 de Março de 2004, no dia internacional da mulher, um “filho de uma mulher que nasceu analfabeta”.

E outra forte semelhança entre os pronunciamentos do presidente e as estórias do “Zé” é o comportamento das platéias. Tanto no boteco como nos suntuosos salões do Palácio do Planalto, bebedores de cerveja e políticos, empresários, ministros têm o mesmo comportamento: divertem-se com as palavras dos donos dos dois estabelecimentos: no primeiro caso, o boteco e, no segundo caso, o Brasil. Naturalmente que, por questão de justiça, devo afirmar que os bebedores de cerveja são realmente fiéis aos descompromissos semânticos ou culturais do “Zé”, ou seja, suas risadas advêm da alma.

Lamentável para um país que seu líder máximo se comporte como se fosse dono de boteco. O Brasil deve ser um pouco mais importante, e seus problemas um pouco maiores, que os do boteco do “Zé”.

E no final de mais um dia no boteco do “Zé” e no Palácio de Luis Inácio, todos os clientes saem rindo e comentando os causos metafóricos ouvidos. E o “Zé” e o Luis Inácio felizes por terem superado mais um dia de trabalho tendo divertido seus clientes.

Triste final de dia. Para o Brasil, é claro.

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:18
Alexandre Seixas

O Prof. Alexandre M. Seixas é formado em Direito pela PUC de Campinas, tendo realizado o curso de Aperfeiçoamento em Ciências Sociais, e Mestrado em Ciência Política na Unicamp. Realizou ainda os cursos de inglês, na Surrey Heath Adult Education Center, em Camberley, Inglaterra. É professor universitário com vinculação em Teoria Geral do Estado e Ciência Política.

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