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05 Ago 2020

AO SE COMPORTAR COMO MILITANTE POLÍTICO, UM BISPO, OU MESMO UM PADRE, ESTARÁ SENDO DESONESTO E IRRESPONSÁVEL

Escrito por 

Constantino, em 325 DC, com o Concílio de Niceia, ao adotar o cristianismo como religião de estado (o que foi referendado em 380 DC, por Teodósio I) apunhalou a cristicidade da mensagem do Cristo, por contaminá-la com todas as doenças inerentes à atividade política.

Meu amigo

Gostaria de convidá-lo a assistir o vídeo que é apresentado no seguinte endereço eletrônico: https://www.youtube.com/watch?v=D7BtQwneXt4 .

Caso a criança que estivesse no referido quintal tivesse dez ou doze anos, você acredita que ela iria se comportar da mesma forma? Acredito que você concorde que dificilmente isso aconteceria, não?

Por que não? Penso que parece claro que, aos dez anos, a criança terá compreensão dos riscos a que estaria sujeito ao brincar com um animal como aquele, ainda que não venenoso.

O que estou tentando explorar é que a vivência agrega referências. Quanto mais se vive, mais oportunidades de acumular experiências e ampliar seu universo de referências, de forma que seu comportamento, suas decisões se aprimorem.

As reflexões anteriores me permitem, agora, ressaltar a maldade de se explorar a inexperiência, a falta de vivência de um adolescente, para enganá-lo, manipulá-lo, induzi-lo a comportamentos e a aceitação de referências que, muito provavelmente, ele não teria, não assimilaria, caso as mesmas considerações lhes fossem apresentadas em outra fase da sua vida adulta.

Essa “maldade” tem sido perpetrada conscientemente, há algumas décadas, em todo o mundo, contra os jovens, pelos militantes de esquerda infiltrados em todas as áreas de sociedade, particularmente naquelas ditas sociais. No brasil não é diferente.

Governos, nos últimos tempos, têm iniciado o processo de alienação das nossas crianças e adolescentes desde muito cedo. Isto faz parte de um processo de pasteurizar as referências que embasarão seus comportamentos e decisões no futuro, de forma a ir construindo, progressivamente uma coletividade monocromática e, por isso mesmo, mais facilmente acordeirável (desculpe o neologismo). Tudo exatamente como proposto por Antonio Gramsci.

É dentro deste contexto que, há décadas, têm sido formados os religiosos, principalmente na religião católica.

Há teorias bastante consolidadas e aceitas pela coletividade acadêmica de que, para se destruir, no tempo, uma nação, é necessário que se ataque o que seria o tripé no qual se forma uma nacionalidade: seus valores, sua religião, suas forças armadas.

Não exige esforço ao prezado leitor, constatar o que tem ocorrido no Brasil, nas últimas décadas nessas áreas de nossa sociedade: uma pulverização dos credos religiosos; um ataque incessante e ininterrupto às forças armadas e propostas as mais absurdas de alterações, subversão dos valores sobre os quais se assentou a formação da nossa nacionalidade.

Gostaria de me concentrar, hoje, especificamente, na vertente religiosa do processo que batizo como verdadeiramente subversivo, ainda que, propositalmente, esse termo tenha sido desgastado no tempo e associado ao desvario de uma suposta teoria da conspiração.

Por diversas vezes, enquanto adolescente, em reuniões de família, tomei conhecimento de que algum adolescente conhecido estava indo para um seminário.

A reflexão natural que acabava vindo à tona era quanto à vocação do adolescente. Estaria ele se destinando a um seminário, porque sonhava em ser padre, dedicar sua vida a uma atividade religiosa de doação e caridade?

Na imensa maioria daquelas oportunidades, que, inclusive, em determinada situação, envolvia, parentes afastados, ouvi de meus pais que os seminários eram vistos por famílias mais carentes, como uma bela alternativa para que seus filhos pudessem ter acesso a um ensino de muito boa qualidade, praticamente sem custo.

Descobri naquela época que o fato do jovem realizar seus estudos em um seminário, não impunha em que, obrigatoriamente, assumisse o sacerdócio, com todos os desafios que lhe são inerentes. Ao final, ou mesmo antes da conclusão dos cursos, aquele que desejasse poderia desistir do seu propósito e retornar à sua vida anterior.

Todas estas considerações estão sendo registradas para concluir que compreendo, hoje, com a experiência que minha idade avançada me propiciou, que compreendo, lamento mas compreendo, o porquê de constatarmos o triste nível de contaminação que, hoje, impregna a Igreja Católica, especificamente no Brasil.

Um universo de adolescentes, cuja dimensão é de difícil definição, ao longo do tempo, ainda que não necessariamente vocacionado, por necessidade material, demandou seminários, na expectativa de conquistar um nível de formação acadêmica, de informação, de conhecimento, que não seria obtido em outra alternativa.

Parcela desse universo, por acomodação ou “motivação outra”, passou a integrar o universo de religiosos da instituição.

Não tenho, no momento, como identificar quando se iniciou o processo de lavagem cerebral levado a termo nos seminários católicos, mas acho que seria um excelente tema para um trabalho de mestrado, quiçá doutorado.

No entanto, penso que é perfeitamente compreensível como terá transcorrido.

Em determinado momento, a partir de decisão de um pequeno universo de líderes da igreja, talvez, até, a reboque de um movimento de origem no exterior, os “educadores” religiosos passaram a doutrinar seus alunos com “verdades” travestidas de considerações alicerçadas nos dogmas do catolicismo.

Parece fácil que se compreenda o grau de dependência que os “alunos” desses estabelecimentos guardavam em relação a seus preceptores.

Indivíduos (mesmo que não tão jovens) que ainda não tinham vivência suficiente para que tivessem construído referências que lhes assegurassem espírito crítico para analisar a pertinência das informações transmitidas, além de dependerem administrativamente da estrutura que os abrigava tenderiam, naturalmente a aceitar, incorporar às suas referências, as “verdades” que se lhes apresentassem.

Claro que, no tempo, este processo foi criando uma massa crítica de religiosos que se identificavam com um discurso que, engenhosamente apoiado nos textos bíblicos, explicava a realidade da sociedade dentro de uma perspectiva alinhada à “narrativa” (expressão do momento) consentânea com a peroração da esquerda.

Nesse nível dos principiantes, até se poderia admitir, que o despreparo intelectual, um quadro de desinformação prévia e uma compreensível predisposição de credulidade à honestidade dos seus superiores, gerou um universo de padres inoculados pelo germe da proposta de que lhes caberia defender os “fracos, oprimidos e explorados” pelos malvados que se locupletam impiedosamente dos bens materiais disponíveis na coletividade. A conhecida luta de classes, o eles (os maus) contra nós (os bons).

Aqui cabe um parêntese. Estou concluindo a releitura da vida de Paulo de Tarso (São Paulo), um dos mais de cinquenta livros de autoria de Huberto Rohden, talvez um dos mais importantes filósofos cristãos do século 20. Frei franciscano, catarinense, que realizou, praticamente toda a sua formação religiosa em Roma.

Seguidor inflexível do Cristo, Paulo insistiu sempre, em todas as circunstâncias, mesmo quando isso implicou em um custo físico pessoal, deixar absolutamente claro que a mensagem do Cristo era espiritual, ainda que compreendesse a necessidade de se ter em mente que não se pode apartar a realidade material em que o homem vive.

Ainda dentro do parêntese, cabe relembrar que Rohden colocou em várias de suas obras a mensagem de que “Pilatos, com sua omissão contribuiu para a morte de Jesus, o homem”, mas que “Constantino, em 325 DC, com o Concílio de Niceia, ao adotar o cristianismo como religião de estado (o que foi referendado em 380 DC, por Teodósio I) apunhalou a cristicidade da mensagem do Cristo, por contaminá-la com todas as doenças inerentes à atividade política”.

Essa contaminação que talvez tenha atingido seu pico perverso na Idade Média, perdura até os dias de hoje e tem justificado, especificamente no Brasil das últimas décadas, comportamentos, atitudes, manifestações as mais deploráveis de religiosos católicos.

Fechado o parêntese e para encerrar a presente reflexão, cabe que se registre que, ainda que se possa, numa postura de grande condescendência, admitir que no início do processo de subversão dos postulados básicos da Igreja Católica no Brasil, os primeiros acumpliciados ao discurso da esquerda, dissimulado como mensagem divina, possam ter sido inocentes úteis, não há como se aceitar que, a essa altura do momento histórico da nação brasileira, os líderes da Igreja não tenham compreensão absolutamente perfeita das decorrências de seus comportamentos, atitudes e manifestações.

De homens cujas idades lhes asseguram vivência suficiente para terem construído todas as suas convicções a respeito da vida, consciência de suas responsabilidades pelos cargos que ocupam, compreensão total da repercussão de seus atos dentro e fora da instituição, conhecimento inquestionavelmente absoluto da mensagem do Cristo que lhes cabe difundir, defender a fidelidade de seu acatamento e cumprimento, ciência total de que, ao se imiscuírem na vida política do país, afrontam de forma revoltante o que deles se espera como mensageiros do Cristo, não se pode imaginar que possam individual ou coletivamente, agir de forma irrefletida.

Por tudo isso, buscando justificar o título desse artigo, há que se concluir que, quando um bispo e mesmo um padre de mais idade, se comporta como militante político, reeditando narrativas de representantes de partidos políticos, com o fim específico de gerar instabilidade política ao governo eleito democraticamente pela maioria da população, inclusive os que integram o universo de seu rebanho, não há como não se lamentar profundamente e afirmar que estão sendo desonestos e irresponsáveis.

Desonestos porque disfarçados de representantes da mensagem do Cristo, detentores de uma pretensa autoridade que lhes teria sido atribuída pela Instituição Igreja Católica, se comportam em direção diametralmente oposta, ao invés de, como bons pastores, “apascentar seu rebanho”, inocularem na coletividade o germe da discórdia, da desarmonia.

Irresponsáveis porque desconsideram (o que não podem alegar desconhecer) o malefício que causam no universo católico, gerando uma inaceitável divisão na unicidade da Igreja.

É fácil compreender o porquê de a Igreja estar perdendo substância progressiva, assistindo seus seguidores migrarem para outras religiões e seitas, muito provavelmente em busca de honestidade, responsabilidade e coerência dos seus responsáveis maiores.

Gostaria de concluir asseverando que sou católico praticante.

Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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