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28 Jul 2020

VOX POPULI VOX DEI: AS FORÇAS ARMADAS, QUE A IMPRENSA CRITICA, SÃO APROVADAS PELOS BRASILEIROS

Escrito por 

POR: IRAPUAN COSTA JUNIOR                                                                                                                  

No Brasil os esforços para manchar as Forças Armadas nunca deram resultado, apesar da insistência “socialista”. Os militares têm papel exemplar ao longo de toda história.

 

“Vox populi vox Dei”. Um ditado só sobrevive por dois mil anos se exaustivamente testado em seu significado e sua veracidade. É o caso do velho e surrado “a voz do povo é a voz de Deus” que intitula este opúsculo. Tito Lívio (59 a.C.-17 d.C.), em sua “História de Roma”, há vinte séculos, já o transcrevia.

Ele vem a este artigo a propósito de acontecimentos recentes (e outros não tão recentes) envolvendo as Forças Armadas, em particular o Exército brasileiro. Vamos aos fatos recentes, da semana passada. Três deles nos chamam a atenção.

1

O primeiro diz respeito à desnecessária celeuma que faz a “Imprensa Tradicional”, para não dizer “Imprensa Esquerdista de Oposição” sobre a presença de um general, de impecável carreira por sinal, à frente do Ministério da Saúde. Celeuma inútil, diga-se de passagem, pois não se tem, no Brasil, cenário mais grave neste momento de pandemia, do que nas nações mais adiantadas do Globo. Os números de infectados e mortos aqui são grandes, porque grande é nossa população, não porque haja imperícia ou descaso do ministério. E os que combatem a presença do general Eduardo Pazuello à frente do Ministério da Saúde não o fazem porque esteja dirigindo mal a pasta, mas porque é general, e tem auxiliares militares. Diga-se, a bem da verdade, que as confusões e falhas do ministério, de autoria de antecessores, cessaram desde que ele tomou posse como ministro interino. Um exame do noticiário da imprensa, nas entrelinhas, mostra que as redações de esquerda visam mesmo é atingir o Exército brasileiro. Não nos esqueçamos que essas mesmas redações que apregoam, com boa dose de cinismo, que não é apropriado um general na Saúde, aplaudiam, pouco tempo atrás, a presença na mesma pasta, de um político socialista, suspeito de negociatas, e que por sinal, na semana passada, foi denunciado pela descoberta de muitos milhões de inexplicáveis dólares em conta sua em um paraíso fiscal — o senador José Serra (PSDB).

2

O segundo acontecido foi uma declaração, por todos os ângulos infeliz, do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes de que o Exército se acumpliciava de um genocídio em terras brasileiras, referindo-se aos mortos da pandemia. Prontamente contestado pelo vice-presidente, pelo ministro da Defesa e pelos comandantes das três forças, Gilmar Mendes não sabe como se explicar, em seu absurdo. Mas as redações se deliciam. Afinal, é um ataque às Forças Armadas, e é preciso destacá-lo ao máximo, dando uma inusitada cobertura ao magistrado, que nunca foi um querido dessas redações.

3

Em terceiro, a imprensa fez enorme alarde sobre uma declaração do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU). Relatou o ministro que o número de militares no governo Bolsonaro havia dobrado, o que poderia significar desvirtuamento de função nas Forças Armadas. Meu primeiro comentário é de que Bruno Dantas é uma espécie de afilhado de ninguém menos que … Renan Calheiros. Depois, o de que, olhando de perto, os números citados são os seguintes: serviam, no Executivo federal, 2.765 militares. Com a entrada de Bolsonaro, foram convocados mais 3.400. São hoje 6.157 (da ativa e da reserva). Ora, as Forças Armadas são compostas de cerca de 350.000 militares ativos e 1.300.000 reservistas. O que significa prestarem serviço ao Executivo menos de 2% dos ativos e menos de 0,4 % do total. Risível, falar de desvirtuamento. Fake news, para usar termo da moda. E mais importante: essa mesma imprensa (e também o TCU) julgou normais as nomeações políticas feitas por José Dirceu de 60.000 petistas, na maioria indolentes ou incompetentes, para cargos em comissão no governo Lula. Como não achou estranho o inchaço promovido por Dilma Rousseff no Ministério da Educação, onde teria infiltrado quase 100.000 “companheiros”, em seus desgovernos.

Essas três e recentes batalhas são parte de uma guerra há muito declarada, desde que as Forças Armadas atenderam a um inegável apelo popular, em meio à Guerra Fria e diante de uma verdadeira balbúrdia da esquerda no governo João Goulart, que punha em risco nossa liberdade. A contrarrevolução de 1964 frustrou a geração das esquerdas brasileiras que já vislumbrava o poder. Por décadas, elas não se cansaram de chamar o movimento de golpe, tachar os militares de torturadores e alegar que combatiam pela democracia, quando foram elas que importaram as armas e as guerrilhas e que começaram uma luta armada, visando transformar o Brasil numa Cuba de dimensões continentais. A derrota das guerrilhas foi o segundo golpe que as esquerdas sofreram, no episódio revolucionário. Era o sonho cubano-brasileiro que se desvanecia de vez.

Quando os militares, de moto próprio, deixaram o poder, as esquerdas novamente se assanharam. E após o interregno Sarney-Collor-Itamar, elas finalmente chegaram ao governo, com Fernando Henrique Cardoso, e continuaram, com Lula da Silva e Dilma Rouseff. Mas era necessário, para essas esquerdas, ter cautela. Afinal, a grande maioria dos brasileiros é conservadora, anticomunista. E o comunismo ruía, com o Muro de Berlim e consequências. Mas como a “esquerda revolucionária” nunca desiste, surgiu o Foro de São Paulo, em 1990, e sua meta era “ganhar na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu”, agora não pelas armas, mas pela “revolução gramscista”. O sucesso inicial desse plano é conhecido por todos, bem como seu final desastrado e corrupto.

Havia ainda, quando as esquerdas chegaram ao governo, a lembrança da guerra interna pós 1964, que haviam perdido. Ansiavam por uma revanche, ainda que fosse no reescrever a história. Veio então um processo de tentar erodir as Forças Armadas. Peça importante foi a criação do Ministério da Defesa, por Fernando Henrique Cardoso, numa falsa alegação de modernidade política. O que se desejava era retirar da Marinha, do Exército e da Aeronáutica o status ministerial. Diminuir os militares. As Forças Armadas não contestaram, e continuaram, com o zelo de sempre, a cumprir sua missão constitucional.

Uma onda de acusações de golpismo em 1964, de torturas nos quarteis e execução de guerrilheiros, que havia tomado conta da imprensa e do Congresso, em 1986, continuava, e de certa forma continua até hoje. Se houve um certo cuidado na nomeação dos primeiros ministros da Defesa (Élcio Álvares, Geraldo Quintão, José Viegas, José Alencar), logo veriam os militares brasileiros a pasta que os comandava ocupada por quadros da esquerda, alguns declaradamente comunistas, todos incompetentes (Waldir Pires, Celso Amorim, Jacques Wagner, Aldo Rebelo, Raul Jungmann).

Era outra tentativa de diminuir a classe militar brasileira, que, contudo, não se deixava encolher. Pelo contrário, cumpria sempre seu dever, zelosamente, como no Projeto Calha Norte, em que acabou assumindo, na Amazônia, não só seu papel de guarda de nossas fronteiras, mas também as responsabilidades do projeto referentes à saúde, à educação e aos transportes na região, coisa que os ministérios próprios não faziam, principalmente no governo omisso de Fernando Henrique Cardoso.

A guerra das esquerdas contra as Forças Armadas continuava, porém, no Congresso, na Imprensa e em alguns (poucos) setores do Judiciário. Uma das batalhas mais notórias dessa guerra constituiu-se na infame Comissão Nacional da Verdade, criada em 2011, com a declarada finalidade de apurar violações de direitos humanos ocorridas de 1946 a 1988. Na sua instalação em 2012, ficava claro, por sua composição, em que os sete membros eram da mais radical esquerda, que a verdadeira finalidade era outra, como foi: imputar aos militares brasileiros toda sorte de violações e esconder os crimes da esquerda armada durante o regime militar. Em seu relatório, de 2014, ficava ainda mais clara essa intenção, além da tentativa de retirar, apenas dos militares, mas não dos terroristas, a proteção da Lei da Anistia, de 1979. A bem da verdade, diga-se, apesar do apoio maciço da mídia nacional à Comissão, ela nunca alcançou credibilidade popular relevante. Chegou mesmo a ser chamada, à boca pequena, de Comissão da Meia Verdade, por recusar o testemunho dos militares e ouvir apenas os ligados ao terrorismo.

O que tem com tudo isso o brocardo lá do título: a voz do povo é a voz de Deus, ou, o que dá no mesmo, a voz do povo é sempre a expressão da verdade? Explico: enquanto se repetiram os retumbantes fracassos dos regimes de esquerda mundo afora, sem que seus adeptos deles desistissem, no Brasil os esforços para manchar as Forças Armadas nunca deram, também, resultado, apesar da insistência “socialista”. Os militares foram exemplares ao longo de toda história pátria. Cumpriram seu papel sem abalos, fosse o Brasil colônia, império ou república. Na expulsão dos franceses ou dos holandeses, na Guerra do Uruguai, na Guerra do Paraguai ou nos campos de batalha da Itália, na Segunda Guerra. E mais recentemente, no evitar a comunização do Brasil e o guarnecer nossas fronteiras, a da Amazônia, principalmente. A cada acusação de seu inimigo interno — a “esquerda revolucionária” —responderam com a altivez do dever cumprido. A oficialidade jovem, que não viveu esses acontecimentos, precisa ser alertada para eles. E, sempre, em todas as épocas, em todas as avaliações feitas junto à população brasileira, em todas as pesquisas de opinião, antigas ou recentes, o povo fez ouvir sua voz: o brasileiro entende que a instituição mais confiável para ele, a que representa o Brasil de seu coração, são as Forças Armadas. Não é o Congresso, nem a Imprensa. Também não é nenhum dos Tribunais Superiores.

É a voz indesmentível do povo, a voz de Deus.

FONTE: JORNAL OPÇÃO

Última modificação em Terça, 28 Julho 2020 18:43
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