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25 Abr 2005

Síndrome de Estocolmo

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O Estado brasileiro, historicamente, tem sido o grande vilão do povo. Independente do partido no governo, o fato é que o modelo centralizador nacional ofusca as liberdades individuais.

"The laws of logic have no action on crowds."
(Gustave Le Bon)


No dia 23 de Agosto de 1973, três mulheres e um homem foram usados como reféns em um assalto a banco de Estocolmo, na Suécia. O assalto estendeu-se por seis dias, e para a surpresa geral, os reféns acabaram protegendo seus raptores. De fato, meses depois, duas das reféns chegaram a casar com seus algozes. Desde então, chama-se "Síndrome de Estocolmo" a esse fenômeno psicológico quando o refém demonstra afeição por seu raptor. Boa parte do povo brasileiro sofre dessa patologia!

O Estado brasileiro, historicamente, tem sido o grande vilão do povo. Independente do partido no governo, o fato é que o modelo centralizador nacional ofusca as liberdades individuais. Os indivíduos tornam-se súditos de Brasília, devendo satisfação e obediência sobre mínimos detalhes de suas vidas. Não há liberdade individual, com sua concomitante responsabilidade. Temos um paternalismo estatal absurdo, como se o povo fosse o filho irresponsável a ser cuidado pelo pai Estado. Engraçado é que o próprio filho irresponsável que escolhe o pai, pelo voto.

Além disso, os impostos diretos e indiretos extorquem cerca de 40% de toda a produção privada. Acrescentando nessa conta os gastos que o povo ainda tem que incorrer para suprir o que está contemplado nesses impostos mas não recebe, devido à ineficiência completa dos serviços públicos, estima-se que dois terços da renda vão para o governo! Trabalhamos mais da metade do ano apenas para sustentar a gigantesca ameba estatal. Brasília tem quatro vezes a média da renda per capita nacional. Os servidores públicos recebem cerca de três vezes mais que os trabalhadores do setor privado. Toda essa fortuna para bancar o oásis estatal é tirado à força do trabalhador. Não somos mais colônia de Portugal, mas somos escravos de Brasília!

E diante dessa irrefutável realidade, o que nosso povo acaba defendendo? Justamente mais Estado para solucionar nossos problemas! Através do discurso de "justiça social" e redução das "desigualdades", o povo vota em partidos que pregam o aumento das funções e tamanho do Estado, justo a maior causa de desigualdade. A raiva popular acaba voltada para os empresários que geram empregos, lutando contra a insaciável fome estatal. Criticam as imperfeições do mercado livre, que nada mais é que a interação voluntária entre os indivíduos. Como somos humanos, claro que haverá falhas. O curioso é considerar como alternativa melhor a concentração de poder justo nos políticos, que além de humanos também, são regidos por uma lógica bem mais perversa. Enquanto o empresário precisa satisfazer seu consumidor para sobreviver, o político precisa de votos, que serão obtidos pelas promessas impossíveis, populismo e demagogia, assim como tentativa de maior concentração de poderes. Ninguém razoavelmente inteligente pode acreditar que justo os políticos irão dormir e acordar pensando em como melhorar de fato a vida do povo. Para isso ser verdade, a primeira coisa que teriam que fazer é reduzir seus poderes abusivos e cortar drásticamente os impostos que asfixiam o povo. Mas o cão não costuma abandonar seu osso!

Como podemos ver, o povo brasileiro é refém do Estado. Pelo monopólio da coerção, agora até aumentado pelo desarmamento de civis inocentes, o Estado vai impondo leis absurdas e criando novas regalias e privilégios para os "donos do poder". Em vez do povo rebelar-se contra esses abusos, condenando esse seqüestro "legal" dos seus bens e direitos, ele acaba hipnotizado pela utopia do "bom revolucionário", do "messias salvador". E não se volta contra o real inimigo, que é o modelo inchado do Estado. Pelo contrário, como os reféns de Estocolmo, o povo acaba "apaixonado" pelo Estado, votando em partidos que defendem o seu aumento, não redução. Os mais lúcidos pagam o preço dessa completa falta de lógica.

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:21
Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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