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17 Jun 2020

LIBERDADE! ??? - Parte VIII - (Republicação)

Escrito por 

Acredita-se como absolutamente lógico, que se aceite que, no âmbito da coletividade, se identifique conjuntos de integrantes que possuam interesses, necessidades, se não iguais, muito próximas.

Publicado inicialmente em 25 de abril de 2011

VER LIBERDADE ! ??? - Parte VII

Para que se dê continuidade à série de considerações em que tem se constituído essa sequência de artigos, entende-se como necessário o estabelecimento de uma nova evolução no aproveitamento do modelo de Joel Lawson, que esquematiza o processo decisório do ser humano e que tem servido de suporte para o desenvolvimento desse exercício reflexivo.

A seguir, com um novo quadro, se buscará retratar como se poderia enxergar uma coletividade, visualizando cada integrante dessa coletividade com um ser intelectivo, pensante, que diante do ambiente em que está inserido, a cada momento, interage com esse ambiente e com os demais circunstantes, reagindo à realidade que se lhe apresenta, evidentemente, sempre buscando assegurar para si um estado de conforto, de segurança, no qual suas necessidades, seus anseios, seus interesses possam ser atendidos, satisfeitos, alcançados.


Buscou-se, nesse novo quadro, materializar a multiplicidade, a diversidade que caracterizaria essa, como de resto qualquer outra coletividade, atribuindo cores distintas aos seus integrantes (todos tomadores de decisões) representados no modelo. Desnecessário, talvez, lembrar que essa diversidade sempre existirá, porque decorrência intrínseca das individualidades que “vestem” cada representado.

Acredita-se como absolutamente lógico, que se aceite que, no âmbito da coletividade, se identifique conjuntos de integrantes que possuam interesses, necessidades, se não iguais, muito próximas. Essa circunstância tenderia a aproximá-los num esforço associativo com o objetivo de perseguir satisfazer seus interesses comuns.

As quantidades diferentes de integrantes com a mesma cor, pretendem representar o que, na realidade, é previsível ocorrer. Universos distintos, com efetivos igualmente distintos. Uns maiores; outros, nem tanto e, há que se admitir, poder-se-á ter, na coletividade, o conjunto de um só (no caso representado na cor vermelha).

A compreensão de que se identificaria maiorias e minorias nessa coletividade parece ficar evidente.

A expectativa é de que a confrontação do que se constata com enorme facilidade nesse quadro agora apresentado, com as considerações trazidas à reflexão nos artigos anteriores, ilumine aquelas colocações, de forma a torná-las inquestionavelmente claras.

Parece ficar transparente que o convívio/conflito da busca da satisfação de interesses diversos, por vezes antagônicos e/ou do atendimento de necessidades díspares tenderá a produzir uma previsível efervescência na relação entre os integrantes da coletividade, sinalizando a grande probabilidade de que as distorções visualizadas nos artigos anteriores venham a ocorrer.

De um lado, ator ou grupo de atores tentando influir no ambiente de forma a apresentá-lo aos demais atores de maneira que os estimule a reagir da forma que lhes seja favorável (vale dizer, manipulando-os).

De outro, grupos de atores tentando construir, gerar referências, verdades, valores para a coletividade que leve seus integrantes a reagirem de modo uniforme, diante de um mesmo estímulo, “matando” as individualidades.

Em ambas as circunstâncias, aqueles que, poder-se-ia dizer, são “vítimas” dessas iniciativas, acreditariam estar agindo “livremente”.

O que se pretende destacar neste artigo, especificamente, é que, no segundo caso, se materializa o maior risco ao real exercício da liberdade e que, na verdade, justifica toda a sequência de reflexões em que têm se constituído essa série de artigos.

O ambiente passa a condicionar vontades, decisões, escolhas.

A necessidade de “sobreviver”, de ser aceito (ou de evitar ser rejeitado), de se furtar a constrangimentos, tende a induzir aquele integrante que se apercebe sem condições de impor o que seria do seu interesse, sua inclinação natural, ou seja, sua vontade, a tomar a decisão que se lhe apresenta como aquela que lhe traria menor desconforto, desequilíbrio, desprazer, ou seja, a aceitar a escolha que lhe é “imposta” pelas circunstâncias.

Tendo o quadro como modelo, poder-se-ia ver como livre o representado “vermelho”, se se vê na contingência de aceitar as escolhas impostas à coletividade, por exemplo, pelos “amarelos”? Ou pelas decisões acordadas entre amarelos e azuis?

Quantas e quantas vezes, na rotina do dia-a-dia, já se experimentou a necessidade de se “engolir sapos”, de se ser “polido” (“educado”), de demonstrar “trato social”, de se ser “compreensivo”, ou como se introjectou no imaginário coletivo do brasileiro, hoje, de se ser “politicamente correto”.

O que se está tentando propor é que de tanto reagir a determinados estímulos do ambiente de uma determinada forma, como já se viu em artigo anterior, se assimila aquela reação como referência e, sem que se aperceba, se passa a ser massa de manobra, se perde a liberdade, a única manifestação de verdadeira liberdade que deve ser valorizada pelo ser humano: a liberdade de pensar e, sem interferências desonestas, construir suas referências.

No próximo artigo, se buscará trazer para a realidade política brasileira do hoje as considerações em que têm se constituído essa série de reflexões as quais se batizou de Liberdade ! ???, com o intuito de registrar que, a respeito de “liberdade”, se tem muito mais questionamentos a fazer, do que afirmações a atestar.

Última modificação em Sábado, 27 Junho 2020 22:22
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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