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20 Abr 2005

Os Conservadores

Escrito por 

Quem será que aproveita a situação de miséria para vender sonhos, conservando assim a fortuna pessoal e a imagem de nobre homem? Quem é o grande conservador: o indivíduo da esquerda, ou da direita?

"We owe our freedom not to the state's willingness to allow people and institutions to be free, but to the willingness of people and institutions to resist." (Llewellyn Rockwell Jr)
Na completa falta de argumentos embasados para refutarem o pensamento liberal, muitos membros da esquerda encerram qualquer debate sério partindo para agressões ad hominem e uso de rótulos simplistas e falsos. Além de "neoliberal", que mal sabem explicar o que significa mas serve para culpar até uma dor de barriga, temos o "conservador" como outra expressão bastante utilizada para agredir pessoas de direita. Pretendo apenas questionar a "lógica" de tal acusação. O MST, por exemplo, com seus admiradores todos vindo da esquerda, pretende lutar contra qualquer avanço tecnológico no campo. Uma máquina agrícola capaz de reduzir o tempo de colheita e aumentar a oferta de alimentos, baixando seu preço, é uma inimiga típica do MST. Por eles, ainda estaríamos com o campo dividido em comunas, verdadeiras favelas rurais subsidiadas pela esmola estatal, tirada dos que pagam impostos. Querem conservar o agronegócio na era da pá e enchada! São contra os transgênicos, avanço biotécnico que pode melhorar a produtividade agrícola. Não seriam os defensores do MST, portanto, os verdadeiros conservadores? Parte integrante da esquerda costumam ser os sindicatos também. Lutam para a manutenção de privilégios, tentando reduzir a competição livre na busca por empregos. São completamente contra a flexibilização das leis trabalhistas, preferindo manter um quadro inspirado em Mussolini, que vem desde a era Vargas. Não seriam os sindicalistas os verdadeiros conservadores? Muitos românticos da esquerda condenam o "capitalismo selvagem", cuja competição árdua acaba levando à falência os mais incompetentes ou ineficientes em agradar o consumidor. Defendem a "proteção" estatal para empresas rumo à bancarrota. A "destruição criativa" do livre mercado é condenada por eles. Em outras palavras, quando a Ford massificou o automóvel, levando à bancarrota os fabricantes de carroças, a esquerda estaria lutando para salvar esses fabricantes. Faria o mesmo, pela ideologia, quando o computador foi criado, trazendo desespero para os fabricantes de máquinas de escrever. E sem dúvida, pela "lógica" deles, teriam tentado barrar o advento da luz elétrica, para não gerar desemprego para os fabricantes de velas. Uma ideologia que busca nos conservar na era da luz de velas, máquina de escrever e carroças, não é a grande conservadora? A esquerda prega sempre a "justiça social", ignorando que não existe justiça sem ser social, já que Robson Crusoé, isolado numa ilha, não está sujeito ao conceito de justiça. Para esse objetivo abstrato, vale tudo, desde a defesa imoral de simplesmente estuprar a poupança dos mais ricos e distribui-la, independente da meritocracia. São muito materialistas, já que não defendem o direito de um sujeito muito feio poder estuprar uma moça muito bela, que não quer voluntariamente ceder ao "charme" dele. Não defendem também que tentemos tirar saúde dos saudáveis para distribuir entre os enfermos, ou que façamos algo contra um gênio para reduzir a desigualdade entre este e um mentecapto. A luta é material mesmo! E para isso, defendem o uso do aparato estatal, que já consome quase metade da renda dos trabalhadores brasileiros. Brasília tem quatro vezes a média da renda per capita nacional, e os funcionários públicos recebem, em média, mais que o triplo dos funcionários privados. Mas a esquerda defende mais Estado. Isso não seria conservadorismo, lutando para manter essa exploração estatal? Por fim, acusam a direita de ser composta por um bando de ricos tentando manter o status quo, enquanto a esquerda seria formada por humildes operários. Curioso é que Karl Marx, o "patriarca" da esquerda, casou-se com uma aristocrata alemã, Jenny von Westphalen, descendente da alta aristocracia da Escócia e filha de um nobre. O próprio Marx pouco trabalhou, vivendo às custas das mesadas de seu companheiro de idéias, Friedrich Engels, que era filho de um grande burguês. Marx não tinha nada de proletário, e poucas vezes na vida esteve em uma fábrica. Já Lênin, um dos mentores do golpe bolchevista, era filho de pais abastados. Mao Tse-Tung, o líder comunista da China, era filho de um rico agricultor. O pai de Fidel Castro era um latifundiário que possuía oitocentos hectares de terras e arrendava outros dez mil. A respeitada revista "Forbes" estima que a fortuna de Fidel passa de meio bilhão de dólares. O ditador encabeça pela segunda vez consecutiva a lista dos "homens mais ricos do mundo". Ele teria pelo menos 36 mansões, se locomove em comboios de Merdedez-Benz, e vendeu recentemente aos franceses a fábrica de rum Havana Club, embolsando na operação cerca de 50 milhões de dólares. Gabriel Garcia Márquez, amigo de Fidel, admitiu em entrevista que sua obra lhe proporcionava entre 350 e 400 mil dólares anuais. O escritor Saramago ganhou o prêmio Nobel de literatura, e juntou uma boa fortuna com a venda de seus livros. O líder do Partido Comunista italiano, Enrico Berlinguer, já falecido, descendia de marqueses catalães, e seu nome figurava no "Livro de Ouro da Nobreza Européia". Leonel Brizola tinha um patrimônio avaliado em dois milhões de dólares já em 1986, representado principalmente por duas fazendas no Uruguai, com mais de 3 mil hectares, onde ele criava umas sete mil ovelhas. João Goulart, mais conhecido como Jango, era proprietário de 15 mil hectares de terra em São Borja, assim como um rebanho de 65 mil animais. A lista é infindável. Todos grandes expoentes da esquerda. Nenhum pobre, miserável e operário. O próprio Fórum Social Mundial custou cerca de R$ 18 milhões, em uma mega infraestrutura montada para receber gente do mundo todo. Nada comparado ao humilde Fórum da Liberdade, que nem merece destaque na mídia, realizado pelo esforço de alguns liberais. Quem desses, esquerda ou direita, será que luta pela conservação do status quo ? Quem será que deseja manter um Estado inchado, extorquindo do povo para dar aos políticos? Quem será que pretende ganhar rios de dinheiro conservando um discurso utópico para as massas desesperadas? Quem será que aproveita a situação de miséria para vender sonhos, conservando assim a fortuna pessoal e a imagem de nobre homem? Quem é o grande conservador: o indivíduo da esquerda, ou da direita?

Última modificação em Segunda, 09 Setembro 2013 20:21
Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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