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16 Jun 2020

TRIMESTRE INESQUECÍVEL

Escrito por 

Quem discordar é apresentado nos pasquins como louco, desequilibrado, fascista e até genocida. E não tem o direito de se defender.

 

Abril, maio e junho de 2020. Nunca esqueceremos.

Enquanto as medidas provisórias do Executivo perdiam a validade no Legislativo e o Judiciário aceitava toda e qualquer iniciativa da esquerda que visasse a prejudicar o Presidente da República ou seu governo – com o STF, por vezes, vivendo o papel de vítima, policial, promotor e juiz – os processos contra políticos conhecidos de alto coturno prescreviam depois de adormecerem nas colendas gavetas por anos a fio.

Por sua vez, o coronavírus acelerava sua marcha pelo mundo, arrasando a Europa, invadindo em alta velocidade e letalidade a América, causando discussões acadêmicas e ataques constantes ao governo brasileiro, principalmente por parte da imprensa tupiniquim, cujos grandes grupos perdem o poder incontestável de que dispunham quando os cofres públicos os sustentavam com patrocínios e verbas públicas generosas, em troca de apoio e aplausos.

Eleitos pela OMS e pela imprensa como panaceia universal contra a Covid, o isolamento horizontal e a quarentena infindável arrasam com o ano escolar, a vida familiar, o já cambaleante mercado de trabalho, o poder de compra dos assalariados e dos autônomos, o direito de ir e vir, a liberdade de reunião, enquanto elevam ao quadrado o desemprego, com milhares de falências empresariais.

A alternativa, qualquer uma, seria melhor? Impossível afirmar, já que desde o início adotou-se como verdade única e indiscutível o isolamento social e a quarentena que já vai completar três meses. Sem crime, somos prisioneiros domiciliares sem tornozeleira eletrônica – por enquanto.

Quem discordar é apresentado nos pasquins como louco, desequilibrado, fascista e até genocida. E não tem o direito de se defender.

Começa-se, agora, a ensaiar uma reabertura lenta e gradual, prontos para pisar no freio.

O número de vítimas não para de crescer, alardeiam os especialistas em tudo, martelando o assunto vinte e quatro horas por dia, apresentando entrevistas com autoridades e cientistas que pensam da mesma maneira e condenando ao silêncio quem discordar. A estes, restam as redes sociais, onde disputam espaço com todo o tipo de matérias, verdadeiras ou não, e são acusados de mentirosos e autores de fake news.

Raramente ouve-se alguém falar no tsunami econômico que se levanta no horizonte, cada vez ganhando mais força, silenciosamente. Previsões sobre a queda do PIB mundial variam entre 5 a 10%, conforme a origem e o alvo. Para nós, a destruição ficará em algum ponto nesta margem catastrófica.

E teríamos boas notícias para difundir e animar o povo cativo: a retomada dos negócios nas bolsas de valores, a safra agrícola excepcional, o aumento das exportações de minérios, de grãos, de carnes industrializadas, o sucesso sem precedentes das obras públicas, rodovias, ferrovias, portos, mesmo sem contar com as privatizações planejadas na inchada estrutura governamental, já que não há dinheiro, ou, se há, seus donos estão amedrontados com as perspectivas futuras ou apostam no quanto pior melhor, para forçarem a baixa no valor dos bens que pretendem arrematar.

No entanto, só interessam as notícias fúnebres. O número total de vítimas cresce sem parar, como não podia deixar de acontecer. Só poderia diminuir se houvesse a ressurreição de alguns mortos. No entanto, o registro de mortes nos cartórios cai há várias semanas, e diversos hospitais cariocas e paulistas diminuem o número de leitos de UTI, pois a demanda por eles é menor.

A maioria das comparações é desfavorável ao Brasil e totalmente injusta. Comparar o Brasil com Bélgica, França, Inglaterra, Itália, em números absolutos, sem considerar a proporção das dimensões territoriais e população equivale a comparar uma de nossas capitais estaduais com Grotas do Ignoto, que fica não sei onde, tem menos de mil habitantes e nunca ouviu falar em Covid.

Tudo é agravado pela ação nefasta do STF, que transformou a República Federativa do Brasil em Estados Confederados do Brasil, numa decisão monocrática de um de seus semideuses, deixando o controle sanitário a cargo de governadores e prefeitos e amarrando as mãos do Presidente, que só pode pagar as contas indecentes que recebe daquelas autoridades.

Abril, maio e junho de 2020. Nunca esqueceremos.

Clovis Puper Bandeira

Nascido em 28 Fev 45 em Pelotas - RS

General de Divisão da Reserva do Exército Brasileiro

Ex Vice-Presidente e atual Assessor Especial do Presidente do Clube Militar

Principais funções na carreira militar:

- Instrutor da AMAN e da ECEME

- Aluno do US Army War College - EUA

- Comandante do 10º BI - Juiz de Fora - MG

- 1º Subchefe do Estado-Maior do Exército - Brasília - DF

- Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva - Porto Velho - RO

- Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazonia - Manaus - AM

- Diretor de Especialização e Extensão - Rio - RJ

- Comandante da 3ª Região Militar - Porto Alegre - RS

- Chefe do Departamento de Inteligência Estratégica do Ministério da Defesa - Brasília - DF

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