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14 Jun 2020

LIBERDADE ! ??? - Parte VII - (Republicação)

Escrito por 

O propósito básico é o de questionar o verdadeiro significado de ser livre para o ser humano, hoje, instintivo-intelectivo.

Publicado inicialmente em 19 de abril de 2011

 

 VER LIBERDADE ! ??? - Parte VI

 

Parece interessante, que antes de se prosseguir no processo reflexivo em que têm se constituído essa série de artigos, se busque sintetizar o que já se submeteu à consideração de todos quantos têm persistido nessa caminhada.

O propósito básico é o de questionar o verdadeiro significado de ser livre para o ser humano, hoje, instintivo-intelectivo.

Com o apoio do Ciclo da Tomada de Decisão de Joel Lawson, se constatou que no processo que leva o homem a definir seu interesse, sua escolha, diante das provocações que a realidade do ambiente em que está envolvido lhe apresenta, duas circunstâncias devem ser consideradas com especial atenção, na medida em que podem desvirtuar o processo decisório e comprometer a liberdade da decisão, da escolha e, por via de consequência, comprometer a compreensão do que se deva entender por “liberdade”.

Assim, se buscou deixar claro que a veracidade do estímulo com que o ambiente se manifesta ao tomador de decisão é transcendental. Falseado, camuflado, desvirtuado propositalmente o estímulo, o provocado decidirá por reagir de forma diversa daquela que teria adotado caso tivesse recebido o estímulo verdadeiro. Poderá sentir-se livre na sua decisão, na sua escolha, mas, na verdade, terá sido manipulado, usado.

Da mesma forma, constatou-se que diante de um mesmo estímulo, uma mesma provocação do ambiente, pessoas diferentes poderiam reagir de forma diversa e que esse comportamento discrepante, muito provavelmente, quase que certamente, se deveria à circunstância de que cada um teria, na sua história de vida, construído para si “referências” distintas.

Registrou-se a preocupação de que, não necessariamente as referências de um e de outro teriam sido construídas consciente e livremente (na verdade, talvez se devesse propor que muito provavelmente essas referências terão sido assimiladas sem qualquer consciência), o que, se buscou deixar claro, comprometeria congenitamente a manifestação de uma verdadeira liberdade nas decisões dessas pessoas.

Concluiu-se o artigo anterior, destacando que, como o ambiente com o qual se interage é comum a todos quantos nele estão inseridos, o fato de se ter referências diversas, tenderia a se constituir em potencial fonte de conflito.

Assim, diante de um mesmo estímulo, aquele que reagisse mais rápido, tenderia a impor a satisfação de seu interesse aos demais, na medida em que os demais se veriam na contingência de reagir, não mais ao estímulo inicial, mas sim ao decorrente da ação daquele que foi mais rápido. Da mesma forma (e isso é fundamental nesse contexto), ocorreria quando um dos integrantes da “coletividade” pudesse vir a ter maior capacidade de influir no ambiente (que detivesse maior “poder”).

Prosseguindo.
Aqui caberia que se transcrevesse texto da romancista Stephanie Laurens, autora de “best-sellers” do New York Times, que na sua obra “A verdade sobre o amor” (Sedna Editora, 1ª edição, 2009), na página 183, afirma por meio de um de seus personagens: “Manipular os pontos de vista da sociedade significa necessariamente ser socialmente ativo”.

Naturalmente, é de se supor que a autora jamais terá pretendido submeter à consideração de quem quer que seja, entre seus leitores, qualquer tratado sociológico. O que parece pertinente ser explorado aqui e justifica a citação no contexto que se busca discutir, ainda que se deva ressalvar alguma licenciosidade da tradução, é a utilização da expressão manipular.

Nas reflexões de parágrafos anteriores se admitiu que a interação dentro de um mesmo ambiente, seria fonte de conflito de interesses e que seria esperável a tentativa de imposição desse ou daquele ator.

O que se pretende com essa série de reflexões é, exatamente, buscar caracterizar que há um limite extremamente tênue nesse processo de relações que tende a pôr em risco os aspectos éticos dos comportamentos, interferindo dramaticamente no exercício da liberdade. Naturalmente, liberdade vista sob a ótica que, tem se insistido em caracterizar, deve ser aquela que se deve desejar para o ser humano: a de livremente construir as referências que irão lhe permitir decidir, fazer escolhas livremente.

Interferir, influenciar, impactar, atuar sobre, sim. Manipular, nunca.

Manipular significa ter nas mãos, ou, se se desejar ser mais contundente, escravizar.

Nova consideração.
O Dr. Wladimir Pirró Y Longo, Livre Docente da Universidade Federal Fluminense, em palestra, discorreu, apoiado pelo gráfico mostrado a seguir, sobre a relação que se pode identificar entre as alterações de hábitos, valores, comportamentos da humanidade, no tempo, em relação direta com a evolução da produção científico-tecnológica gerada pela humanidade.
 
 

Pretende-se explorar o referido gráfico com propósito ligeiramente distinto.

Observe-se que o gráfico sugere que, até próximo do que se convencionou identificar como Idade Média, não houve significativas evoluções tecnológicas. A forma de fazer as coisas não sofria alterações significativas ao longo do tempo. Como decorrência, hábitos, costumes, valores, se mantinham.

O que se deseja ressaltar é que, naquele contexto, as “referências” tendiam a passar de geração em geração. Uma geração transmitia para a subsequente suas referências e essa nova geração, tendendo a reeditar comportamentos, tenderia a se sentir mais segura nas suas escolhas.

A partir no Renascimento, com mais velocidade após a revolução industrial e, intensamente com a revolução eletrônica, o processo de produção tecnológica se agudizou, trazendo consigo mudanças de hábitos, costumes, valores, tornando os novos “modismos”, a cada tempo, mais efêmeros.

Comparando com a reflexão desenvolvida para os momentos de estagnação tecnológica talvez se pudesse dizer que, hoje, uma geração diria a subsequente: o que se faz hoje, não tem a ver com o que se fazia e não terá com o que se fará.

Qual a significância dessas últimas considerações?

Se as referências são cruciais para a definição das decisões que a cada instante o ser humano é convidado a tomar e se a construção dessas referências, hoje, passa pela volatilidade da realidade na qual se está inserido, é lícito se supor que fica, a cada tempo, mais difícil se admitir que as escolhas, as decisões a serem tomadas estejam assentadas em referências conscientemente construídas e assumidas.

Ora, se assim se admite, decorre a sensação de temor de que as gerações atuais possam estar mais susceptíveis, a serem, progressivamente mais, levadas de roldão pelas circunstâncias da realidade experimentada, correndo o risco de se constituírem em massa de manobra, inocentes úteis, “manipulados” pelos que, na coletividade, disponham de maior “poder” de interferir nessa realidade.

Como falar em “liberdade”, então?

No próximo artigo, se deseja introduzir considerações a respeito de como as reflexões até aqui desenvolvidas possibilitam que se discuta a relação entre liberdade e democracia.

Última modificação em Segunda, 15 Junho 2020 11:33
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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