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07 Jun 2020

LIBERDADE ! ??? - Parte VI - (Republicação)

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Neste artigo, se deseja analisar uma outra etapa do Ciclo da Tomada de Decisão (a detecção) e como ela interfere no processo decisório.

 Publicado inicialmente em 15 de abril de 2011

 VER LIBERDADE ! ??? - Parte V

 

No artigo anterior, se buscou, apoiado pelo Ciclo da Tomada de Decisão de Lawson, compreender o que já se sabia intuitivamente: um mesmo estímulo, uma mesma provocação, tende a determinar reações diversas em diferentes pessoas.

Ficou claro que a circunstância de duas pessoas terem experimentado histórias diferentes determina referências distintas, as quais, na etapa da comparação do processo reflexivo que gera a decisão (vale dizer a escolha) tenderá a induzir na direção de reações próprias, pessoais, individuais.

Em tese, não há novidade nessa conclusão. Já se sabia da teoria da comunicação que a mesma mensagem é recebida de forma própria por destinatários diferentes e provoca em cada um impactos específicos e reações coerentemente distintas.

A novidade, se há, é a compreensão do papel da referência no processo reflexivo, uma vez que esse entendimento gera uma questão fundamental, quando se decide discutir liberdade: como foram construídas as referências?

Neste artigo, se deseja analisar uma outra etapa do Ciclo da Tomada de Decisão (a detecção) e como ela interfere no processo decisório.

O que se deseja, agora, é discutir como o estímulo impacta o tomador de decisão; qual a fidedignidade com que o estímulo é apresentado; qual a intenção que gerou o estímulo; qual a razão que determinou, no ambiente, a alteração que irá se constituir no estímulo a ser detectado.

Não exige esforço compreender que um estímulo propositalmente gerado no ambiente com o intuito de provocar uma determinada reação do estimulado, por não ser natural, por ser intencional, poderá induzir o tomador de decisão a fazer uma escolha que não corresponderia àquela que seria por ele adotada, caso tivesse consciência, conhecimento, de que aquele estímulo só tinha por propósito levá-lo a um comportamento específico e desejado por quem o gerou.



Ainda tendo o modelo disponível e recordando o caso do Pedro, que diante da provocação que lhe foi causada pela jovem com quem se deparou ao voltar para sua residência e que o levou a decidir abordá-la, ligando para a esposa e justificando a necessidade do atraso no retorno, imagine-se supor que, na continuidade do contato estabelecido então, ao chegar ao motel, para o qual o Pedro a convidou, fosse constatado que a jovem, na realidade, se tratava de um jovem travestido de mulher (“propaganda enganosa?”).

Cabe aqui a pergunta. Teria o Pedro adotado o procedimento “escolhido”, caso tivesse claro para ele, desde o primeiro instante, se tratar de um homem? Ele terá se sentido “livre” para escolher, não? Terá ele sido induzido tendenciosamente a se inclinar por um procedimento, fruto de intenção premeditada de levá-lo ao engano? Por que o jovem, propositalmente, travestiu-se?

Parece oportuno que se convide o leitor a divagar a respeito de quantas e quantas oportunidades se apresentarão a cada cidadão, nos dias atuais, na sua rotina de vida, nas quais se estará recebendo estímulos desonesta e/ou intencionalmente gerados com o intuito precípuo, específico, de produzir uma reação dos que com esses estímulos são sensibilizados na direção que só seja do interesse daquele, ou daqueles que os geraram.

Some-se, agora, as considerações submetidas à reflexão do leitor no artigo anterior e nesse.

Inicialmente, imagine-se estímulos premeditada e propositalmente gerados no ambiente com o intuito determinado de induzir os estimulados a, em razão de os interpretarem erroneamente, virem a se comportar de forma diversa daquela que adotariam, caso não estivessem sendo lesados. Imagine-se complementarmente que as “vítimas”, na medida em que não se aperceberam manipulados, tenderão a entender que adotaram o procedimento correto face ao estímulo recebido e que, naturalmente, no futuro, em sendo novamente estimulados de forma semelhante, por terem experimentado e se satisfeitos anteriormente, tenderão a, com base na referência anteriormente construída, reeditar o mesmo procedimento.

Essas pessoas se sentirão felizes com suas escolhas. Sentir-se-ão livres, em pleno exercício de sua liberdade. Sê-lo-ão?

Cabe, agora, que se tenha em mente que não se vive isolado no mundo, razão pela qual o aproveitamento do modelo de Lawson nas presentes reflexões merece ser aprimorado como mostrado a seguir:

 

   
Ora, o ambiente com o qual o tomador de decisões da esquerda interage é absolutamente o mesmo com o qual interage o tomador de decisões da direita. Ambos têm interesses, necessidades específicas, referências próprias e ambos desejarão encontrar, no ambiente em que estão inseridos, circunstâncias que lhes agradem, que lhes assegurem uma sensação de prazer, de conforto, de equilíbrio.

É essa realidade que torna exequível, pertinente, previsível, o quadro que se tentou descrever nos parágrafos anteriores, neste e no artigo anterior.
Poder-se-á dizer: não necessariamente haverá má fé no esforço de induzir o circunstante a agir de forma que interesse a quem se antecipou no atuar sobre o ambiente.
Sem dúvida, mas é previsível o conflito de interesses, a tentativa de impor escolhas.

No próximo artigo, se buscará “iniciar” um sem número de considerações que pretendem provocar aqueles que têm persistido no compartilhar as reflexões, até aqui submetidas à análise dos leitores, a identificarem os malefícios que se pode produzir em uma coletividade, quando se tem a intenção de manipular informações, sentimentos, vontades, escolhas, seja para poder, desonesta e intencionalmente, se tirar proveito pessoal ou grupal, seja por pretensiosamente se imaginar mais preparado, mais perto da verdade e com isso capaz de decidir pelo outro ou pela coletividade.

Última modificação em Segunda, 15 Junho 2020 11:35
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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