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17 Abr 2005

O Conservadorismo de João Paulo II

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A exemplo de Cristo, fez tudo por amor. E amou a humanidade inteira de tal modo que todos nos sentimos pessoalmente amados por ele.

Entrei na Internet e busquei por referências que associassem João Paulo II ao conceito conservador. Encontrei 939. É muito? Pois também busquei em inglês e encontrei 439 mil!Estatisticamente está decidido: João Paulo foi um papa considerado conservador por pessoas que atribuem viés pejorativo a essa categoria.

Pesam-lhe, em tais críticas, sua posição contrária aos totalitarismos do século XX, como se ele, vítima dos três, devesse ser rigoroso com o nazismo e o fascismo, mas tolerante com o comunismo, pela simples razão de que este, o pior de todos, sempre simulou praticar suas perversidades em nome de elevados valores universais. Não, o Papa conheceu os totalitarismos por dentro. Acusam-no, também, de haver restringido a propagação daquilo que chamou "uma certa Teologia da Libertação". Contudo, pode ser captada pelos mais desatentos neurônios a aliança negra dessa teologia com o marxismo. O seu guru Leonardo Boff a declara desinteressada de que haja cristãos, mas cidadãos lutando pelas causas que lhe agradam, e o conselheiro de Fidel e Lula, Frei Betto, não quer teologia no marxismo mas marxismo na teologia. Não duvido de que com tais idéias "progressistas" ainda esperassem para suas nobres finalidades louvores papais e púrpuras cardinalícias.

Também causam desconforto as posições de João Paulo II contrárias ao aborto, à união homossexual, à engenharia genética com uso de embriões humanos, bem como sua defesa do matrimônio, da fidelidade conjugal e de outros valores essenciais à vida e à estabilidade dos núcleos sociais. Ora, estamos acostumados com um tipo de liderança que molha o dedo na boca, espeta-o no ar, percebe de qual lado sobram os ventos da opinião pública e alinham-se nessa direção. João Paulo II, no entanto, não foi um papa assim. Ele exerceu com fidelidade e determinação sua função de condutor da Igreja, em conformidade com a sã doutrina. Avaliá-lo segundo os critérios com que medimos Lula, Kirchner, Chávez, Zapatero e assemelhados é imensa impropriedade. E não hesito em afirmar que, em relação a todos, ele foi, na doutrina e na ação, muito mais eficaz na defesa dos pobres, na afirmação do primado do trabalho sobre o Capital, no zelo pelo ambiente natural e na denúncia das injustiças de todos os modelos e sistemas. Quem duvida que leia suas três encíclicas sociais.

Cuida-se, agora, de substituir um homem extraordinário, sinal de contradição, conservador zeloso e fiel do que lhe coube resguardar. Progressista na direção do Bem. A exemplo de Cristo, fez tudo por amor. E amou a humanidade inteira de tal modo que todos nos sentimos pessoalmente amados por ele.

Última modificação em Quarta, 18 Setembro 2013 19:58
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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