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04 Jun 2020

LIBERDADE ! ??? - Parte V - (Republicação)

Escrito por 

Há que se ter em mente, durante todo o tempo, que o que aqui se busca é avaliar o significado de se ser efetivamente livre nos dias atuais, particularmente no Brasil.

Publicado inicialmente em 07 de abril de 2011

Ver LIBERDADE ! ??? - Parte IV

Agora, com a compreensão de como se dá o processo reflexivo do ser humano, ainda que forma simplificada, esquematizada pelo modelo de Lawson, no Ciclo da Tomada de Decisão, é possível que se aprofunde a análise para que se possa identificar como determinadas particularidades ou circunstâncias interferem no ciclo; qual o peso específico de cada etapa no processo como um todo; quais os riscos de distorções que podem acometer as decisões (vale dizer, as escolhas) a serem tomadas.

Mais ainda, se poderá avaliar como uma ação deliberada tende a interferir de tal forma significativa no processo, a ponto de gerar consequências que produzem a manipulação daquele que acredita estar realizando suas decisões, suas escolhas “livremente”.

Há que se ter em mente, durante todo o tempo, que o que aqui se busca é avaliar o significado de se ser efetivamente livre nos dias atuais, particularmente no Brasil. De se poder analisar, criticar, como medidas, propostas, realidades, iniciativas desse ou daquele setor da sociedade civil organizada podem interferir decisivamente no direito de cada cidadão em decidir sobre sua vida.

Para tal, tendo o modelo de Lawson reeditado abaixo, para que sirva de apoio, estar-se-á novamente recorrendo a exemplos práticos, os quais, ainda que simples, corriqueiros no contexto da realidade da vida de um cidadão comum, se prestam para favorecer a compreensão por parte de um universo mais amplo dos que se debruçarem em acompanhar essas reflexões.


 

Considere-se o Sr. João, que acaba de deixar sua igreja, numa manhã ensolarada de domingo e se desloca para casa, onde sua esposa e filhos o esperam para o almoço. Mal deixando o templo ele se depara com uma moça extremamente vistosa, insinuante, que o fita com olhar convidativo (estímulo detectado).

Após alguns segundos de surpresa, ele analisa a situação e seus possíveis desdobramentos, confrontando-os com a realidade de sua vida. Recorda-se que terá declarado publicamente certa feita que “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, ......” (comparação). Interpreta o estímulo como um risco à realidade da vida que leva e decide ligar para sua esposa informando-a que já estava a caminho de casa e perguntando se necessitava de que algo fosse comprado para o almoço (reação).

Considere-se, agora, o Sr. Pedro, que, no mesmo momento, havia deixado um bar próximo, no qual se confraternizara com amigos e, igualmente, se dirigia para sua residência para o almoço dominical em família. Deparando-se com a jovem e identificando seu comportamento provocativo (detecção), da mesma forma que João, descortina as decorrências de uma aproximação (análise) e se recorda de um comentário feito por um dos amigos momentos antes: “cavalo amarrado também pasta”. Num lampejo, lhe vem à mente algumas experiências anteriores, todas prazerosas (comparação) e ele decide ligar para sua esposa lamentando a necessidade de ter que se atrasar, alegando uma justificativa vaga inventada às pressas. Em seguida, se aproxima da jovem, abordando-a com aquele tipo de desculpa própria para esse tipo de oportunidades, sabedor de qualquer que ela fosse seria irrelevante e aceita (reação).

O que se pretendeu explorar, a partir do Ciclo da Tomada de Decisão de Lawson, com esses exemplos? Com certeza o prezado leitor já terá concluído. 

mesmo estímulo determinou reações absolutamente díspares de duas pessoas diferentes.

No entanto, o que é relevante ser destacado, compreendido, e justificou toda a abordagem desse tema, nesses diversos artigos, é que a etapa do processo reflexivo, decisório, que o modelo de Lawson explicita como determinante da mudança de comportamento do João e do Pedro diante do mesmo estímulo, da mesma provocação, foi a etapa da comparação.

O que se deseja ressaltar, porque fundamental, crucial, para a discussão que se está levando a efeito é o significado da “referência” que serve de base para que ocorra a etapa da comparação.

As referências que João e Pedro carregavam consigo, fruto das experiências de vida acumuladas no tempo, foram o fator determinante das reações díspares adotadas.

Admita-se agora uma índia desnuda adentrando em uma das tabas de uma área indígena.

Suponha-se que, ao mesmo tempo, em pleno centro de uma cidade cosmopolita, uma mulher nua entra em um restaurante em plena hora do almoço.

Imagine-se as reações completamente discrepantes que tais fatos despertariam nos circunstantes de ambos os ambientes.

Justificativa para a discrepância das reações? Referências distintas.

Coloque-se lado a lado um cidadão com 1,65m de altura e outro com 1,75m. Solicite-se que alguém presente indique um dos dois para ser identificado como “alto”.

Em seguida, dispense-se aquele com 1,65m de altura e se o substitua por outro com 1,85m. Solicite-se ao mesmo inquirido anteriormente que identifique um dos dois como “baixo”.

Constatar-se-á que o alto, em segundos, ficou baixo.

Justificativa? Referências díspares.

Não exige esforço pensar que, de forma idêntica, poder-se-ia, alterando a referência, levar o magro a ficar gordo, o escuro a ficar claro e assim por diante.

O que deve ser visto como preocupante e se constitui em objeto deste artigo específico é provocar a reflexão de que, em função da referência adotada, é possível que o certo seja visto como errado. Ou, o que é pior, que o errado seja visto como certo.

No próximo artigo, tentar-se-á explorar como a manipulação do estímulo pode ser desastrosa na manipulação das vontades, dos interesses, no cerceamento da liberdade, na verdadeira liberdade que deve desfrutar o ser humano instintivo-intelectivo, que é a liberdade para pensar e decidir.

Última modificação em Sábado, 13 Junho 2020 21:21
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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