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29 Mai 2020

BOLSONARO SOBE O TOM EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

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Bolsonaro disse que tanto a mídia profissional como a mídia social precisam ser livres, e que foram governos passados, de esquerda, que tentaram calar jornalistas

 

"Na saída do Palácio do Alvorada, na manhã desta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro criticou o inquérito no Supremo Tribunal Federal e a ação da Polícia Federal a mando do STF, que bateu à porte de apoiadores do presidente com o pretexto de investigar Fake News.

O presidente afirmou que, devido aos cumprimentos de mandato da PF, ontem foi um “dia triste da nossa história”, mas que foi o "último". "Chega!", afirmou o presidente. “O povo tenha certeza, foi o último dia triste. Nós queremos a paz, harmonia, independência e respeito. E democracia acima de tudo”, afirmou Bolsonaro, destacando que espera respeito em troca também.

Bolsonaro disse que tanto a mídia profissional como a mídia social precisam ser livres, e que foram governos passados, de esquerda, que tentaram calar jornalistas. O presidente reconhece que foi eleito graças às redes sociais, e diz que o "gabinete do ódio" é um factoide inventado, não fazendo sentido levar adiante uma operação policial com base nisso. E gritou: "Acabou, porra!"

Impossível não dar razão ao presidente quando vemos a reação de certa imprensa. Estadão, GLOBO, Folha/UOL, todos distorceram os acontecimentos desta semana, enaltecendo a decisão ilegal e arbitrária do STF. Eis o que escreveu o editorial do Estadão:

               ....Contando com a conivência (quando não com o estímulo) do presidente Jair Bolsonaro, seus camisas pardas travestidos de patriotas têm proferido sistemáticos ataques aos integrantes do Supremo Tribunal

               Federal (STF) porque aquela Corte ousa impedir o arbítrio bolsonarista. [...] Mas o Supremo está disposto a demonstrar serenamente que não se intimida com os arreganhos liberticidas do bolsonarismo radical.

No GLOBO, vários colunistas também tomaram o lado absurdo do STF. Foi o caso de Miriam Leitão, que tentou justificar que o inquérito arbitrário é, na verdade, para investigar crimes, não para coibir opiniões:
                                  “Inquérito sobre fake news apura se houve crime, não está reprimindo opinião”.
                                  por Míriam Leitão (28/05/2020 9:50)

Seu colega Merval Pereira, do mesmo jornal, foi em linha similar, denunciando não o abuso de poder do Supremo, mas a reação do PGR:
                               "O pedido extemporâneo do Procurador-Geral da República, Augusto Aras, para que seja suspenso o inquérito sobre fake news aberto há um ano no Supremo Tribunal Federal (STF) só tem

                               explicação no clima de tensão que dominou o Palácio do Planalto com a operação de ontem da Polícia Federal contra apoiadores do presidente Bolsonaro".

Merval ainda chamou o ministro do STF de "cauteloso", por não ter incluído parlamentares bolsonaristas na lista dos que tiveram a "visita" da PF logo cedo na quarta: "O ministro Alexandre de Moraes foi até mesmo cauteloso, e não aceitou o pedido para fazer busca e apreensão nas casas dos parlamentares investigados, que foram apenas intimados a depor".

Reparem que sequer estou mencionando os mais radicais à esquerda, como Bernardo Mello Franco, que afirmou que a operação da PF "expõe a cloaca do bolsonarismo". Estou citando os "moderados", como Carlos Alberto Sardenberg, que escreveu sobre a "imprensa marrom", ao menos defendendo a liberdade do público para decidir quem merece credibilidade:

                            Do mesmo modo que antes não se poderia fechar a imprensa para bloquear o lado marrom, também hoje não se pode bloquear as redes para afastar os provedores de fake news, ofensas e ameaças.
                            Mas, atenção, liberdade de expressão não é um salvo-conduto. Não pode haver censura prévia. Mas a publicação e seus autores podem ser processados, na devida forma da lei.

Exato! Para crimes, já temos a lei! Esse papo de "combate às Fake News" e ao "gabinete do ódio" é um pretexto para a censura e para ações arbitrárias do Supremo. "Mas na democracia, quem decide se uma imprensa é boa ou não é o público, com sua audiência, sua leitura, seu respeito", disse Sardenberg. Correto! Então não há motivo para meter de forma ilegal o STF nisso, ou regular as redes sociais como querem muitos.

Na Folha, a pegada é conhecida, e basta citar um para expor todos:
                             Roberto Dias
                             “Enfim uma ofensiva real contra as fake News”

Uma parte dessa mídia mainstream já assumiu seu papel partidário, mas ainda disfarça a militância como se fosse jornalismo imparcial. Uma piada! O público percebe o truque, e por isso a credibilidade anda tão baixa. O governo Bolsonaro tem muitos defeitos que precisam ser apontados. Mas esse tipo de postura só coloca mais gente na defensiva.

Não por acaso a "live" do Terça Livre nesta quarta, com a presença de Eduardo Bolsonaro, que subiu bastante o tom e falou em "ruptura" iminente, foi um sucesso. Bateu mais de 100 mil pessoas (robô não assiste "live"). Não sei se era essa a intenção do ministro do STF, mas se fosse, parabéns! Olavo de Carvalho jamais conseguiria algo tão expressivo sozinho...

Se o establishment continuar esticando a corda desse jeito, com o apoio de boa parte da imprensa, de fato chegaremos a um ponto de ruptura. Fica parecendo que é isso mesmo que muitos desejam. Aí sim, poderão alegar que estavam certos, que o bolsonarismo é fascistoide e autoritário. Estão se esforçando muito para criar o monstro, que hoje existe só em sua imaginação."

Última modificação em Sexta, 29 Maio 2020 10:23
Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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