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28 Mai 2020

LIBERDADE ! ??? - Parte IV - (Republicação)

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Ao só enxergar o coletivo, esquecendo o individual, se comete erro crasso e o que decorrer daí carregará erro congênito.

Publicado inicialmente em 04 de abril de 2011

Ver LIBERDADE ! ??? - Parte III

É imprescindível que se compreenda, por tudo o que já se propôs até aqui, que a sensação de liberdade é experimentada de forma distinta em cada ser humano, função das peculiaridades que matizam a sua individualidade.

De pronto, decorre a compreensão de que é extremamente pretencioso se pretender definir como se poderia assegurar liberdade aos outros ou como se “regula” a liberdade de uma coletividade.

Ao só enxergar o coletivo, esquecendo o individual, se comete erro crasso e o que decorrer daí carregará erro congênito.

Em sua obra “Os Socialismos Utópicos”, Jean-Christian Petitfils (renomado sociólogo francês da atualidade) elenca e analisa um sem número de experiências vivenciadas pela humanidade ao longo de sua história, nas quais estudiosos “bem-intencionados”, se sentindo “iluminados”, mas certamente “pretenciosos”, se arvoraram capazes de propor soluções as mais diversas, para a conquista da felicidade plena por seus semelhantes. Todas fracassadas.

Desde os precursores analisados, passando por Thomas More, Rousseau, Deschamps, Saint-Simon, Robert Owen, Fourier, chegando às propostas marxistas/comunistas mais recentes, todos desconsideraram que o “processo humano se desenvolve de dentro para fora do homem”. Há que se admitir, aceitar e respeitar a individualidade do ser humano.

Não bastassem os incontestes exemplos que a história nos lega, essa verdade pode ser compreendida de forma praticamente incontestável a partir de reflexões conduzidas com base no modelo que o Dr. Joel S. Lawson Jr. definiu, como decorrência de suas pesquisas para balizar projeto de sistemas de comando e controle que se prestassem a contribuir para a gestão eficaz de organizações humanas. Visando entender como uma organização humana deveria ser administrada para que atingisse plenamente seus propósitos, ele se dedicou a entender como se dá, no cérebro humano, o processo que o leva a decidir. Seu modelo ficou conhecido como o “Ciclo da Tomada de Decisão”, ou, para alguns, como “Boyd’s Cicle”.

Segundo proposto por Lawson (renomado cientista norte-americano, considerado referência no MIT, nos estudos destinados a modelagem da capacidade humana de, interagindo no ambiente, tomar decisões que lhe permitam atuar segundo suas necessidades, seus interesses) o processo que leva à tomada de decisão pelo homem e, por via de consequência, pelas organizações criadas e conduzidas por mãos humanas, se dá segundo o modelo apresentado a seguir:

 
Para que se possa compreender como a análise desse modelo de Lawson possibilita o entendimento do que vem a ser liberdade para o ser humano, assim como os desafios e perigos que estão presentes na realidade do homem, particularmente nos dias atuais, num mundo globalizado, perigos e desafios esses que tendem a, efetivamente, privar ou restringir sua liberdade, é necessário que se dedique algum espaço para a adequada compreensão do modelo.

Inicialmente, há que se esclarecer que o propósito do modelo é representar o processo reflexivo humano (ou de uma organização criada pelo homem) que se desenvolve a partir da ocorrência de uma mudança da condição de harmonia, de estabilidade, do ambiente em que se encontre um ser humano inserido (ou uma organização), até que uma reação seja adotada, com o fim de restaurar a situação de harmonia, de equilíbrio, de conforto, que existia anteriormente.

Tendo o gráfico como referência, se percebe que Lawson identifica com seu modelo que, ocorrendo uma alteração no ambiente, o processo reflexivo se inicia com a detecção da mudança. Considerando-se uma pessoa normal, essa detecção tende a se dar por intermédio de seus sentidos. Um som, uma mudança da luminosidade ambiente, uma leitura, alterações de temperatura, um novo odor, um sabor, ou, o que é fundamental compreender, “uma informação”, etc.....

A percepção da mudança é então, automática e instantaneamente analisada pelo cérebro, com o fito de ser identificada, compreendida na sua integralidade.

A seguir, essa informação, agora identificada, é comparada com as informações armazenadas pelo cérebro, ao longo da sua existência.

A análise e a comparação permitirão a correta compreensão do significado do estímulo que fora detectado.

O passo seguinte do processo é a decisão, o posicionamento adotado face ao estímulo, agora, claramente identificado (ou claramente compreendido como desconhecido).

O processo se conclui com a materialização de uma reação que, no entender do “provocado” pelo estímulo inicial, seja aquela que é entendida como desejável, aquela que expressa, exterioriza sua “vontade”. Essa reação tende a ser compreendida, por quem a toma, como a que o recoloca, novamente, numa condição de conforto, ou na situação em que se encontrava antes de detectar o estímulo.

O recurso à compreensão de alguns exemplos simples parece poder completar o entendimento do modelo.

Primeiro exemplo: uma pessoa, ao sentar-se para uma refeição, sente um odor desagradável, e ao experimentar a comida, um sabor igualmente ruim. Analisa o que poderia justificar a sensação experimentada. Atribui o fato à circunstância de que se tratava de sobras de comida do dia anterior, mantidas em geladeira. Recorda-se de que, na véspera, teria havido falta de energia elétrica por algum tempo e compara o sabor e o cheiro desagradável experimentado com outros vivenciados, no passado, quando ingerira comida estragada e sofrera consequências igualmente desagradáveis. Então, conclui que deverá ter ocorrido fato semelhante e decide descartar a comida, sendo sua reação depositar a alimentação no lixo.

Segundo exemplo: uma empresa fabricante de refrigerantes recebe relatório de vendas de período imediatamente anterior, no qual há o registro de queda na comercialização de um de seus produtos. Analisa quais seriam as possíveis causas e consequências da queda. Compara os dados disponibilizados com circunstâncias anteriores experimentadas pela empresa. Constata que tem havido redução da publicidade do produto e que a redução nas vendas precisa ser revertida. Decide, então, que deve, imediatamente, lançar nova campanha publicitária e reage ao fato contratando importante empresa de propaganda e renomada artista televisiva para ancorar a nova campanha.

Um exemplo militar: na tela de um radar de forças em operação, é detectado um novo ponto luminoso. Equipamento de última geração, automaticamente é desencadeada a análise do significado do dado novo e valendo-se de comparação de dados armazenados na memória do computador que controla o funcionamento do radar, identifica o sinal como o de um míssil inimigo se dirigindo para um alvo amigo. Imediatamente após, decide e sinaliza para a necessidade de reação imediata e um míssil de defesa é disparado.

Compreendido o que pretende e como se aplica o modelo de Lawson na realidade humana, passa a ser possível que se mergulhe mais profundamente na análise do que signifique ser livre para um ser humano, hoje instintivo-intelectivo, o que se fará nos próximos artigos, nos quais ainda se buscará identificar riscos e desafios que pairam sobre a realidade do homem, de uma forma geral e do brasileiro, em particular, em razão do empenho de utilização da proposta de Gramsci para o tomada e permanência no poder por parte de setores político-partidários no país.

Última modificação em Quinta, 04 Junho 2020 10:08
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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