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26 Mai 2020

24 DE MAIO! INFANTARIA EM GUARDA! FORMAR QUADRADOS!

Escrito por 

NOBRE SEM TÍTULO, BRIGADEIRO ANTÔNIO DE SAMPAIO - PATRONO DA ARMA DE INFANTARIA

 

_ Ainda pelo Uruguai, o Tenente-General Osório, a braços com tantas e complexas providências, serviu-se, como era des se esperar, de chefes experimentados para o planejamento e preparo do exército sob seu comando. Entre estes estava o Brigadeiro Antônio de Sampaio, certamente o mais qualificado oficial-general oriundo da Arma de Infantaria. O “bravo entre os bravos” sabia disso e no cearense tinha plena confiança. Por essa mesma razão, já na Ordem do Dia Número 3, de 4 de março de 1865, criava a 3ª Divisão de Infantaria (5ª e 7ª brigadas da arma), entregando-a ao tirocínio de Sampaio, o grande comando que o ilustre cearense iria conduzir até sua morte heroica em batalha. Em seguida, na Ordem do Dia Número 6, de 11 do mesmo mês, recebia o brigadeiro a missão de supervisionar a instrução de todos os corpos de infantaria do Exército imperial.

_ Mas o destaque justo aos excelentes serviços e conhecimentos que esse soldado extraordinário oferecia naquela atribulada conjuntura não cessa. A Ordem do Dia Número 45, por sua vez, agora em 27 de junho de 1865, do comando-em-chefe, na oportunidade, em acampamento junto a VILA CONCÓRDIA, mantém Antônio de Sampaio como “Inspetor Geral dos Exercícios de Infantaria”, enquanto a de Número 136, de 5 de março de 1866, do Quartel General do 1º Corpo de Exército, no acampamento de TALA-CORÁ, o nomeava cumulativamente como “Presidente da Comissão de Exercício Prático da Arma de Infantaria”. Não seria surpresa, por isso mesmo, a fulgurante participação da “primeira arma base” no decorrer da campanha do Paraguai.

_ Merece lembrar, a confiança é tanta na sua competência profissional que, na própria Província do  Ceará, seu presidente, o Doutor Lafaiete Rodrigues Pereira, solicita através ofício ao ministro da guerra seja permitido mobilizar um “corpo de voluntários da pátria”, todo este constituído por conterrâneos visto que, “possuídos de admiração e ufania pela bravura e patriotismo do distinto Brigadeiro Sampaio, desejam ardentemente ir à guerra sob o comando deste, para receber, dos bons exemplos, um estímulo de experimentada perícia, proveitosa lição”. Mas o destino do cearense valente está selado. Em pouco mais de dois meses o futuro patrono da infantaria brasileira será imolado no altar da Pátria, na maior batalha campal da Latino América.

_ Em 24 de maio de 1866, no comando da 3ª Divisão de Infantaria, a famosa “Divisão Encouraçada” do Exército Imperial, o brioso brigadeiro resiste ao choque aterrador de dez mil paraguaios liderados pelo General Diaz. O General Dionísio Cerqueira, que na Batalha de TUYUTY participou ainda como cadete, assim se referiu à esta magnífica divisão em seu livro “Reminiscências da Campanha do Paraguai”: - “Todos, modéstia à parte, consideravam-na a escol do Exército.” A grande realidade é que a consciência da magnitude de seu comando e da excelência da tropa que liderava não passam desapercebidas pelo infante de escol que, sobre sua montada, como num preito a seus soldados, envergará em derradeiro combate uniforme impecável bordado a ouro de oficial-general do Império.

_ Nesta batalha, quando o inimigo desfechou seu ataque, a frente mantida pela divisão de comando do Brigadeiro Antônio de Sampaio foi acometida por 10 000 homens das forças do General DIAZ. Sua cavalaria ensandecida, sabres e lanças sedentos, transporta grande número de infantes na garupa de suas montadas e, ao mesmo tempo que investe o primeiro escalão, viabiliza a participação de hábeis volteadores no combate; a primeira onda de assalto se abate sobre os 9º CVP e 1º BI de Linha da 7ª Brigada e os 4º e 3º BI de Linha da 5ª Brigada, assim posicionados da esquerda para a direita e à frente de suas respectivas grandes unidades; a luta é feroz, não custa, os 6º e 11º CVP/7ª Brigada, mais os 4º e 6º de Linha/5ª Brigada são engajados em combate cerrado, dispondo a 3ª Divisão de Infantaria todas as suas peças de manobra em “linha de atiradores”. Segue-se o contra-ataque da 7ª Brigada sob comando do Coronel Jacinto Machado Bittencourt, reforçada pelo 4º CVP/5ª Brigada; os três batalhões restantes da 5ª Brigada (3º, 4º e 6º BI de Linha), fazendo frente a um combinado infantaria-cavalaria do oponente, são empregados; os  4º e 6º BI de Linha cerram para a esquerda de uma bateria uruguaia a fim de protege-la; o 3º de Linha que por aí estava, quando chega o 6º de Linha, continua resistindo, junto a este, ao combinado do oponente; o 6º de Linha, posteriormente, cerra para o contingente constituído pela 7ª Brigada para, junto ao 4º de Linha, cooperar no seu contra-ataque; a luta na frente da 7ª Brigada de Infantaria ganha um aspecto dantesco, ocorrendo por três vezes o fluxo e o refluxo das tropas em choque.

_ Era a infantaria do bravo brigadeiro “em guarda formando quadrados”, cada um com “200” metros de frente, as baionetas caladas apontadas pelo infante desassombrado, as luvas brancas dos oficiais, galantes, volteando espadas afiadas, liderando os soldados bravos das praias, dos cerrados, das matas, dos sertões e dos pampas. Neste dia um humilde e valoroso cearense se imolaria no altar de sua Pátria, liderando uma divisão de infantaria sobre a qual Dionizio Cerqueira, oficial veterano no 4º Batalhão de Infantaria de Linha, assim se referiu: - “Todos, modéstia parte, a consideravam o escol do Exército”. A presença de Sampaio, no fragor da luta, se faz sentir ombro-a-ombro junto às suas brigadas que, em guarda, formando “quadrados’, testemunharam os três momentos distintos em que o brigadeiro é atingido. No primeiro Sampaio oscila no estribo de seu cavalo, um filete de sangue escoa-lhe pela boca. Segue-se um segundo ferimento de mesma gravidade. Osorio, confiante na resistência do brigadeiro, envia-lhe seu ajudante-de-ordens, o Capitão Corrêa de Melo, com a ordem de resistência a todo o custo. Coberto de poeira e de sangue, diz Sampaio: - "Capitão, diga ao Marechal Osório que estou cumprindo meu dever, mas como já perdi muito sangue, seria conveniente que me mandasse substituir". Quando o Capitão pedia autorização para se retirar, recebe Sampaio o terceiro ferimento, mas ainda tem tempo, antes de perder os sentidos, de pronunciar: - "Diga ao marechal que este é o terceiro!". Os estilhaços de granada lhe gangrenam a coxa direita, e mais duas vezes, nas costas. Dor, entusiasmo, patriotismo, todos estes sentimentos, por certo, perpassaram por este cidadão soldado no momento sublime em que ele admira o comportamento marcial e invulgar das unidades de sua divisão.

_ Evacuado do campo de batalha, faleceu a bordo do vapor EPONINA que o conduzia para BUENOS AIRES. Os batalhões de infantaria de linha citados, integrantes da heroica 3ª Divisão de Infantaria do Exército Imperial, sob o comando do Brigadeiro Antônio de Sampaio na Batalha de TUYUTY, estão assim redivivos nos tempos contemporâneos: o 1º, no 1º BI MEC-Regimento SAMPAIO; o 3º, no 18º BI MTZ-Batalhão PASSO DA PÁTRIA e no 19º BI MTZ-Batalhão DA SERRA; o 4º, no 9º BI MTZ-Regimento TUYUTY e o 6º, no 19º BC-Batalhão PIRAJÁ. No dia 24 de maio de 1866, estavam no comando destas antológicas unidades da primeira arma base, respectivamente: o Major Francisco Maria dos Guimarães Peixoto, o Tenente-Coronel Frederico Augusto de Mesquita, o Tenente-Coronel Luís José Pereira de Carvalho e o Tenente-Coronel Antônio da Silva Paranhos. O comandante do 1º Batalhão de Infantaria de Linha, ferido em combate, seria substituído pelo Major João Antônio de Oliveira Valpôrto.

Luiz Eduardo Rocha Paiva

O General de Brigada Luiz Eduardo Rocha Paiva nasceu na cidade de Niterói (RJ) em 07 de setembro de 1951.

Foi graduado Oficial da Arma de Infantaria em 1973, na Academia Militar das Agulhas Negras e passou à reserva remunerada em 2007, com mais de 40 anos de serviço ativo.

Possui cursos dos níveis de graduação, mestrado e doutorado na área de Ciências Militares, respectivamente, na Academia Militar das Agulhas Negras, Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Pós-Graduação MBA Executivo do Exército Brasileiro – Especialização – na Fundação Getulio Vargas – RJ.

Foi instrutor na Academia Militar das Agulhas Negras, na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Em 1985, estagiou na 101ª Divisão de Assalto Aéreo do Exército dos EUA, onde fez o Curso de Assalto Aéreo.

Em 1992/1993, foi Observador Militar das Nações Unidas, na missão de paz em El Salvador – América Central.

Em 1994/1995 fez o Curso de Altos Estudos Militares da Escola Superior de Guerra do Exército Argentino.

Em 1998/1999, foi comandante do 5º Batalhão de Infantaria Leve em Lorena – SP, unidade da Força de Ação Rápida do Exército. Na oportunidade, comandou missão de pacificação no sul do Pará em conflito entre o MST e fazendeiros locais.

Como oficial-general foi gerente do Programa Excelência Gerencial do Exército, Comandou a Escola de Comando e Estado-Maior e foi Secretário-Geral do Exército.

Recebeu dezessete condecorações nacionais e seis estrangeiras.

É professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, Diretor Da Área de Geopolítica e Conflitos do Instituto Sagres, em Brasília, e Conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, cargo não remunerado.

É palestrante e escreve artigos sobre geopolítica, estratégia, liderança, política nacional e a Força Expedicionária Brasileira, publicados em livros, jornais e revistas nacionais e estrangeiras. 

É casado com a Sra. Nadia Maria Rocha de Lima Paiva, há 45 anos, com quem tem dois filhos: Rodrigo de Lima Paiva - Ten Cel de Infantaria - e Fabio de Lima Paiva - Analista Sênior do Banco do Brasil - e quatro netos. 

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