Qua03202019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

15 Abr 2005

A desigualdade não é causa e a reintegração não é opção - final

Escrito por 

É necessário acabar com o subsídio que alimenta a vida ociosa, fútil e de mente estéril dos estudantes que se tornarão deputados prometendo favores, perdoando criminosos e fazendo escárnio do direito de viver de suas vítimas. © 2005 MidiaSemMascara.org

Vejamos aqui um exemplo da “superioridade européia”:

 

www.apaddi.org.br

Bem, a “superioridade” britânica é atestada pela lei que desarma o cidadão. Talvez eu tenha entendido errado a noção de superioridade defendida pelo criminologista: acho que o estudioso se referia a algum score de cemitérios. Talvez o número de mortos em decomposição prematuramente na Inglaterra e Gales ajude a manter os verdes prados da Velha Albion...

Também não parece interessar ao nosso deputado petista que a pena de morte nos EUA tenha sido bem sucedida na redução de homicídios[6]. Entre 1965 e 1980, quando ocorreu uma onda de contestação à pena de morte no país, a taxa de homicídios cresceu devido à interrupções na aplicação da pena capital. Os assassinatos passaram de 9.960 para 23.040 no período. A taxa de homicídios (por 100 mil hab.) dobrou, passando de 5,1 em 1965 para 10,2 em 1980. A partir de sua retomada entre 1995 a 2000 com uma média de 71 execuções por ano, a taxa declinou, passando de 10,2 (1980) para 5,7 (1999). Só no Texas, estado que mais aplica a lei, a redução foi de 60%.

O que se pode esperar quando o Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos diz, textualmente, que “a campanha [do desarmamento] é para pegar arma de homem de bem”?[7]

Democracia tem sido um termo usurpado em seu sentido original. Não tem sentido nenhum se a ela é amputada os deveres do cidadão aos quais estão relacionados, umbilicalmente, seus direitos. Nosso mainstream bem pensante soube reagir quando viram “sua” seara tentar ser encilhada com o “estatuto da imprensa”, o CFJ, mas não tem a mesma coragem (e inteligência) para perceber o mesmo em outros campos da vida social. Como disse o editorial da Apaddi (Liberdade e Democracia de 15 de agosto de 2004):

“A imprensa, que hoje reclama do totalitarismo, ajudou a que o Brasil chegasse ao ponto em que chegou. O ‘estatuto do desarmamento’ não é menos totalitário do que o ‘estatuto da imprensa’.”

A desigualdade não é o problema

“Desigualdade” virou um anátema para idiotas que não sabem focalizar a causa dos problemas sociais.

Muitos podem se comover com o malabarista no semáforo, apesar da maioria pagar seus impostos de fazer inveja a uma Noruega. E, ao mesmo tempo, procurar explicar o crime pela estrutura social, numa lógica simplista. E, deixando a hipocrisia de lado, muitos pedintes auferem renda superior a uma boa parte dos pobres que são assalariados. Muitos dão o sangue para chegar onde chegaram e ganham o que da “consciência social”, eufemismo para massificação midiática? A pecha de culpa pela desigualdade social. Tudo “explicado” por uma tola equação do jogo de soma zero onde se ganhamos é por que alguém perdeu.

O “Brasil politicamente correto” de hoje crê que uma loja da McDonald’s tem culpa pela estrutura social, mesmo que esta cadeia de fast food seja a 3a maior empregadora do país.[8] Portanto, o grotesco “espírito de Porto Alegre” do Fórum Social Mundial, o “encontro de imbecis” tem como conseqüência direta, desempregar trabalhadores e pais de família com seu boicote insano aos “produtos americanos”.

Uma sociedade igualitária não resolve o crime só por ser igualitária. Se assim o fosse, teríamos que ter uma diminuição da violência já, uma vez que a própria desigualdade tem diminuído. É simples entender por que: a parcela rica da sociedade brasileira teve perdas maiores no governo Lula que a parcela mais pobre. Em 2003, metade da população que ganha mais teve perdas de 8,1%, enquanto que a metade mais pobre perdeu 4,2%.[9] A queda geral foi de 7,4%. Não é maravilhoso? Estamos nos tornando uma sociedade igualitária! Iguais na miséria. Miseravelmente igualitários...

Como conseqüência do achatamento geral da renda nacional, o tão alardeado índice de Gini que mede a desigualdade passou de 0,563 para 0,555. (Quanto mais próximo de zero, maior o equilíbrio.) Só tivemos algo similar em nossa historia no último ano do governo Collor. Portanto, estamos nos aproximando da antípoda retórica do PT, mas que em termos práticos não há quase diferença econômica.

Mas, o que são o socialismo e o comunismo, na prática, se não isto?

O que é melhor: o crescimento econômico geral, mas com desigualdade ou a estagnação ou recessão gerais com igualdade? O melhor é crescimento com igualdade? Onde? Na Suécia? Quando este país amargou estagnação nos anos 80 e seu Welfare State balançou, quem investiu em sua economia? Se disse EUA, acertou. Então quer dizer que a Meca do Capitalismo salvou o Estado do Bem-Estar Social. Um país marcado pela desigualdade econômica, mas onde o de baixo tem acesso ao consumo e a estabilidade é que ajudou aquele que é exemplo de igualitarismo para socialistas moderados.

Muito tenho ouvido falar da desigualdade brasileira. O país já foi considerado o sexto mais desigual em distribuição de renda do planeta (atualmente, se diz que é o oitavo), mas se considerarmos que 10% apenas, aufere uma renda superior a R$ 3.000,00 ao mês, estamos diante de uma grande igualdade... Na miséria, é claro. E a causa, que é o que importa, reside no gasto público, na má aplicação deste e na corrupção. Dizer que são "ricos (empresários) explorando pobres (trabalhadores)" só traz benefícios para um populista.

Mas, a desigualdade que realmente oprime é pouco comentada.

Chefes de estado populistas são ricos, mas não ricos que lutaram e conquistaram sua riqueza às próprias custas, através de um empreendimento econômico. Ricos sim, através de ações corporativistas, agremiações políticas e lutando contra os outros ricos que mereceram. Se há algum mérito em nossos "ricos", representantes políticos e chefes de estado, é o de terem explorado os outros. Sobretudo, a esperança dos outros. Se é para acusar alguma “desigualdade”, esta é que é a danosa, a desigualdade imposta por ação política que se opõe, diametralmente, a alcançada produtivamente. Mas, desde que “a esperança venceu o medo” que isto não é mais, conveniente, ser dito.

Desigualdade de renda não é causa de nada, é conseqüência. Se é para explicarmos esta, deveríamos focalizar o que é a desigualdade produtiva. Quer melhorar a sociedade? Incentive a produtividade, tão mais simples. A não ser que se pretenda acabar com a febre de um doente colocando compressas de água fria em sua testa.

Não percamos mais tempo com isto. Se a igualdade não gera tanto crime na Noruega, Suécia, Dinamarca isto não tem a ver com economia, mas cultura.

Bangladesh ou Etiópia são países paupérrimos, mas o nível de violência é inferior ao Sudão ou a Chechênia devido aos cismas culturais que colocam estes em níveis similares de violência da “cidade maravilhosa”.[10] AR-15 e AK-47 para traficantes pode, o que não pode são 0,38s para cidadãos de bem, com armas registradas. Se uma cidade com maior concentração de renda como o Rio de Janeiro tem índices (relativos) de violência maiores do que, por exemplo, o interior do Tocantins, isto ocorre pela cultura e o sistema jurídico e aparato policial. Não tem a ver com renda, pois na capital carioca se teria menos motivos (econômicos) para roubar que o interior do Piauí. A questão é que, do ponto de vista utilitário, a atividade criminal tem compensado.

Liberdade sim, mas com responsabilidade

Um grupo com interesses legítimos ou uma corja, não importa, não tem o direito de bloquear uma estrada que dê acesso a uma escola, a um bairro ou a um hospital. Gostaria imensamente de saber se um dos deputados petistas estivesse levando sua mãe, vítima de um ataque cardíaco, para um pronto socorro e fossem barrados pelo MST se eles, ainda assim, diriam que é legitimo a liberdade deles se manifestarem (bloqueando estradas) impedindo as suas liberdades de quem quer viver.

O povo, caros deputados, sabe disto. Mas, o povo, caros deputados, não tem seguranças armados na porta de motéis que muitas autoridades brasileiras responsáveis pelo Estatuto do Desarmamento, têm como garantia de suas vidas e de seus fugazes prazeres.

Que é? Além de vocês decidirem quanto ganham, de legislarem em causa própria, vão decidir sobre a vida alheia?

O indivíduo, caros deputados, o indivíduo, este é o cerne e a célula mater de nossa sociedade. Nenhuma democracia plebiscitária pode anular certos direitos individuais básicos. É para isso que existe a república. Para limitar as pretensões de populismos que deturpam ou desviam o sentido de criação da própria democracia. Não é por que estamos em uma democracia que, democraticamente, podemos votar para criar uma ditadura, explícita ou mesmo sutil, mas ditadura. A maioria não pode anular o indivíduo em premissas básicas de convívio social.

Tais deputados, “bravos combatentes pelos direitos humanos” fizeram escola em centros universitários públicos. Lá foi que aprenderam a clamar por “responsabilidades sociais” e subsídios, muito subsídio. É fácil reclamar de injustiças sentado em frente aos computadores subsidiado por trabalhadores do setor privado para nada contribuírem à esta sociedade. Como se não bastasse o estado que eles próprios relegaram a universidade pública, ainda querem regular a universidade privada dizendo que elas não devem se parecer com um "shopping" (por que muitas têm praças de alimentação). Daí, o irônico de tudo isto é que eles serão os primeiros a "se venderem" quando tiverem a oportunidade de sair desta “vidinha” para outra, “vidona”, com gordas prebendas estatais. Eles serão os primeiros a se encostarem também em algum cargo comissionado de algum partido. E são os primeiros a quererem acumular suas aposentadorias.

Qualquer presidente, com hombridade, que chegasse ao poder neste país, precisaria tomar uma medida básica para acabar com tudo isto: fechar a torneirinha do subsídio que alimenta a vida pacata, ociosa, fútil e de mente estéril dos estudantes que se tornarão deputados prometendo favores, perdoando criminosos e fazendo escárnio do direito de viver de suas vítimas.

[6] “Pena de morte reduz homicídios nos EUA, aponta Jeff Jacoby”.

[7] O Estado de S.Paulo, caderno Aliás, 22/11/2004, p.4.

[8] Informações contidas em FONTENELLE, Isleide Arruda. O Nome da Marca: McDonald’s, fetichismo e cultura descartável. São Paulo: Fapesp: Boitempo Editorial, 2002, p.29. Nesta obra, frankfurtianamente marxista, segundo dados de 1999, enquanto a rede crescia 0,8% no mercado americano, ela aumentava o número de lojas em 40% no Brasil em 1998. Eram 33.010 empregados diretos, o maior grupo privado do país, só perdendo para as estatais, Correios e Telégrafos e Petrobrás.

[9] “Desigualdade diminui com renda menor para todos”. Valor Econômico – 30/09/2004 – edição 1107.

[10] “Independent diz que Rio de Janeiro é a ‘cidade da cocaína e da carnificina’”.

Leia também A desigualdade não é causa e a reintegração não é opção - I.

Última modificação em Quarta, 18 Setembro 2013 19:59
Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.