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02 Mai 2020

CONSCIENTEMENTE VENAIS

Escrito por 

Imagine, por fim, que esses indivíduos se acumpliciem com outros de segmentos igualmente responsáveis pelo atendimento dos interesses maiores da coletividade para ampliaram suas capacidades de atuarem em favor de si próprios, de seus grupos, impedindo outros grupos de terem suas aspirações atendidas.

 

Meus amigos.
Em diversas oportunidades anteriores, em minhas manifestações, deixei claro que acredito nas verdades definidas pelos postulados da Filosofia Univérsica (ou, como alguns a ela se referem, Filosofia Cósmica), cujo representante maior no Brasil é o catarinense Huberto Rhoden (1894 – 1981).
Assim, minhas análises e considerações estarão, sempre, embasadas pelos postulados dessa visão filosófica.
Segundo Rhoden, Teilhard de Chardin, Einstein (com quem Rhoden conviveu na Universidade de Princeton – New Jersey), entre outros pensadores, o homem é um ser evolvível e tem experimentado, ao longo dos tempos, um processo evolutivo, que o trouxe de um estágio instintivo ao seu estágio atual intelectivo, rumo a um estágio final de racionalidade.
Essa racionalidade se manifesta quando, diante de cada estímulo recebido da sua interação com o mundo que o cerca, o homem haja de forma absolutamente coerente com as referências que livremente assumiu para si.
Nos tempos atuais, muito poucos são aqueles que atingiram esse patamar evolutivo.
Há imensa maioria dos homens, hoje, vive o estágio intelectivo.
Possui inteligência, mas se comporta, diante de cada estímulo recebido, a partir de impulsos, motivações que, na maioria das vezes afronta as referências, os princípios, que supostamente incorporou na sua vida.
Segundo esses pensadores, uma parte significativa dessas respostas são, ainda, impregnadas por reações instintivas, manifestações atávicas do seu passado animal.

A título de exemplo, imagine-se uma mãe, caminhando com seu filho pequeno pela calçada de uma rua. De repente, o menino se solta da mão da mãe e sai correndo.
Quase certamente, a mãe após correr e pegar de volta a mão do filho, terá um comportamento explosivo, provavelmente gritando (“Eu já falei que você tem que ficar de mãos dadas comigo, quando estivermos na rua!”) e, até, em alguns casos, reagindo de forma física com o filho.
Reação puramente instintiva, decorrente do medo (descarga de adrenalina) que a possibilidade de ocorrer um mal ao filho produziu.
Provavelmente, na sequência, sua dimensão afetiva, fruto de uma reflexão inteligente, com base na sua referência maternal, a levará a abraçar ternamente o filho, baixando o tom de voz, complementada por uma ação carinhosa, como que externando, conscientemente, um arrependimento pela explosão anterior, que terá assustado o filho.
Manifesta-se, nesse caso, o conflito entre as dimensões instintiva e intelectiva do estágio evolutivo do homem.

Imagine-se, agora, o motorista que, se sentindo atrasado para seu compromisso seguinte, chegue a uma esquina e encontre o sinal de trânsito fechado. Premido pelo tempo, apesar de ter absoluta consciência de que o avanço de sinal de trânsito é um comportamento reprovado pela coletividade, decide prosseguir, ao constatar que não observou veículos vindo na via transversal. Sua dimensão intelectiva tenderá a levá-lo a encontrar algum tipo de raciocínio que se constitua em auto justificação e alivie seu constrangimento por fazer algo que sabe errado.
Esse é um caso típico de conflito entre as dimensões intelectiva e racional do homem.

Admita-se, agora, o conluio entre dois marginais que, decidam assaltar um motorista que observaram estar desatento em seu veículo.
Essa circunstância materializa, também, um conflito entre as dimensões intelectiva e racional de ambos os marginais, mas caracteriza, diferentemente do exemplo anterior, o desprezo intencional pelas referências que estão estratificadas pelo imaginário coletivo do grupo social a que pertence.

Para se proteger desse tipo de desrespeito, as sociedades definem normas que preveem as sanções que devem ser aplicadas àqueles que se comportam dessa forma, afrontado conscientemente as normas estabelecidas na expectativa de tornar harmônicas as relações entre os integrantes dessas sociedades.

Imagine, agora, o prezado leitor, que esse tipo de comportamento criminoso seja perpetrado por participantes dessa sociedade que integrem as suas camadas mais favorecidas, que possuam formação acadêmica, educacional, dos níveis mais altos, que não possam alegar desinformação, desconhecimento, despreparo.
Acredito que seja incontestável que a reprovação a esse comportamento criminoso há que ser muito mais efetiva.
Esse tipo de indivíduo, ainda que submetido por qualquer tipo de circunstância a um conflito intelectivo – racional, não deveria, em hipótese alguma, ceder à tentação do erro, já que, deveria possuir muito mais capacidade de compreender a necessidade de se comportar segundo as referências que teve oportunidade de conhecer e assimilar.

Deixando de lado o caráter teórico dessas reflexões e as restringindo à realidade do dia-a-dia, é triste se constatar que, na verdade, é justamente nesse segmento mais favorecido da coletividade em que se constatam os mais repugnantes comportamentos criminosos.
Até porque, enquanto o criminoso “pé de chinelo” comete crimes de pequena monta, o criminoso de colarinho branco, ao cometer seus crimes, normalmente em conluio com seus amigos quadrilheiros, gera prejuízos extremamente significativos à sociedade.

Considere, agora, o prezado leitor, a significância de que esses criminosos integrem os segmentos da sociedade encarregados de defender o interesse da coletividade. Que tenham sido guindados aos espaços que ocupam, por essa mesma sociedade, na expectativa de que desempenhassem suas funções totalmente motivados em atender aos reclamos daqueles que neles apostaram suas esperanças. Que se acumpliciaram aos semelhantes, para sorrateiramente produzir normas que os favorecessem pessoalmente ou ao seu grupo criminoso.

Imagine, agora, que esses indivíduos integrem órgãos da sociedade aos quais cabem assegurar que a legislação vigente seja plenamente respeitada para que o interesse maior da coletividade seja alcançado, mas se comportam de forma a atender, ainda que ao arrepio das leis vigentes, aos interesses dos seus apaniguados e impedir que grupos vistos como adversários sejam contemplados em seus pleitos.

Imagine, por fim, que esses indivíduos se acumpliciem com outros de segmentos igualmente responsáveis pelo atendimento dos interesses maiores da coletividade para ampliaram suas capacidades de atuarem em favor de si próprios, de seus grupos, impedindo outros grupos de terem suas aspirações atendidas.

Esses homens são vistos pela Filosofia Univérsica como semi-homens.
Neles não há conflito entre suas dimensões intelectivas e racionais.
Seus esforços intelectivos de busca de auto justificação são falácias, subterfúgios, manifestam desrespeito pela inteligência dos seus semelhantes.
São criminosos da pior espécie.
São conscientemente venais.

Última modificação em Segunda, 04 Maio 2020 22:36
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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