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11 Abr 2020

MÍDIA: SÓ INCOMPETÊNCIA.... OU MÁ FÉ TAMBÉM

Escrito por 

Não seja um inocente útil a serviço de profissionais desonestos, ou como tenho visto recentemente ser dito: não seja um idiota útil.

 

Meus amigos.

Entre os anos de 1992 e 2017, com alguns interregnos episódicos, ocupei cargos de alguma projeção na cidade de Campinas, onde me radiquei.
Foram cargos de Comando nas Organizações Militares do Exército com sede na cidade, ou no Governo Municipal e, mesmo, em entidades civis.
Como decorrência, me vi na circunstância, durante todo esse tempo, de interagir com a mídia local: jornais, emissoras de rádio e de televisão.
Com muito pouca chance de errar, posso afirmar que em quase cem por cento das oportunidades, as notícias que foram veiculadas, a partir das minhas entrevistas dadas, o foram com erros.
Em alguns casos, incompletas o suficiente para dar chance a interpretações ou conclusões erradas. Em outros, distorcendo de forma significativa o conteúdo repassado aos jornalistas, gerando matérias que, de forma alguma, correspondiam à realidade.
É claro que não poderia pretender que essa experiência local, possa permitir que se generalize, para âmbito nacional, o que se pôde constatar em Campinas. No entanto, algumas reflexões parecem poder explicar a perplexidade que, particularmente em momentos de maior efervescência sócio-política, tende a ser constatada pelo cidadão comum que integre segmento mais esclarecido da sociedade, em razão da constatação de que os fatos, como noticiados, não correspondem à realidade.
Enquanto nos cingirmos à admissão de que essas falhas se situam no âmbito da incompetência, parece pertinente que se registre que pude observar um claro despreparo da maioria dos profissionais com os quais me relacionei.
É compreensível que se entenda que um jornal, uma emissora de rádio, ou de televisão tende a não ter condições financeiras para manter em seus quadros profissionais experientes em número suficiente para que possam atuar em todas as áreas de atividade da sociedade com conhecimento adequado em cada caso.
Como já se registrou em artigo específico nesse espaço, tempos atrás, jornais, rádios e televisões, são, antes de tudo, empresas. No final de cada mês, o somatório das receitas, precisa ser superior ao das despesas. Gastos com pessoal, costuma ser um dos centros de custo mais caro das empresas.
Exceção feita ao futebol (há que se ter em qualquer veículo um “especialista” nesse esporte), a realidade é que não há como uma empresa possa ter número de jornalistas que corresponda a todo tipo de demanda que possa surgir no contexto da coletividade.

Com isso, no caso específico de um jornal, por exemplo, os “coitados” que integram a equipe da empresa, precisam ser versáteis e ter capacidade para cobrir qualquer evento, ou fato que ocorra no espaço físico de cobertura, compreendendo as circunstâncias, peculiaridades que o envolva, de forma a ser capaz de, ao intermediar sua transmissão ao público, evitar distorcê-lo, seja porque é neófito naquela área, seja porque tenha posição pessoal própria a respeito.
O prezado leitor pode supor que uma solução para superar esse problema seria preparar um “press release”, para o desafortunado, particularmente aqueles que atuam nas ruas, cobrindo os eventos os mais distintos.
Asseguro que não resolve. As distorções surgem do mesmo modo, porque o profissional, talvez até por brio, resolve dar sua contribuição para a confecção do texto e, aí, corta parte relevante, ou inclui detalhes absolutamente impertinentes.
O pior é que, em qualquer caso, o descompromisso com a realidade que deveria ser veiculada, finda por ser atribuída ao entrevistado.
Por diversas vezes, ao confrontar o jornalista posteriormente à veiculação de matéria incorreta, ouvi a justificativa de que a impropriedade produzida era da responsabilidade do redator.
Justificavam que, dependendo da relevância atribuída pelo redator ao tema da matéria, ela vai ocupar espaço específico no jornal, podendo ir para páginas interiores, precisando caber em espaços menores o que, naturalmente, exigiria redução de conteúdo. O que cortar? O redator decidia, sem a mínima chance de que não distorcesse a mensagem que iria ser levada ao público.

No caso das emissoras de rádio e televisão, a única chance de que se assegure transparência e correção na veiculação do conteúdo da entrevista dada é quando ela se dá ao vivo, sem interrupções ou cortes.
Caso contrário, a distorção tende a surgir no processo de edição, ainda que se admita somente incompetência por desconhecimento do tema tratado.
A necessidade de apresentar ao ouvinte / telespectador, no tempo disponível, a gama de informações selecionadas para divulgação acaba por exigir que aquele que edita o noticiário, selecione do total que foi gravado, aquele trecho que, no seu entender é relevante. Aí, nasce o erro.
Em diferentes momentos da minha vida profissional, tive oportunidade de conhecer a intimidade de emissoras de rádio e TV.
Em 1974, integrei equipe do PONTEL (Programa Nacional de Teleducação), convivendo no Rio de Janeiro na Rádio MEC e na TV Educativa.
Em 2003, assumi o cargo de Diretor de Planejamento Estratégico da TV Século XXI.
Nessas oportunidades, pude conhecer em detalhes os trabalhos de produção, edição e veiculação das matérias geradas em entrevistas abordando diversos temas.

É importante que se registre que, até aqui, se procurou destacar as fontes de falhas na veiculação de matérias em jornais, e emissoras de rádio e televisão fruto do despreparo, da incompetência dos profissionais envolvidos.

Quando se admite (e não há como não o fazer), que nesses contextos, até aqui discutidos, haja manifestação de má fé, o problema se torna significativamente mais grave.
Algumas considerações precisam ser elencadas, para que se possa ter uma visão mais concreta da seriedade desse problema.
Antes de tudo, não há como não se considerar que nos últimos trinta / quarenta anos, nas universidades brasileiras, particularmente no que se convencionou identificar como áreas de ciências humanas, os nossos universitários têm sido, desonestamente, impregnados de teorias ideológicas de esquerda.
Numa fase da vida na qual (a despeito de que se possa dizer que o mundo hoje oferece imensas facilidades de acesso à informação) esses jovens ainda não tiveram oportunidade de construir livremente suas referências, esse trabalho com inspiração Gramcista, finda por incutir nos futuros profissionais que irão ocupar espaços na mídia, referências distorcidas e que tenderão a levá-los a poderem ser manipulados na direção de se tornarem, ainda que inconscientemente, militantes a serviço dos interesses daqueles que buscam implantar no mundo a ideologia sócio-comunista, que, a despeito de ter fracassado ao longo de toda a história da humanidade, onde quer que se tenha tentado implantá-la, ainda, como utopia, se mostre cativante aos ouvidos incautos.

Assim, se tende, no caso de procurar visualizar as distorções que a mídia produz no seu suposto trabalho de informar a população, a enxergar dois tipos distintos de manifestação de má fé,
O primeiro seria gerado por aqueles que, absoluta e sinceramente convictos de que a cantilena comunista é pertinente, atuam na direção de interferir na produção e veiculação de matérias que, no seu entender, contribuem para desacreditar seus adversários políticos a valorizar o discurso da esquerda.
O segundo tipo, mais nojento, é dos que, independentemente de suas convicções, atuam de forma a obter algum tipo de favorecimento profissional ou financeiro com seu desempenho profissional.
Seja um repórter de rua, seja um entrevistador de estúdio, um âncora de programa jornalístico, ou um editor de matéria previamente gravada, ou um diretor de setor de programação (jornalística, novelas, entrevistas), ou, (o que supera toda e qualquer manifestação abjeta), um Diretor maior da empresa (presidente, diretor financeiro...), qualquer um que distorce a fidedignidade da informação conscientemente, merece ser repudiado como cidadão.
Seu comportamento estará a serviço do engodo, da manipulação, do acordeiramento da população, com fins escusos. Estarão se valendo da suposta credibilidade de seu veículo junto à coletividade para mentir, falsear, distorcer a verdade.

O prezado leitor perguntará. E daí?
Respondo. Duvide, especule, busque fontes alternativas de informação.
Nos dias de hoje, se dispõe de uma gama quase inesgotável de origens de todo o tipo de informação, que podem ser consultadas para que se possa construir convicções pessoais livremente.
Leia, ouça, assista versões antagônicas e decida por si próprio, no que acredita, o que deseja assumir como referência para sua vida.

Não seja um inocente útil a serviço de profissionais desonestos, ou como tenho visto recentemente ser dito: não seja um idiota útil.

Última modificação em Sexta, 17 Abril 2020 09:00
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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