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10 Abr 2020

ECCE HOMO

Escrito por 

O modo como funciona o raciocínio do nosso Presidente lhe torna o processo mental imprevisível e excêntrico.

 

POR: ANTONIO SEPULVEDA

 

A principal virtude do Presidente Bolsonaro, honestidade, parece escandalizar o político brasileiro padronizado; os defeitos dele, por isso mesmo, são passados ao público em tamanho descomunal. Ele não age nem reage como as tristes figuras que ocupam a Praça dos Três Poderes. A entrada em cena do Capitão, como diz o samba do crioulo doido, “o bode que deu vou te contar”.
Bolsonaro parece incapaz de fazer qualquer coisa com moderação. O modo como funciona o raciocínio do nosso Presidente lhe torna o processo mental imprevisível e excêntrico. Digam o que quiserem: que ele tem uma cabeça aberta às ideias, mas frequentemente fechada à razão; um raciocínio nada judicioso, nada analítico; ilógico em todos os sentidos. Chega às conclusões por um processo de intuição. Pode ser. Contudo, não se pode negar que, ao contrário da desarticulada Dona Dilma e do enrolador Lula da Silva, Bolsonaro expõe os fatos como eles são e, embora não seja um tribuno, sabe expressar-se de forma bastante aceitável.
Não ajuda, é claro, não ser ele um homem culto. Parece ter aprendido apenas o básico nas Agulhas Negras. É lamentável não ter lido obras literárias por puro diletantismo. Passa-me a impressão de que jamais se sujeitou a uma disciplina intelectual que lhe pudesse imbuir da importância da exatidão e do benefício do estudo sistemático. Não leu livros. O próprio Bolsonaro tem consciência das lacunas existentes em sua formação. Talvez sua pugnacidade o tenha desencaminhado. Adora uma refrega. Aguardava ansiosamente os debates na Câmara e se deleitava com as réplicas. No fundo, é de natureza pacata; um diabrete a fazer caretas para qualquer um que se intrometa em seu caminho.
Dizem que Bolsonaro não passa de um mero aprendiz da natureza humana, porém ele logo percebeu que os politiqueiros tupiniquins não medem os próprios passos pela inclinação da opinião pública. No caso dele, é o cúmulo dos paradoxos haver se destacado na vida pública, a fazer sombra aos contemporâneos, tendo em vista que o entendimento do comportamento humano, ao fim e ao cabo, é a essência da boa política.
Seja como for, a totalização dos itens das colunas de débitos e créditos não serve a qualquer propósito. Entre eleitores e seguidores, ninguém há que esteja interessado em ouvir falar das imperfeições do bravo Capitão de Artilharia. O êxito político de Bolsonaro não se construiu com o exercício do raciocínio. Ele é um animal competitivo, e o desejo de sobressair lhe domina a existência, e sua arma poderosíssima é dizer exatamente o que pensa sem subterfúgios ou sortilégios nem pejo de admitir os próprios erros.
Se por um lado Bolsonaro não é dado à autocrítica, também não é fútil; se parece egoísta e egocêntrico, também não é mundano. Recaiu, finalmente, sobre ele, nas pelejas verbais do plenário da Câmara, a iniciativa de guarnecer o único bastião de defesa de um Brasil que se debatia nas garras de políticos indecentes, desonestos, nepotistas e fisiologistas; iniciativa esta que dependia menos de um bom equilíbrio do raciocínio estratégico e mais de uma aversão insuperável pelo que é errado e intrinsecamente corrupto. No mundo interior do faz-de-conta no qual Bolsonaro encontra a realidade, não há lugar para canalhas e ladrões. O nome dele, por causa disso, se revestirá para sempre de uma imensa grandeza moral nos anais da História.
Bolsonaro realmente foi feito de encomenda para este momento do Brasil. Precisamos de um homem desarrazoado no comando. Acima de tudo, um homem idôneo. Acontece que um homem comprovadamente honesto não se coaduna com o espírito, com a mentalidade, com os vícios que poluem a política brasileira desde os tempos de El-Rey.
Foi com os discursos e atos agressivos contra a corrupção e em oposição à sordidez do socialismo que Bolsonaro atingiu os corações e as mentes do povo. O impacto dependeu em parte da mudança no humor do país. Nas mentes das pessoas, perante a roubalheira institucional reinante e vigorosamente agravada pelo Partido dos Trabalhadores, transbordava uma teimosa vontade de reagir à monstruosa patifaria daquela figura caricata de Lula da Silva que prefere ver a pátria arrasada em vez de entregá-la a alguém que realmente deseja implantar em nosso país uma genuína economia de mercado, livrando-nos definitivamente das garras do globalismo socialista.
Os brasileiros não estão acostumados com políticos que dizem a verdade, muito menos os próprios políticos apreciam essa prática estranha. Bolsonaro, apesar de todos os defeitos, não mente e tem a audácia de ser honesto entre gatunos vocacionais. Assim se explica o impacto causado pelo cenário atual do Brasil. Bolsonaro transformou-se em um homem com um propósito, absorvido na condução da luta. Ele nos deu fé e esperança no combate à corrupção. Há nele um elemento demoníaco como o que animava Calvino e Lutero. Bolsonaro gosta de fustigar uma motivação bombástica e logo percebeu que o país estava à procura de um símbolo de resistência; e o Capitão não é nem um pouco avesso a dar ao povo o que o povo espera dele; e o povo cansou das mentiras e exigiu a verdade por pior que fosse; e Bolsonaro lhes deu a verdade nua e crua como se fossem grandes nacos de carne sangrenta arremessados a cães famintos.

FONTE: CORREIO DA MANHÃ

Última modificação em Sábado, 18 Abril 2020 20:03
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