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10 Abr 2005

Reflexões Sobre os Conflitos Humanos

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E, de mais a mais, afirmar a existência de harmonia onde ela inexiste não é apenas uma atitude irresponsável e leviana. É antes de tudo, desumana, tanto quando qualquer ultimato de guerra.

Viva a paz! Eu sou da paz! Nunca uma palavra foi tão evocada como a tão pequena paz. Todavia, o que podemos entender por paz? Talvez seja essa, creio eu, a indagação que todos nós devíamos levantar. Mas, infelizmente, boa parte de nossa sociedade está tão plena da certeza de seus desatinos que acreditaria ser absurda uma proposta como a que trazemos a baila através deste modesto libelo.

Aí, por esse motivo mesmo, de maneira solitária, nos indagamos: o que é a tal da paz? Seria a ausência de atritos, de conflitos ou simplesmente de guerras? A ausência de guerras significa inexistência de conflitos e atritos? E se esses existem, os atritos e conflitos, seria uma situação considerada pacífica e por isso, melhor que uma guerra declarada? A paz poderia ser uma palavra utilizada para acobertar genocídios? Em nome dela, a paz, seria legítimo nos eximir de entrar em conflito com aqueles que estão a depredar a dignidade humana em nome da mesmíssima dignidade humana? O que é mais intolerável, uma guerra declarada ou um genocídio velado por um discurso pacifista? O que você pensa a respeito?

Em nome dos valores humanistas se levantam muitas vezes vozes poderosas contra determinados conflitos que poderiam ser desencadeados, mas, onde ficam os mesmos valores diante das pessoas que estão sendo violadas pelo silêncio e pela omissão da comunidade internacional? Por isso, imaginemos o que teria ocorrido se os aliados não tivessem declarado guerra a Alemanha Nacional Socialista de Adolf Hitler, como estaríamos hoje? Quem teria ganho a guerra e quais os valores societais que iriam se sobrepor ao mundo? Alias, será que estaríamos nesse ano de 2005 a refletir sobre os 60 anos de Auschiwitz, do martírio vivido nos campos de concentração ou estaríamos a comemorar o genocídio criminoso perpetrado naquele período?

Você já parou para pensar o que teria acontecido com o mundo se os Nazistas tivessem ganho a segunda guerra mundial? Bem, por sorte que os pendores pacifistas não se fizeram ecoar com tanta força naqueles idos das décadas de 30 e 40 da centúria passada.

Seguindo pela vereda das interrogações insólitas, nos indagamos se, após a referida guerra, ao invés de se ter mantido longos anos de diplomacia morna com a URSS, tivéssemos um conflito armado, quantas vidas não teriam sido poupadas? É, mas muitas vidas acabaram por serem ceifadas nos Gulags comunistas-stalinista e nas ruas (cerca de 61.000.000 de vidas aproximadamente. 53.000.000 civis desarmados mortos pelo governo soviético). Também pensemos em questões contemporâneas. Quantas vidas poderiam ter sido poupadas se a comunidade internacional reconhecesse que a China invadiu o Nepal e que matou mais de 1.000.000 de pessoas? Quantas vidas ainda podem ser poupadas se o mercado internacional reconhecesse que o que há na China não é uma economia de mercado mas escravidão estatal (o trabalhador chinês trabalha cerca de 16 horas por dia em troca de um mísero salário de US$ 30,00)? Quantas vidas não poderiam ter sido poupadas de um fim trágico se a ONU reconhecesse que o que está acontecendo no Sudão é um genocídio étnico-religioso (já foram mortos mais de 400.000 cristãos e outro tanto de praticantes de religiões tribais)?

Bem, muitas são as vítimas das guerras, mas você já parou para calcular o número das vítimas da \"paz\"? Não estamos aqui a defender um discurso belicoso, não mesmo. Estamos sim, nos indagando sobre a visão unilateral que muitas vezes se apresenta como sendo a mais sensata e supostamente civilizada para se resolver pendengas internacionais. A paz no sentido metafísico sendo aplicada em nosso mundo tecido em meio a uma complexa trama de relações de poder não passa de uma quimera, por vezes até, ilógica e mesmo perigosa.

Você já parou para conhecer a biografia dos grandes defensores da paz nos dias atuais? Não? Então procure ver quem é Fidel Castro (ditador a quase 5 décadas em Cuba), Hugo Chavez (atualmente com pretensões belicistas e guarda um golpe de Estado fracassado em seu currículo. Atualmente vem tolhendo as liberdades democráticas na Venezuela com leis que punem com detenção quem falar mal de \"el presidente\"), líderes do MST (que defendem abertamente a invasão de propriedades rurais. Só não vão mais adiante devidos aos dispositivos constitucionais), os Franceses de um modo geral (que forneciam armas para o iraquiamos junto com os alemães), o governo Russo (que combate com ferocidade os terroristas Tchetchenos) e por aí vai a lista.

Não estamos a afirmar a beatitude dos USA em sua intervenção no golfo Pérsico, mas lembrando que os seus opositores não são nem aqui e muito menos na China Santos ou autoridades angelicais a falarem em nome da paz, mas sim, representantes de grupos de interesse os mais escusos possíveis que usam de recursos erísticos para assim melhor manobrar a massa ignara que acredita piamente que está fazendo algo de bom guinado-se através de sua total ignorância dos fatos.

E, de mais a mais, afirmar a existência de harmonia onde ela inexiste não é apenas uma atitude irresponsável e leviana. É antes de tudo, desumana, tanto quando qualquer ultimato de guerra.

Última modificação em Quarta, 18 Setembro 2013 20:00
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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