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07 Abr 2020

CRISE - MANIQUEÍSMO - CONFLITO - GERENCIAMENTO

Escrito por 

O cidadão consciente não se atrela, cegamente, a líderes, partidos, grupos ou ideologias, mas sim a princípios, crenças e ideais revestidos de nobreza e dignidade.

 

Nessa crise político-sanitária-econômica, existem diferentes posições sobre como gerenciá-la. Alguns, automaticamente, defendem as propostas de lideranças políticas e de grupos de interesse conformes com suas próprias linhas de pensamento. Não analisam se as propostas camuflam interesses pessoais, partidários, grupais ou mesmo ideológicos ao arrepio do dever de servir à nação e aos irmãos brasileiros. Por outro lado, não conseguem ter o equilíbrio de conjugar o que cada uma tem de positivo e flexibilizar inteligentemente suas posições.
O cidadão consciente não se atrela, cegamente, a líderes, partidos, grupos ou ideologias, mas sim a princípios, crenças e ideais revestidos de nobreza e dignidade. O apoio a pessoas ou grupos de qualquer natureza não é irrestrito, mas condicionado ao cumprimento de valores morais e cívicos e à atuação em prol da nação, essa sim credora prioritária da lealdade do cidadão.
Em situações extremas como a atual, quando uma solução radical e maniqueísta possa levar o país ao caos, é preciso buscar caminhos alternativos, que mantenham suas benesses, mas neutralizem seus pontos fracos e permitam preservar, também, a saúde do país.
Assistimos a um diálogo de surdos, onde um lado é bem intencionado, mas será prejudicado e enfraquecido se dominado pela presunção e pelo radicalismo. Do outro lado, diversos atores personificam o que há de mais nefasto, fisiológico, patrimonialista e velhaco no cenário político. Não há mais como fugir ao embate político, pois já é a realidade do contexto vivido. Cabe agora gerenciar, não só a crise, mas também o conflito não o escalando, descuidadamente, mas o conduzindo com responsabilidade e sabedoria, de modo a que a sociedade não seja ainda mais prejudicada do que já foi.
No conflito que, desafortunada e irresponsavelmente, a crise se transformou, líderes capazes irão gerenciá-lo negociando com idealismo pragmático, temperado por realismo ético. Tentarão impor-se aos atores da política velhaca, estrategicamente, por manobras indiretas, desequilibrando o adversário não com ataques frontais, que só se empregam quando há total superioridade de meios e esse não é o quadro atual.
O gerenciamento desse conflito não está, logicamente, no campo militar, mas sim nos campos político e psicossocial, onde levará vantagem quem agir de forma sutil e indireta, agindo sobre os pontos sensíveis do adversário, previamente identificados, desequilibrando-o e enfraquecendo-o nos campos citados. Posições e manifestações radicais, sucessivas e impensadas de quem esteja mergulhado emocionalmente na tempestade, não contribuem e podem fortalecer o oponente. Que se ouça o assessoramento do gabinete de crise e se use o porta-voz, deixando para intervir em momentos de decisão a exigir a voz do líder.
Outro problema, uma das maiores ameaças ao êxito no gerenciamento de conflitos, é quando um outro conflito ocorre dentro do próprio gabinete ou entre o líder e o gabinete.

É uma tarefa difícil, mas não incomum, o líder ter que gerenciar vaidades e interesses pessoais existentes no próprio gabinete de crise, ao tempo em que precisa disciplinar sua própria personalidade.
Eis aí um gerenciamento no gerenciamento.

Última modificação em Terça, 07 Abril 2020 20:24
Luiz Eduardo Rocha Paiva

O General de Brigada Luiz Eduardo Rocha Paiva nasceu na cidade de Niterói (RJ) em 07 de setembro de 1951.

Foi graduado Oficial da Arma de Infantaria em 1973, na Academia Militar das Agulhas Negras e passou à reserva remunerada em 2007, com mais de 40 anos de serviço ativo.

Possui cursos dos níveis de graduação, mestrado e doutorado na área de Ciências Militares, respectivamente, na Academia Militar das Agulhas Negras, Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Pós-Graduação MBA Executivo do Exército Brasileiro – Especialização – na Fundação Getulio Vargas – RJ.

Foi instrutor na Academia Militar das Agulhas Negras, na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Em 1985, estagiou na 101ª Divisão de Assalto Aéreo do Exército dos EUA, onde fez o Curso de Assalto Aéreo.

Em 1992/1993, foi Observador Militar das Nações Unidas, na missão de paz em El Salvador – América Central.

Em 1994/1995 fez o Curso de Altos Estudos Militares da Escola Superior de Guerra do Exército Argentino.

Em 1998/1999, foi comandante do 5º Batalhão de Infantaria Leve em Lorena – SP, unidade da Força de Ação Rápida do Exército. Na oportunidade, comandou missão de pacificação no sul do Pará em conflito entre o MST e fazendeiros locais.

Como oficial-general foi gerente do Programa Excelência Gerencial do Exército, Comandou a Escola de Comando e Estado-Maior e foi Secretário-Geral do Exército.

Recebeu dezessete condecorações nacionais e seis estrangeiras.

É professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, Diretor Da Área de Geopolítica e Conflitos do Instituto Sagres, em Brasília, e Conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, cargo não remunerado.

É palestrante e escreve artigos sobre geopolítica, estratégia, liderança, política nacional e a Força Expedicionária Brasileira, publicados em livros, jornais e revistas nacionais e estrangeiras. 

É casado com a Sra. Nadia Maria Rocha de Lima Paiva, há 45 anos, com quem tem dois filhos: Rodrigo de Lima Paiva - Ten Cel de Infantaria - e Fabio de Lima Paiva - Analista Sênior do Banco do Brasil - e quatro netos. 

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