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03 Abr 2020

IMPLANTAÇÃO DO SOCIALISMO NO BRASIL - 2a TENTATIVA

Escrito por 

Nos anos 1960, a Guerra Fria agitava o mundo com os EUA e a URSS em disputa pela hegemonia global

 

A posse de Jango, em setembro de 1961, facilitou o movimento revolucionário, ao qual o Presidente se aliou e tentou conduzir conforme interesse pessoal de permanecer no poder.

Nos anos 1960, a Guerra Fria agitava o mundo com os EUA e a URSS em disputa pela hegemonia global. A adesão do Brasil ao bloco socialista era uma prioridade da URSS, pois arrastaria toda a América do Sul. Os oponentes tinham visões distintas de como o Estado proporciona desenvolvimento, segurança e bem-estar à nação. À visão capitalista, liberal, democrática e aos valores cristãos nos EUA contrapunha-se à visão socialista, centralista, totalitária e materialista na URSS. Os valores nacionais se identificavam mais com a visão norte-americana, embora ambas não servissem ao País, em uma forma pura, pois nossas peculiaridades indicavam um modelo entre o democrata liberal e o democrata social, mas não o socialista, seja marxista, seja fabianista (social democrata).
A segunda tentativa de implantação do socialismo no Brasil começou no início dos anos 1960, sob a forma de revolução pacífica, modelo pós-stalinista implantado por Krushev em 1956 e empregado pela URSS na política de coexistência pacífica com as potências democráticas. A condução do processo foi liderada pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), então na ilegalidade, mas atuando com liberdade. A posse de Jango, em setembro de 1961, facilitou o movimento revolucionário, ao qual o Presidente se aliou e tentou conduzir conforme interesse pessoal de permanecer no poder.
A tomada do poder foi preparada com infiltração em instituições e organizações políticas, militares, estudantis, sindicais e sociais; pressões de base e de cúpula; intensa agitação e propaganda (subversão) para criar o clima revolucionário; e preparação da luta armada como golpe final se necessário.
A revolução socialista foi se tornando visível. Em 1963, o plano econômico ortodoxo do ministro Celso Furtado, para enfrentar grave crise na economia, foi abandonado por Jango em prol das reformas de base[1], pois impunha um alto custo político. Sem apoio no Congresso Nacional (CN), Jango ameaçava implantar as reformas ao arrepio da Constituição. O Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), controlado pelo PCB, decretava sucessivas e danosas greves gerais, com o beneplácito do governo, e impunha a Jango trocas sucessivas de ministros, nomeando pessoas identificadas com a esquerda. Em setembro, praças da Marinha e da Aeronáutica, que se rebelaram em Brasília ocupando ministérios e o aeroporto, após serem presos, foram soltos e perdoados por Jango. Em outubro, o Presidente enviou mensagem ao CN, solicitando autorização para decretar Estado de Sítio e intervir nos governos oposicionistas da Guanabara e São Paulo, mas não teve êxito. Desistiu sob uma forte reação, inclusive do PCB, ciente do projeto pessoal de Jango e temendo o grande poder que teria um aliado apenas por oportunismo. Em dezembro, foi apreendido um carregamento de armas para o Movimento Revolucionário Tiradentes, fundado por Francisco Julião em Goiás.
Em 1964, Miguel Arraes e Francisco Julião arregimentavam milícias e Ligas Camponesas no Nordeste, que pleiteavam reforma agrária na lei ou na marra. Brizola pregava reforma ou revolução e concitava os soldados a pegarem em armas para pressionar o CN pelas reformas de base. Criara centenas de Grupos dos Onze, embrião do Exército Popular de Libertação, em cujos estatutos[2] constavam: o emprego de escudos civis, inclusive mulheres e crianças; a prisão e julgamento sumário de oponentes ao movimento; e o fuzilamento sumário e imediato dos reféns no caso de derrota. Eis o novo herói nacional sagrado pela ex Presidente Dilma.
Luiz Carlos Prestes anunciara que o PCB estava no governo, mas ainda não detinha o poder, e que o Brasil disputava a glória de ser o segundo país do continente a implantar o socialismo.
A escalada do golpe comunista começou em 13 de março de 1964, no Comício da Central do Brasil (RJ), com a imposição de reformas de base via decretos, atropelando a lei, o direito de propriedade e as prerrogativas do CN; e com a exortação à anarquia nas ruas pelo próprio Presidente e aliados. O CGT deu um ultimato ao CN, ameaçando tomar medidas concretas se a reforma da Constituição não saísse em trinta dias. A tentativa de neutralizar e dividir as Forças Armadas (FA), quebrando a hierarquia e disciplina, intensificou-se em 26 de março com o motim dos marinheiros. Após sua prisão, foram soltos por Jango, sem punição, e comemoraram em passeata, carregando nos ombros o almirante comandante do Corpo de Fuzileiros Navais. Em 30 de março, no jantar de apoio de praças a Jango no Automóvel Clube do RJ, o Presidente defendeu os amotinados e ameaçou os oficiais que protestavam contra a indisciplina.
Em uma sociedade religiosa e conservadora, politicamente imatura e com instituições débeis para lidar com graves crises políticas, a imposição de reformas de cunho comunista e o clima revolucionário insuflado pelo próprio governo geraram insegurança, desconfiança e reação decidida. Em todo o País, houve gigantescos protestos, nas Marchas da Família com Deus pela Liberdade, e os militares legalistas, o grosso das FA, mudaram de posição e admitiram agir contra o governo. Jango, que tivera respaldo nacional para tomar posse em 1961, perdera o apoio das instituições, dos partidos e do povo em 1964. Cedera, para Prestes, Brizola e os sindicatos, a liderança do golpe que tentara conduzir segundo seu propósito de permanecer no poder.
A mídia denunciava o golpe comunista com manchetes semelhantes à da Folha de São Paulo de 27 de março de 1964[3], apresentada como exemplo: Até quando as forças responsáveis deste país, as que encarnam os ideais e os princípios da democracia, assistirão passivamente ao sistemático, obstinado e agora já claramente declarado empenho capitaneado pelo presidente de República de destruir as instituições democráticas? Em 1º de abril de 1964, novas gigantescas manifestações populares em todo o País respaldaram o Movimento Civil-Militar que, sem derramamento de sangue, sepultou a segunda tentativa de implantar o socialismo no Brasil.
[1] Reformas nos setores bancário, fiscal, urbano, administrativo, agrário e estudantil, que se restringiam apenas a um conjunto de slogans populistas, como marketing para insuflar o clima revolucionário. Nunca foram explicitadas em projetos com estratégias, metas e ações concretas. Seu apoio se limitava ao PCB e aliados, sindicatos e políticos de esquerda e pequena parcela da população iludida pela propaganda.
[2] Site João Bosco Leal: http://joaoboscoleal.com.br/2011/03/25/grupo-dos-11-o-braco-armado-de-brizola/ (acesso em 27-12-201). Transcreve texto do site de Mariza Tavares jornalista da CBN.
[3] Outros exemplos, mesmo antes do “31 de Março”, podem ser pesquisados em Fonte insuspeita: BERTOLINO, Osvaldo. Radiografia do Golpismo:
http://outroladodanoticia.com.br/2015/12/13/osvaldo-bertolino-radiografia-do-golpismo/ (acesso em 26-12-2015).
As manchetes de 31 de março de 1964 e posteriores atestam a posição de toda a mídia.

Luiz Eduardo Rocha Paiva

O General de Brigada Luiz Eduardo Rocha Paiva nasceu na cidade de Niterói (RJ) em 07 de setembro de 1951.

Foi graduado Oficial da Arma de Infantaria em 1973, na Academia Militar das Agulhas Negras e passou à reserva remunerada em 2007, com mais de 40 anos de serviço ativo.

Possui cursos dos níveis de graduação, mestrado e doutorado na área de Ciências Militares, respectivamente, na Academia Militar das Agulhas Negras, Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Pós-Graduação MBA Executivo do Exército Brasileiro – Especialização – na Fundação Getulio Vargas – RJ.

Foi instrutor na Academia Militar das Agulhas Negras, na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Em 1985, estagiou na 101ª Divisão de Assalto Aéreo do Exército dos EUA, onde fez o Curso de Assalto Aéreo.

Em 1992/1993, foi Observador Militar das Nações Unidas, na missão de paz em El Salvador – América Central.

Em 1994/1995 fez o Curso de Altos Estudos Militares da Escola Superior de Guerra do Exército Argentino.

Em 1998/1999, foi comandante do 5º Batalhão de Infantaria Leve em Lorena – SP, unidade da Força de Ação Rápida do Exército. Na oportunidade, comandou missão de pacificação no sul do Pará em conflito entre o MST e fazendeiros locais.

Como oficial-general foi gerente do Programa Excelência Gerencial do Exército, Comandou a Escola de Comando e Estado-Maior e foi Secretário-Geral do Exército.

Recebeu dezessete condecorações nacionais e seis estrangeiras.

É professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, Diretor Da Área de Geopolítica e Conflitos do Instituto Sagres, em Brasília, e Conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, cargo não remunerado.

É palestrante e escreve artigos sobre geopolítica, estratégia, liderança, política nacional e a Força Expedicionária Brasileira, publicados em livros, jornais e revistas nacionais e estrangeiras. 

É casado com a Sra. Nadia Maria Rocha de Lima Paiva, há 45 anos, com quem tem dois filhos: Rodrigo de Lima Paiva - Ten Cel de Infantaria - e Fabio de Lima Paiva - Analista Sênior do Banco do Brasil - e quatro netos. 

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