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28 Mar 2020

ADEQUAÇÃO SEMÂNTICA

Escrito por 

Ocorre que políticos, em qualquer esfera do poder público, se “ofereceram” para trabalhar em favor do interesse de seus eleitores.

 

Meus amigos.

PETRÔNIO, no seu clássico SATIRICOM, impreca contra os senadores romanos por, no seu entender, ao fazerem uso indiscriminado e irresponsável de adjetivos e advérbios, estarem enfraquecendo e banalizando o valor semântico das palavras.
A lógica do escritor romano era de que, quando se utiliza irresponsavelmente uma palavra, qualquer que seja a intenção daquele que o faz, lhe retira a força do seu significado.
A título de exemplo, quando se atribui a algo simplesmente bonito o adjetivo lindo, se perde a capacidade de, quando diante de algo efetivamente lindo, valer-se desse adjetivo, uma vez que se o estaria igualando àquele algo simplesmente bonito com o qual se “gastou” a expressão.
Inversamente, quando diante de algo inquestionavelmente lindo, se utiliza o adjetivo “bonitinho”, fica-se sem forma de, depois, se fazer referência a algo simplesmente bonitinho.

O prezado leitor poderá estar se perguntando a troco de que se faz a ressurreição da imprecação de Petrônio.

O que se deseja propor que seja refletido é a utilização, pelos brasileiros, de adjetivos com o objetivo de identificar da forma mais adequada possível uma parcela dos nossos políticos.

Em razão de falta de sintonia desses nossos empregados (somos nós que os sustentamos e sustentamos as entidades, instituições e órgãos nos quais estão empregados e regiamente pagos) com os anseios e interesses da sociedade que deveriam estar representando e, particularmente, em razão dos escândalos em que parcela significativa desses indivíduos está envolvida, inclusive respondendo a processos judiciais, a sociedade tem lhes atribuídos qualificações como desonestos, corruptos, irresponsáveis, entre outros.

Acontece que ao indivíduo que aumenta indevidamente o preço do produto que coloca à venda se pode atribuir o adjetivo desonesto.
De forma semelhante, a um indivíduo que aceite uma propina para adotar postura ou comportamento indevido ao ocupante do seu cargo numa empresa, poder-se-ia tachar de corrupto.
Um cidadão que avance um sinal fechado, ou outro que dirija um automóvel alcoolizado, mereceria receber o adjetivo de irresponsável.

Ocorre que políticos, em qualquer esfera do poder público, se “ofereceram” para trabalhar em favor do interesse de seus eleitores. Pediram, quase imploraram, para receber os votos que lhe permitiriam ocupar o cargo pretendido.

Assim sendo, suas faltas ganham dimensão muito superior e proporcional às responsabilidades que se ofereceram para desempenhar.

A partir das considerações anteriores, andei peregrinando por dicionários e fontes semelhantes na expectativa de que pudesse encontrar algum adjetivo que se me apresentasse como mais adequado para ser atribuído àqueles nossos representantes que deixassem claro assumir posições inquestionavelmente na contramão do interesse da população brasileira.

Deixo, na sequência, alguns adjetivos que poderiam se mostrar mais adequados.
Naturalmente, o prezado leitor saberá identificar aquele que, a seu critério se mostre mais pertinente, ou rejeitá-los todos, ou, ainda, até mesmo, identificar outros tantos que, a seu ver se mostrem mais adequados.

Para auxiliar a avaliação dessa pertinência, agrego, a cada um, alguns sinônimos/descrição, que encontrei nas fontes consultadas:
Crápula – canalha, patife, cafajeste, vagabundo, miserável;
Escroque – aquele que se apodera de bens alheios por meios ardilosos e fraudulentos;
Pulha – canalha, tratante, vil, bandido, moleque, mau-caráter.

Última modificação em Sexta, 03 Abril 2020 16:25
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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