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23 Mar 2020

O LEGADO MORAL DE CAXIAS

Escrito por 

“Aceito o convite, a minha espada não tem partido” (Caxias, ao ser convidado para comandante-em-chefe na Guerra do Paraguai).

 

O legado de Caxias, e dos heróis que fizeram a História do Exército, é o compromisso de lealdade à Pátria, que está acima de tudo, inclusive da lei se, por meio dela, não for possível garantir a integridade da Pátria, a coesão nacional, a paz social, a justiça com legitimidade e a liberdade com responsabilidade.
A Nação instituiu o Estado, sendo o Exército, junto com as Forças irmãs, o braço armado para servi-la e, esgotados os meios legais, para não permitir que dela se sirva quem quer que seja. O dever do Estado é garantir desenvolvimento, bem-estar e segurança à Nação, pautando as instituições que o compõem, entre elas o Exército, pelo disposto na Constituição. Porém, é fundamental que as lideranças políticas ajam de forma legítima e não como uma cleptocracia do poder, que ameaça o futuro da Nação pela corrupção endêmica e pelo fisiologismo e patrimonialismo doentios. 
O contexto nacional entre 1994 e 2016 foi diferente do vivido por Caxias no Brasil Imperial, quando a liderança do país, encabeçada por D. Pedro II, era compromissada com a Nação. Ao contrário, nas duas décadas de governos socialistas, os interesses nacionais subordinaram-se a políticas de cunho ideológico, populista e internacionalista, com foco na permanência dos socialistas no governo para a futura conquista do poder.
Desmoralizaram o Estado, como indutor e partícipe do desenvolvimento nacional, enfraqueceram as instituições e a justiça, causando retrocesso ao aperfeiçoamento da democracia e comprometendo a crença no futuro do país. Corromperam e depravaram a sociedade com o constante ataque aos valores morais, cívicos e cristãos e à instituição da família, etapas da implantação do regime socialista.
Tentaram, também, neutralizar as Forças Armadas, mas aí falou mais alto a barreira da sólida formação e do perene compromisso delas com a Pátria e com nossa História, tradições e valores castrenses, morais e cívicos.
Na política externa, arriscaram a soberania, o patrimônio e a integridade territorial, cedendo a pressões internacionais e, ainda, comprometeram a coesão do país, com suas políticas desastrosas na Amazônia, nas questões indígena e quilombola, bem como desprezando o fortalecimento do poder militar para a defesa do Brasil.
Será que Caxias, nesse nefasto contexto político, enfrentaria o conflito de consciência, traduzido no dilema: “lealdade ou disciplina?”. Negativo! “Trata-se de um aparente dilema, pois a lealdade à Nação é, em síntese, manifestação de disciplina em seu grau mais elevado, considerando a missão constitucional das Forças Armadas e o juramento do militar à Bandeira Nacional. Esta lealdade se mostra, inicialmente, pela coragem de alertar a sociedade, claramente, sobre a ameaça que se está concretizando, uma vez esgotados os meios de sensibilizar a liderança nacional. Cabe à sociedade exercer, por meio de seus representantes, o poder que emana do povo em uma democracia. Que demonstre maturidade, dignidade e amor à Pátria, pois é hora de evidenciar que não precisa ser tutelada e se interessa pelo futuro soberano do País num mundo onde o jogo do poder é uma realidade permanente. As Forças Armadas, por sua vez, devem continuar alertando a Nação, cada vez com mais ênfase, para não serem responsabilizadas por se omitirem em momento tão delicado como o que vive o Brasil” (artigo que publiquei no Estadão de 07/05/2008).
O chefe militar, como qualquer cidadão, deve ter limites auto impostos, inclusive no tocante a normas disciplinares. Sua obrigação moral é tomar decisões arriscadas para si próprio, assumindo as responsabilidades correlatas, quando colocado diante de situações extremas que ameacem o futuro da Pátria - soberania, patrimônio e integridade - ou possam ferir gravemente os princípios da justiça e da legitimidade, bem como a coesão nacional e a paz interna.

"É uma benção que em todas as épocas alguém tenha tido individualmente bastante e coragem suficiente para continuar fiel às suas convicções" - Robert Ingersoll

Luiz Eduardo Rocha Paiva

O General de Brigada Luiz Eduardo Rocha Paiva nasceu na cidade de Niterói (RJ) em 07 de setembro de 1951.

Foi graduado Oficial da Arma de Infantaria em 1973, na Academia Militar das Agulhas Negras e passou à reserva remunerada em 2007, com mais de 40 anos de serviço ativo.

Possui cursos dos níveis de graduação, mestrado e doutorado na área de Ciências Militares, respectivamente, na Academia Militar das Agulhas Negras, Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Pós-Graduação MBA Executivo do Exército Brasileiro – Especialização – na Fundação Getulio Vargas – RJ.

Foi instrutor na Academia Militar das Agulhas Negras, na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Em 1985, estagiou na 101ª Divisão de Assalto Aéreo do Exército dos EUA, onde fez o Curso de Assalto Aéreo.

Em 1992/1993, foi Observador Militar das Nações Unidas, na missão de paz em El Salvador – América Central.

Em 1994/1995 fez o Curso de Altos Estudos Militares da Escola Superior de Guerra do Exército Argentino.

Em 1998/1999, foi comandante do 5º Batalhão de Infantaria Leve em Lorena – SP, unidade da Força de Ação Rápida do Exército. Na oportunidade, comandou missão de pacificação no sul do Pará em conflito entre o MST e fazendeiros locais.

Como oficial-general foi gerente do Programa Excelência Gerencial do Exército, Comandou a Escola de Comando e Estado-Maior e foi Secretário-Geral do Exército.

Recebeu dezessete condecorações nacionais e seis estrangeiras.

É professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, Diretor Da Área de Geopolítica e Conflitos do Instituto Sagres, em Brasília, e Conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, cargo não remunerado.

É palestrante e escreve artigos sobre geopolítica, estratégia, liderança, política nacional e a Força Expedicionária Brasileira, publicados em livros, jornais e revistas nacionais e estrangeiras. 

É casado com a Sra. Nadia Maria Rocha de Lima Paiva, há 45 anos, com quem tem dois filhos: Rodrigo de Lima Paiva - Ten Cel de Infantaria - e Fabio de Lima Paiva - Analista Sênior do Banco do Brasil - e quatro netos. 

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