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18 Mar 2020

FORÇAS TERRÍVEIS

Escrito por 

Por conta desse cenário surgiu uma grande esperança que, lamentavelmente, a tal classe política abjeta destruiu e que acabou desaguando na Revolução de 1964.

POR: JOSÉ MAURÍCIO DE BARCELLOS

Começo dizendo que não estou misturando estações heterogêneas, mas apenas chamando atenção para um ponto comum que permeia desde o tempo da velha república ou de meados do século passado para esta parte, qual seja: a perniciosa e nefanda influência da classe política em relação ao destino desta “Terra Brasilis” e o concurso daquela que desaguou na desgraça que se abateu sobre nossa gente, nas últimas décadas. Então, vamos lá.
Depois de muitos governos corruptos, chegou-se ao auge da roubalheira no País (embora nada que se parecesse ao descalabro petista de hoje) durante o mandato de um antigo finório – uma espécie de FHC da época, matreiro no gesto e surpreendente no trato – um mineiro que não tinha apreço algum pelo Rio de Janeiro chamado Juscelino Kubistchek que, a partir da criação de Brasília-DF, desencadeou a institucionalização da corrupção no Brasil, pela distribuição abusiva de remunerações e vantagens pagas em dobro a funcionários públicos; com a doação de luxuosas mansões no requintado Lago Sul de Brasília; igualmente de suntuosos apartamentos para apaniguados do Planalto e de mais toda sorte de falcatruas e privilégios custeados com dinheiro do erário, em prol de quem tivesse que deixar o Rio para ir morar na nova capital.
Lembro-me, também, de que dos inquéritos policiais-militares ou judiciais e da crônica dos anos 60 constavam até que Juscelino havia recebido como propina de um grande empresário presidente do Banco do Brasil e duas vezes Ministro Fazenda de seu governo, Sebastião Paes de Almeida – o Tião Medonho – uma espécie de “tríplex do lula”, em Copacabana no Rio de Janeiro e em relação ao mesmo (tal como alegou “Ogro Duplamente Condenado”), fez constar para o distinto público que era de um amigo dele.
 
Por conta desse cenário surgiu uma grande esperança que, lamentavelmente, a tal classe política abjeta destruiu e que acabou desaguando na Revolução de 1964. Falo da eleição do Presidente Jânio Quadros, em 1960. Como é consabido, Jânio representava a esperança de uma revolução pela qual o povo ansiava. Embora Jânio fosse considerado um conservador – era declaradamente anticomunista – seu programa de governo foi um pouco revolucionário, mas inconstante e ambíguo. Propunha a modificação de fórmulas antiquadas, uma abertura a novos horizontes, que conduziria o Brasil a uma nova fase de progresso, sem inflação, em plena democracia, mas não teve sucesso. O Presidente Jânio Quadros subiu ao poder, com apoio da direita e da ala mais populista do getulismo. Apesar de não contar com maioria no Congresso, passou a governar com grande força, eleito que fora por maioria absoluta, porém, acabou renunciando.
Em sua carta, anexa ao bilhete de renuncia que encaminhou ao Congresso Nacional, Jânio disse: “(….) Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou indivíduos, inclusive, do exterior. Forças terríveis levantam-se contra mim, e me intrigam ou infamam, até com a desculpa da colaboração. Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranquilidade, ora quebradas, e indispensáveis ao exercício da minha autoridade (…)”.
Inobstante as revelações de seu neto, colhidas do ex-presidente 30 anos depois da renúncia, em seu leito de morte há 28 anos (16/02/1992), no sentido de que seu ato foi, em verdade, uma tentativa desesperada de assumir maiores poderes que o permitissem combater os vendilhões da Pátria, ele acreditava que não haveria ninguém para assumir a presidência, pois os militares, os governadores e principalmente o povo nunca aceitariam sua renúncia. Pensava que iriam exigir que ficasse no poder, porque “seu vice-presidente Jango Goulart – um corrupto de carteirinha e comparsa do agitador comunista Leonel Brizola – era inaceitável para a elite”.
De qualquer ângulo que se examine o caso na essência uma circunstância surge clara e insofismável. Outrora como agora um governo que veio para pôr fim ao domínio do establishement ladrão e usurpador está sendo duramente bombardeado, petulantemente desafiado pelos os demais poderes, donos das benesses e dos privilégios. Aqui e agora o resumo da ópera é o seguinte, o Congresso com o apoio da banda podre do STF já decidiu: ou Bolsonaro os deixa roubar ou não governa. Jânio tinha o apoio de grande parcela da população, mas não tinha do Parlamento e nem dos militares. Now a situação não é como antigamente. Nunca um Presidente da República teve tanto apoio do povão. Com exceção dos governos militares, nenhum outro governante teve o unânime apoio das Forças Armadas e também das mais honradas e brilhantes cabeças de nossa sociedade como um todo. Em síntese, o Capitão tem agora a legitimidade, a oportunidade e a força. A assim digo: se cuide vermelhada! Se acautele!
Desde a posse do novo governo, forças terríveis têm se levantado sistematicamente. Para chegar até aqui Bolsonaro e sua equipe suaram sangue, mas não esmoreceram. Com inequívocos exemplos de tolerância e de apreço à democracia, inobstante algumas justas caneladas para impor o devido respeito, Bolsonaro está vendo a canalha crescer e, através de sórdida tentativa guerrilheira, desafiar os novos tempos todo santo dia. Os “Mandarins Solta Bandidos” do STJ legislam e fustigam o executivo dia sim dia não; o Congresso então nem se fala, chantageia o Presidente e seus ministros de manhã, à tarde e à noite e todos juntos sonham que, unidos às quadrilhas de Lula e Dilma, incensados pelos “Barões da Comunicação” e seus penas de aluguel, vão emparedar o “Mito das Ruas” e instituir o parlamentarismo para fazer de “Alcolumbre Batoré” ou de “Rodrigo-Nhonho-Botafogo-Jatinho-Debiloide-Maia” um primeiro ministro, ou seja, devolver o poder para o que há de mais desprezível na política nacional. São estas as forças terríveis aquelas a que Jânio se referiu no passado, só que agora o resultado será bem diferente e, por conta disto, o corajoso e respeitadíssimo General Augusto Heleno, Ministro Chefe do Gabinete Institucional da Presidência da República, já mandou um duro recado para a caterva de sempre.
Registrem um pouco do que os contra já lograram alcançar. Contra a vontade da maioria que elegeu Bolsonaro, o Congresso represou a liberação das armas, deixou o excludente de ilicitude de lado, trancou os projetos de Moro contra a corrupção e o crime organizado, derrubou uma série de MPs, roubou de nós R$ 2 bi para fazer campanha política e agora queria apunhalar de vez o Executivo tungando mais 30 bilhões de imposto em ano de eleição e de troco deixaria o Planalto suscetível de ser impichado por crime de responsabilidade. É justo contra esse tipo de coisas que, no próximo dia 15 de março, temos que ir para as ruas novamente.
E vamos para as ruas, para as praças e avenidas novamente no Brasil inteiro, carregando as cores da Nação Verde e Amarela para defender o novo e verdadeiro regime democrático que custamos tanto alcançar. Nós que de 2013 a 2018 deixamos claro com nossas estrondosas manifestações, gritos, panelaços e pelo voto que, de Sarney à “Anta Guerrilheira” e de Renan a Cunha – só para dar uns poucos exemplos – nenhum desses porcos podem ser mais tolerado, porque são nocivos a uma democracia efetiva, sem conchavos e sem arranjos. E mais ainda, tirante aquela gente má exigiremos dos que restarem que se conscientizem de que são apenas representantes ou de que para o povo trabalham – para o povo sim, de quem todo poder emana.
A onda da tungada dos 30 bilhões pelo Congresso já passou, posto que o veto do Presidente à sorrateira manobra do Parlamento foi mantido para retirar as mãos sujas da politicagem do nosso dinheiro suado, porém ainda que a corja tenha corrido assustada mais esta vez, o certo é que em breve voltarão à carga porque, por mais que torçam o nariz os covardes “isentões” ou que faça beicinho a vermelhada, deve ser dito que “no Brasil há muito quase todas as classes políticas sempre constituíram terríveis forças bandidas e nada mais”.

FONTE: DIÁRIO DO PODER

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