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18 Mar 2020

FORÇAS TERRÍVEIS

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Por conta desse cenário surgiu uma grande esperança que, lamentavelmente, a tal classe política abjeta destruiu e que acabou desaguando na Revolução de 1964.

 

Começo dizendo que não estou misturando estações heterogêneas, mas apenas chamando atenção para um ponto comum que permeia desde o tempo da velha república ou de meados do século passado para esta parte, qual seja: a perniciosa e nefanda influência da classe política em relação ao destino desta “Terra Brasilis” e o concurso daquela que desaguou na desgraça que se abateu sobre nossa gente, nas últimas décadas. Então, vamos lá.
Depois de muitos governos corruptos, chegou-se ao auge da roubalheira no País (embora nada que se parecesse ao descalabro petista de hoje) durante o mandato de um antigo finório – uma espécie de FHC da época, matreiro no gesto e surpreendente no trato – um mineiro que não tinha apreço algum pelo Rio de Janeiro chamado Juscelino Kubistchek que, a partir da criação de Brasília-DF, desencadeou a institucionalização da corrupção no Brasil, pela distribuição abusiva de remunerações e vantagens pagas em dobro a funcionários públicos; com a doação de luxuosas mansões no requintado Lago Sul de Brasília; igualmente de suntuosos apartamentos para apaniguados do Planalto e de mais toda sorte de falcatruas e privilégios custeados com dinheiro do erário, em prol de quem tivesse que deixar o Rio para ir morar na nova capital.
Lembro-me, também, de que dos inquéritos policiais-militares ou judiciais e da crônica dos anos 60 constavam até que Juscelino havia recebido como propina de um grande empresário presidente do Banco do Brasil e duas vezes Ministro Fazenda de seu governo, Sebastião Paes de Almeida – o Tião Medonho – uma espécie de “tríplex do lula”, em Copacabana no Rio de Janeiro e em relação ao mesmo (tal como alegou “Ogro Duplamente Condenado”), fez constar para o distinto público que era de um amigo dele.
 
Por conta desse cenário surgiu uma grande esperança que, lamentavelmente, a tal classe política abjeta destruiu e que acabou desaguando na Revolução de 1964. Falo da eleição do Presidente Jânio Quadros, em 1960. Como é consabido, Jânio representava a esperança de uma revolução pela qual o povo ansiava. Embora Jânio fosse considerado um conservador – era declaradamente anticomunista – seu programa de governo foi um pouco revolucionário, mas inconstante e ambíguo. Propunha a modificação de fórmulas antiquadas, uma abertura a novos horizontes, que conduziria o Brasil a uma nova fase de progresso, sem inflação, em plena democracia, mas não teve sucesso. O Presidente Jânio Quadros subiu ao poder, com apoio da direita e da ala mais populista do getulismo. Apesar de não contar com maioria no Congresso, passou a governar com grande força, eleito que fora por maioria absoluta, porém, acabou renunciando.
Em sua carta, anexa ao bilhete de renuncia que encaminhou ao Congresso Nacional, Jânio disse: “(….) Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou indivíduos, inclusive, do exterior. Forças terríveis levantam-se contra mim, e me intrigam ou infamam, até com a desculpa da colaboração. Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranquilidade, ora quebradas, e indispensáveis ao exercício da minha autoridade (…)”.
Inobstante as revelações de seu neto, colhidas do ex-presidente 30 anos depois da renúncia, em seu leito de morte há 28 anos (16/02/1992), no sentido de que seu ato foi, em verdade, uma tentativa desesperada de assumir maiores poderes que o permitissem combater os vendilhões da Pátria, ele acreditava que não haveria ninguém para assumir a presidência, pois os militares, os governadores e principalmente o povo nunca aceitariam sua renúncia. Pensava que iriam exigir que ficasse no poder, porque “seu vice-presidente Jango Goulart – um corrupto de carteirinha e comparsa do agitador comunista Leonel Brizola – era inaceitável para a elite”.
De qualquer ângulo que se examine o caso na essência uma circunstância surge clara e insofismável. Outrora como agora um governo que veio para pôr fim ao domínio do establishement ladrão e usurpador está sendo duramente bombardeado, petulantemente desafiado pelos os demais poderes, donos das benesses e dos privilégios. Aqui e agora o resumo da ópera é o seguinte, o Congresso com o apoio da banda podre do STF já decidiu: ou Bolsonaro os deixa roubar ou não governa. Jânio tinha o apoio de grande parcela da população, mas não tinha do Parlamento e nem dos militares. Now a situação não é como antigamente. Nunca um Presidente da República teve tanto apoio do povão. Com exceção dos governos militares, nenhum outro governante teve o unânime apoio das Forças Armadas e também das mais honradas e brilhantes cabeças de nossa sociedade como um todo. Em síntese, o Capitão tem agora a legitimidade, a oportunidade e a força. A assim digo: se cuide vermelhada! Se acautele!
Desde a posse do novo governo, forças terríveis têm se levantado sistematicamente. Para chegar até aqui Bolsonaro e sua equipe suaram sangue, mas não esmoreceram. Com inequívocos exemplos de tolerância e de apreço à democracia, inobstante algumas justas caneladas para impor o devido respeito, Bolsonaro está vendo a canalha crescer e, através de sórdida tentativa guerrilheira, desafiar os novos tempos todo santo dia. Os “Mandarins Solta Bandidos” do STJ legislam e fustigam o executivo dia sim dia não; o Congresso então nem se fala, chantageia o Presidente e seus ministros de manhã, à tarde e à noite e todos juntos sonham que, unidos às quadrilhas de Lula e Dilma, incensados pelos “Barões da Comunicação” e seus penas de aluguel, vão emparedar o “Mito das Ruas” e instituir o parlamentarismo para fazer de “Alcolumbre Batoré” ou de “Rodrigo-Nhonho-Botafogo-Jatinho-Debiloide-Maia” um primeiro ministro, ou seja, devolver o poder para o que há de mais desprezível na política nacional. São estas as forças terríveis aquelas a que Jânio se referiu no passado, só que agora o resultado será bem diferente e, por conta disto, o corajoso e respeitadíssimo General Augusto Heleno, Ministro Chefe do Gabinete Institucional da Presidência da República, já mandou um duro recado para a caterva de sempre.
Registrem um pouco do que os contra já lograram alcançar. Contra a vontade da maioria que elegeu Bolsonaro, o Congresso represou a liberação das armas, deixou o excludente de ilicitude de lado, trancou os projetos de Moro contra a corrupção e o crime organizado, derrubou uma série de MPs, roubou de nós R$ 2 bi para fazer campanha política e agora queria apunhalar de vez o Executivo tungando mais 30 bilhões de imposto em ano de eleição e de troco deixaria o Planalto suscetível de ser impichado por crime de responsabilidade. É justo contra esse tipo de coisas que, no próximo dia 15 de março, temos que ir para as ruas novamente.
E vamos para as ruas, para as praças e avenidas novamente no Brasil inteiro, carregando as cores da Nação Verde e Amarela para defender o novo e verdadeiro regime democrático que custamos tanto alcançar. Nós que de 2013 a 2018 deixamos claro com nossas estrondosas manifestações, gritos, panelaços e pelo voto que, de Sarney à “Anta Guerrilheira” e de Renan a Cunha – só para dar uns poucos exemplos – nenhum desses porcos podem ser mais tolerado, porque são nocivos a uma democracia efetiva, sem conchavos e sem arranjos. E mais ainda, tirante aquela gente má exigiremos dos que restarem que se conscientizem de que são apenas representantes ou de que para o povo trabalham – para o povo sim, de quem todo poder emana.
A onda da tungada dos 30 bilhões pelo Congresso já passou, posto que o veto do Presidente à sorrateira manobra do Parlamento foi mantido para retirar as mãos sujas da politicagem do nosso dinheiro suado, porém ainda que a corja tenha corrido assustada mais esta vez, o certo é que em breve voltarão à carga porque, por mais que torçam o nariz os covardes “isentões” ou que faça beicinho a vermelhada, deve ser dito que “no Brasil há muito quase todas as classes políticas sempre constituíram terríveis forças bandidas e nada mais”.

FONTE: DIÁRIO DO PODER

Última modificação em Sexta, 03 Abril 2020 14:13
José Maurício de Barcellos

O Advogado José Mauricio de Barcellos, natural do Estado do Rio de Janeiro, tem 50 (cinquenta) anos de experiência profissional, com Mestrado na Cadeira de Direito Privado, na Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro. É professor, com Licenciatura Plena nas cadeiras de Direito e Legislação, Administração e Controle, Organização e Técnica Comercial, pela antiga Universidade do Estado da Guanabara, tendo concluído vários cursos de extensão ou de aperfeiçoamento, na Fundação Getúlio Vargas e em outras Universidades.

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