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18 Mar 2020

ALGAS ASSASSINAS

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As baixarias do BBB e o caráter despudorado das suas novelas foram duas das razões. Mas não as únicas. A gota d’água foi a manipulação dos seus programas jornalísticos. Eles só divulgam o que os patrões autorizam.


1996, como todos os anos, foi marcado por algumas mortes trágicas. Entre elas, a dos Mamonas Assassinas, banda de rock cômico, cujos integrantes morreram, precocemente, em 2 de março, em um acidente aéreo.

A outra foi a de Paulo César Farias, encontrado morto na manhã de 23 de junho. Vestindo pijama, estava na cama, ao lado da namorada, numa casa de praia no litoral norte de Maceió. Cada um levara um tiro no peito.

Os primeiros viviam o auge de sua meteórica fama, para a qual haviam contribuído as suas constantes aparições na Rede Globo.

PC Farias, da mesma forma, devia sua fama à Globo. Mas, ao contrário dos jovens de Guarulhos, tratava-se de uma antifama, daquelas do tipo “procura-se vivo ou morto”. O capítulo diário da novela global era: “onde se encontra PC Farias?”

Entretanto, após sua morte, subitamente ele deixou de interessar. Saiu da pauta e, até hoje, parece não importar a mais ninguém, sequer à imprensa dita investigativa.

Quem o assassinou? Quem mandou matar a peça central do esquema de corrupção que levou Collor ao impeachment, em 1992?

Parece que, para os jornalistas da nossa maior empresa de comunicação, são perguntas de somenos importância. Afinal, quem era procurado vivo ou morto, morto estava. Restou um sabor de missão cumprida…

Quem é da época, sabe que PC Farias havia substituído Collor nos noticiários da Globo. Dia sim, dia também, eles traziam uma matéria (ou várias) denegrindo a imagem do então presidente.

Que ele mereceu ser cassado, creio não haver dúvida. Mas ficou a questão: no que ele teria contrariado a toda poderosa Globo? Se isso existiu de verdade, nunca saberemos.

Eram tempos sem internet. Por isso, a Globo tinha milhões de assíduos telespectadores, eu inclusive. Com o passar dos anos, porém, fui reduzndo a minha audiência.

As baixarias do BBB e o caráter despudorado das suas novelas foram duas das razões. Mas não as únicas. A gota d’água foi a manipulação dos seus programas jornalísticos. Eles só divulgam o que os patrões autorizam.

Neste ponto, devo confessar, não sou um fã incondicional do nosso atual presidente. Podem crer que não sou. Acho que fala demais. Mas o lado tendencioso do jornalismo da rede do BBB é algo repugnante. Atualmente, o alvo é ele, Bolsonaro.

Vou citar duas, apenas duas, das inúmeras matérias contra o governo levadas ao ar em suas emissoras de rádio e TV, e nos seus jornais e revistas.

A primeira foi a declaração do porteiro do condomínio onde Bolsonaro possui uma casa, de que um dos suspeitos da morte de Marielle esteve lá, à procura do “seu Jair”, no dia do assassinato. Que belo exemplo do que vem a ser o mau jornalismo! De um jornalismo tendencioso.

A matéria insinuava a participação de Bolsonaro no assassinato da vereadora e do seu motorista. Não se deram nem ao trabalho de checar a confiabilidade da fonte e de saber se a acusação era procedente, verdadeira ou não.

E, mais recentemente, a declaração de um “especialista em algas”, “algas marinhas invasoras”, em reportagem da TV Globo.

Para você entender melhor, caro leitor, transcrevo abaixo um trecho extraído do portal G1, de 18 de abril de 2011.

“Antes mesmo de o cargueiro afundar, a equipe esteve na área escolhida para o naufrágio. Após descer 34 metros, ao chegar ao fundo, deparou-se com um pedaço do mar totalmente sem vida e sem graça para o mergulho. No mesmo ano, a equipe voltou quatro meses depois de o navio afundar. A estrutura de aço já havia se transformado: coberta por algas e corais, virou abrigo para muitos peixes.”

Bacana, não é? Naquele tempo (2011), nada de discordar. Pelo contrário, emocionante até!

Pois agora, quando o atual governo resolve afundar os navios “aposentados” Riobaldo e Natureza para que façam parte do Parque dos Naufrágios Artificiais de Pernambuco, não é que os editores da TV Globo conseguiram encontrar um “especialista em algas” para criticar a iniciativa?

Segundo o dito especialista, além das algas que servirão de alimento para os peixes da região, aparecerão umas tais “algas invasoras”, que irão acabar com as demais espécies. Sugeriu, então, que deva-se acionar o Ibama, questionando-o sobre os possíveis danos ao ambiente.

Deu pra entender? Não? Vou resumir: antes, na rede globo, tínhamos os Mamonas Assassinas; agora temos as algas assassinas. E os assassinos do PC Farias continuam soltos. Triste, né?

Por fim, um conselho ao presidente: cuidado, pois é pela boca que os peixes morrem!

PS: nem vou falar da matéria do último Fantástico, na qual um estuprador e assassino de crianças foi tratado como vítima. Um tremendo desrespeito com a família da criança assassinada e um verdadeiro incentivo ao estupro.

Última modificação em Domingo, 22 Março 2020 17:15
Hamilton Bonat

Hamilton Bonat nasceu em Curitiba. De 1965 a 1971, estudou em regime de internato, inicialmente em Campinas (SP) e, posteriormente, em Resende (RJ). Em 2001 foi promovido a General-de-Brigada, posto no qual passou para a reserva.

Foi assistente do Chefe do Estado-Maior do Exército, assistente especial do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, instrutor da Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea, assessor parlamentar junto à Assembléia Legislativa do Paraná e chefiou a seção de comunicação social da 5ª Divisão de Exército.

Como Coronel, comandou o 3º Grupo de Artilharia Antiaérea (Caxias do Sul). Como General, comandou a 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea (Guarujá), foi Diretor de Especialização e Extensão (Rio de Janeiro) e Adido Militar nos Estados Unidos da América e no Canadá.

Além dos cursos militares normais, que lhe asseguraram o título de Doutor em Ciências Militares, freqüentou cursos e estágios de comunicação social, da tecnologia da informação, da ADESG e, na França, o curso de capitães de artilharia antiaérea. 

Das condecorações e títulos que recebeu, destacam-se a Ordem do Mérito Militar, Aeronáutico e das Forças Armadas, a medalha do Monumento Nacional ao Imigrante (Prefeitura de Caxias do Sul), Cidadão Honorário de Guarujá e Vulto Emérito de Curitiba.

É autor de “Sessenta Crônicas” (2009), “Mãe de Candidato” (2011), “Túneis, Tatus e Ora Bolas!” (2013), “Ciscos e Franciscos” (2015) e “O que penso, escrevo e digo por aí” (2018), todos publicados pela Editora Íthala.

É membro efetivo da Academia de Cultura de Curitiba.

Em novembro de 2014 assumiu a Cadeira de número 19 da Academia de Letras José de Alencar, cujo Patrono é Emílio de Menezes.

Em 2016 foi agraciado com o Troféu Inspiração, da Academia de Letras José de Alencar.

Conta mais de 300 crônicas publicadas em jornais e revistas.

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