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25 Fev 2020

CID, O D. QUIXOTE DE SOBRAL

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Infelizmente, para o D. Quixote de Sobral, as coisas não evoluíram como planejara e ele findou por se tornar personagem dos mais constrangedores vídeos de deboches nas redes sociais.

 

Meus amigos.
Quando o Antônio, no seu convívio com o João, se dirige a ele, sempre, ou na imensa maioria das vezes, com mentiras, informações incompletas, tendenciosas, na expectativa de levá-lo a, diante de necessidade de se posicionar face a alguma circunstância nova, se comportar como ele, Antonio, desejaria, na verdade, o que ocorre é uma terrível manifestação de absoluto desrespeito pelo João.

Desrespeito esse que, de fato, se assenta na visão que ele tem de que o João é indivíduo de menor valor, idiota, fraco, desinformado o suficiente para não ser capaz de, recebendo determinada informação nova, por não ter referências pregressas adequadas, avaliar, por si só, o significado da nova informação e se posicionar, em consequência, por conta própria.

A lógica é: ele é um boboca, não tem posição formada a respeito de praticamente nada, e, com isso, posso manipulá-lo segundo meu interesse, para que ele haja sempre conforme me interesse.

Essa realidade tende a ser cada vez mais significativa, na medida em que, no tempo, o João vai construindo uma base de referências que lhe foram impostas pelo Antônio. Talvez se pudesse dizer que, progressivamente, o João vai sendo” escravizado” intelectivamente.

O que se busca submeter à reflexão do prezado leitor é que essa circunstância não só ocorre em uma relação entre duas pessoas. Pode e tende a ocorrer entre grupos de indivíduos no contexto de uma coletividade.

O ridículo do fato fartamente noticiado pela mídia, no qual um senador da república, diante de uma manifestação de rebeldia de policiais no Estado do Ceará, informou antecipadamente que se deslocaria para sua cidade natal, com o intuito de solucionar o impasse existente, nada mais se constitui do que se tentou descrever nos primeiros parágrafos anteriores.

Basicamente, seu comportamento poderia ser traduzido como sendo uma fala nos termos: “meus conterrâneos de Sobral (cidade na qual minha família, há décadas, decide o que se deve fazer), seus bobocas, incapazes de agir por conta própria, manipuláveis segundo meus interesses, eu estarei me deslocando para, aí chegando, tal qual Dom Quixote, restabelecer a ordem como eu acho que deve ser, o que, naturalmente, é o que vocês também devem querer”.

Cercado de apaniguados e daqueles pelos quais ele não nutre qualquer respeito, montou na sua “Rocinante” escavadeira e partiu triunfante contra barreira de policiais que impedia o acesso ao seu aquartelamento.

Infelizmente, para o D. Quixote de Sobral, as coisas não evoluíram como planejara e ele findou por se tornar personagem dos mais constrangedores vídeos de deboches nas redes sociais.

O pior é que seu irmão, outro político que tem demonstrado o mais contundente desrespeito pelos eleitores brasileiros, se manifestando politicamente, a cada momento das formas mais contraditórias, buscando tirar vantagens episódicas em cada caso, novamente, exteriorizando acreditar que o povo é idiota, veio, rapidamente, a público, vociferar contra seus inimigos, tentando justificar a palhaçada personificada pelo irmão, com argumentação imediatamente destruída nas mesmas redes sociais com edição de vídeos que escancaram a dubiedade de seu posicionamento político.

É surpreendente como políticos e mídia no Brasil ainda não se aperceberam de como suas relações com a população, nos dias atuais, não se constituem na única via e que, por isso mesmo, vexames ridículos como o que ocorreu nesses últimos dias tenderão a se repetir, sempre que seus atos, como se sugeriu no início do artigo entre Antônio e João, se basearem na premissa de que a coletividade continua idiota e refém das informações que vinculem.

Última modificação em Terça, 25 Fevereiro 2020 20:05
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

Website.: www.rplib.com.br/

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