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25 Fev 2020

MOVIMENTO PENDULAR

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Como a polarização pode acabar resgatando o centro na política dos Estados Unidos

O mundo vive um período peculiar na política. A polarização passou a fazer parte de muitos tabuleiros eleitorais ao redor do globo. A ascensão de regimes de cunho populista, sejam pela direita ou pela esquerda, está intimamente ligada a esse sistema binário, que ao se retroalimentar elimina opções ao centro e rejeita a política como instrumento fundamental de democracias vivas e vibrantes.

Fato é que vivemos em um movimento pendular, onde os extremos precisam de seu oposto para abastecer o combustível eleitoral que os move. A ascensão de governos populistas de direita, que passam longe do viés tradicional conservador, são um claro sintoma de um processo que, ao afastar-se do centro, passa a gravitar entre entes antagônicos, como uma direita populista e uma esquerda radical.

O processo de polarização já foi sentido na Europa, que levou ao Brexit e também nos Estados Unidos, representado pela eleição de Donald Trump. O movimento pendular, entretanto, pode acabar por gerar surpresas nos processos eleitorais.

Na mesma medida que um extremo é forjado dentro do sistema, isso cria uma força de reação de igual medida que pode deslocar o poder para o extremo oposto. A oscilação de Obama para Trump explica esse fenômeno e portanto pode gerar o efeito contrário com a eleição de um nome antagônico ao presidente norte-americano neste ciclo eleitoral.

Isso explica a popularidade de nomes como Bernie Sanders, Elizabeth Warren e Pete Buttigieg entre os democratas. Os três possuem traços antagônicos em relação a Trump, o que os torna nomes competitivos para este ciclo eleitoral.

Sanders encarna a figura do outsider, mesmo que esteja na política há três décadas. Seu jeito desarrumado contrasta com o estilo do presidente e pode empolgar os eleitores.

Warren é outro caso interessante, pois possui um discurso firme contra os bancos e o sistema financeiro e saberia antagonizar com veemência contra Trump em um debate que colocaria dois populistas em colisão.

Mas talvez o nome mais interessante deste processo eleitoral tenha surgido para o grande público durante o caucus de Iowa e se chama Pete Buttigieg. Suas credenciais, aliadas a uma campanha bem conduzida e organizada, podem causar estragos caso ele enfrente Trump na disputa.

Declaradamente gay, o política centrista de Indiana pode estar começando a dar os primeiros passos de uma vitoriosa carreira política usando os elementos estratégicos inaugurados por Barack Obama.

Buttigieg é filho de imigrantes, formado em Harvard e pós-graduado por Oxford. Tenente da Reserva Naval dos EUA, tendo servido no Afeganistão, condecorado com a Joint Service Commendation Medal.

Sua visão econômica liberal faz que transite com facilidade no meio financeiro e sua juventude é vendida como a renovação do Partido Democrata. Como percebemos, possui atributos suficientes para antagonizar com Trump na mesma medida que consegue transitar por territórios inexplorados para os democratas.
Qual democrata vai disputar a Casa Branca com Donald Trump, na tentativa de se
ASSOCIATED PRESS
Qual democrata vai disputar a Casa Branca com Donald Trump, na tentativa de se reeleger?

Como vemos, se a escolha recair sobre um destes três nomes, teremos a certeza que a teoria pendular estará gerando um movimento consistente para o lado contrário.

Com Sanders e Warren, as chances são de uma reviravolta de teor épico na política, entretanto, com Buttigieg o antagonismo ficará claro, ao mesmo tempo que conseguirá transitar com maior desenvoltura no mundo político.

Uma enorme mudança que, depois de Trump, seria uma guinada progressista que poderia significar a entrada de uma nova geração na política, revigorando instituições e rompendo barreiras no mesmo estilo inaugurado por Obama.

Seria usar a polarização do sistema contra suas estruturas, devolvendo o centro político para debate, restabelecendo o diálogo como instrumento central de uma democracia vibrante.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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