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03 Fev 2020

EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA

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A sabedoria popular cunha expressões que, invariavelmente, registram propostas de comportamento, que, adotadas, com certeza contribuirão de forma positiva, para que aqueles que as aceitam e as aplicam experimentem equilíbrio, sensatez, serenidade, na relação com seus semelhantes.

EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA

Meus amigos.
A sabedoria popular cunha expressões que, invariavelmente, registram propostas de comportamento, que, adotadas, com certeza contribuirão de forma positiva, para que aqueles que as aceitam e as aplicam experimentem equilíbrio, sensatez, serenidade, na relação com seus semelhantes.
É exatamente o caso desse ditado, repetidas vezes lembrado, sempre que alguém, boquirroto, se estende em considerações inoportunas, incorretas, inconsequentes.
Correu o mundo, com um viés de deboche, constrangimento, a frase dita pelo, na época, rei Juan Carlos de Espanha ao presidente Venezuelano Hugo Chávez, durante a XVII Conferência Ibero-Americana, realizada na cidade de Santiago do Chile, no final de 2007:
- "⸮Por qué no te callas?”
Cansado de ouvir asneiras, impropriedades, inverdades do presidente incompetente que, todos sabiam, estava levando seu país à ruina, mas tentando manter um mínimo de compostura que sua posição de Rei sugeria, Juan Carlos encontrou nessa fala a maneira de expressar, diante do mundo, sua irritação, sua inconformidade, por se ver na circunstância de necessitar ouvir todas aquelas baboseiras.
No caso específico desse ditado, a importância que se dá ao que sugere fica confirmada por alguns outros que o acompanham com o mesmo propósito.
Deus deu ao homem dois ouvidos e uma boca”. Expressão que propõe ser mais importante saber ouvir do que falar.
A fala é prata, o silêncio é ouro”. Ditado árabe com o mesmo objetivo.
Entre tantos, o que mais me sensibiliza é: “você é senhor de tudo o que pensa e escravo de tudo o que fala”.
Essas considerações são aqui relembradas porque parece que os homens públicos brasileiros, a começar pelo próprio presidente não as consideram relevantes.
Praticamente, todas as semanas, são veiculadas afirmações de ocupantes de cargos públicos em todos os níveis de governo, que, por gerarem perplexidade, reações adversas, pertinentes ou exploradas politicamente, acabam por necessitarem ser explicadas, justificadas ou corrigidas, tudo contribuindo para a criação de ambiente político conturbado.
A mídia tem importância fundamental nesse contexto e isso precisa ser adequadamente compreendido.
Antes de tudo, é imperativo que se entenda que o papel da mídia, entre tantos aspectos que se poderiam elencar, é o de dar visibilidade a tudo que os homens públicos, sustentados regiamente por nós (volto a insistir nesse ponto), façam ou falem.
É exatamente a partir desse princípio que merece o registro da incompreensão do porquê que uma tão fantástica quantidade de manifestações impróprias ocorra com tanta frequência.
Na busca de procurar identificar as causas dessa circunstância, parece necessário submeter três aspectos à reflexão dos prezados leitores.
Primeira, uma característica típica do ser humano: a necessidade de se destacar no contexto dos seus iguais (vaidade ou imaturidade?).
Particularmente nos dias atuais, em que a comunicação se caracteriza pelo imediatismo e por uma capilaridade incrível na difusão de informações, a oportunidade de se fazer visto, se apresenta como uma tentação quase incontrolável para qualquer homem público, cuja maior motivação, na grande maioria dos casos, infelizmente, se materializa em um esforço obstinado por se manter no cargo que ocupa.
Nesse contexto, oportunidades de se fazer visto são imperdíveis.
A chance de se apresentar como profundo conhecedor de determinado aspecto da vida da coletividade e responsável pelo empenho pessoal na busca de atender aos reclamos públicos acaba por obscurecer o raciocínio e induzir a manifestações não necessariamente maturadas suficientemente, a ponto de impedir impropriedades, erros, atropelos, desrespeito a ética.
Uma segunda causa que finda por gerar essas escorregadelas, está no ambiente inacreditavelmente desleal que matiza os espaços públicos.
Motivados pelo interesse em derrubar, destronar os “companheiros” de trabalho, não é incomum que dados incompletos e/ou incorretos sejam levados a um chefe, com o intuito de induzi-lo ao erro e gerar sua perda de prestígio, de credibilidade.
Essa circunstância, somada ao desespero daquele chefe enganado em aparecer publicamente, tenderá, fatalmente, a que ele, de boca aberta, “coma mosca”.
A terceira causa repousa na inacreditável inocência da maioria dos homens públicos em acreditar que os jornalistas que os procuram (espremem?), com o propósito de deles tirar informações a serem publicitadas, tenham como propósito primeiro “manter a população adequadamente informada” e/ou “contribuir para que o cidadão, adequadamente informado, possa criar suas convicções, suas referências, de forma a contribuir, com sua participação, na construção de uma sociedade mais consciente de suas responsabilidades, dentro de um ambiente verdadeiramente democrático”.
Ouvi de um diretor de canal de televisão de grande circulação, em reunião pública (e, por isso, entendo que posso reeditar), que a grande motivação de um jornalista, particularmente aqueles que atuam nas ruas, é conseguir produzir uma matéria que ocupe espaço no noticiário nacional, quiçá internacional, com isso lhe dando mais visibilidade e prestígio no seio de sua empresa.
Todo esse contexto sugere que em um ambiente em que jornalistas em busca de sensacionalismo para suas matérias (alguns deles, desonestamente, exercitando militância político partidária), açodando políticos ávidos de oportunidades de se fazerem vistos, para que isso contribua para sua eternização nos cargos ocupados e alguns deles assessorados por subordinados desonestos, que lhes forneceram informações incorretas, incompletas ou mesmo erradas, inverídicas, para que possam derrubá-los, ou, simplesmente por estarem, também, desonestamente, realizando militância político partidária, tudo contribui para que “de boca aberta, muitos comam mosca”.
O prezado leitor poderá estar se perguntando: “Sim, e daí?”
Daí o que se tem é um ambiente político em que o foco é explorar os escândalos que se podem criar com a reverberação de falas, entrevistas, manifestações, que, por serem açodadamente geradas e veiculadas, produzem desvio de finalidade do trabalho de homens públicos, o que equivale dizer, perda de tempo, de energia, de dinheiro, perda de credibilidade das instituições públicas, dos homens públicos, disso se aproveitando os maus brasileiros, para os quais, “quanto pior, melhor”.

 

 

 

Última modificação em Segunda, 03 Fevereiro 2020 00:23
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP.

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