Qua12112019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

21 Nov 2019

QUANTO MAIS ALTO, MAIOR O TOMBO

Escrito por 

Se não por outra razão mais nobre, mais ética, os senhores que hoje ocupam os espaços mais nobres no legislativo e no judiciário, responsáveis maiores pela postura de absoluto desrespeito às necessidades e aspirações do povo brasileiro, talvez devessem se dar conta do quanto têm a perder.

Meus amigos

Em 2004, no contexto da Guerra do Iraque, postei neste espaço um artigo cujo título, “De novo sem Lua”, tentava traçar um paralelo entre a realidade experimentada naquele momento no Iraque e os ensinamentos que se pode retirar da leitura do Livro de John Steinbeck, “Uma longa Noite sem Lua”.

O artigo está disponível no site (ler aqui), razão pela qual deixo de reeditar seus primeiros parágrafos, nos quais busco fazer um brevíssimo resumo da mensagem que extraí da leitura, há muitos anos, desse belíssimo livro.

Basicamente, o laureado autor, merecedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1962, procura levar seus leitores a refletir sobre o comportamento de uma coletividade que se vê, independentemente das causas geradoras, humilhada, explorada, espezinhada, desrespeitada em tudo a que emprestava significado, violada nos seus direitos, violentada na sua segurança como pessoas humanas, sujeita a violências ainda em que no recesso de suas propriedades, a verem seus bens roubados ou expropriados e diante da possibilidade de verem seus sonhos, suas esperanças, expectativas, esfumaçarem-se.

Numa realidade com esta, o autor sugere que o único bem que resta aos integrantes da coletividade é a vida, uma vida sem perspectivas, uma vida que talvez não valha a pena ser vivida e da qual estão dispostos a abrir mão, se isso, de alguma forma, puder se transformar em arma contra aqueles que, sem pedir licença, lhes tiraram tudo, até a dignidade.

Gostaria de presentear um sem número de personalidades do legislativo e do judiciário brasileiro com um exemplar dessa obra de Steinbeck, mas provavelmente seria perda de tempo. Eles, certamente, não a leriam. Não é o “esporte” preferido dessa gente.

Não demonstram terem se dado conta de que, chegará o momento, em que, não tendo mais nada a perder, a reação virá.

Aí, só eles terão o que perder.

Vale a pena ler, também, “ A Estrada para Compiègne”, da escritora inglesa Jean Plaidy (um dos codinomes de Eleanor Hibbert). Tendo se especializado em romancear momentos históricos, a escritora retrata nessa sua obra a realidade, os humores, da população francesa e da corte nos tempos que antecedem a Revolução Francesa.

Ao ler o livro, se tem a sensação cristalina de se estar reeditando, no Brasil de hoje, aquela realidade. O mais absoluto desrespeito daqueles que exercem o poder político para com a população que os sustenta.

Deu no que deu.

Outra sugestão seria a leitura de Toqueville, “O Antigo Regime e a Revolução”.

Se não por outra razão mais nobre, mais ética, os senhores que hoje ocupam os espaços mais nobres no legislativo e no judiciário, responsáveis maiores pela postura de absoluto desrespeito às necessidades e aspirações do povo brasileiro, talvez devessem se dar conta do quanto têm a perder.

Como diz o dito popular: “quanto mais alto, maior o tombo”.

Última modificação em Quinta, 21 Novembro 2019 15:12
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP.

Website.: www.rplib.com.br/

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.