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30 Out 2019

NÃO SOUBEMOS APRENDER COM OS ERROS ALHEIOS

Escrito por 

 

 

 

Parece que faz parte do perfil do brasileiro a busca de meias soluções para os seus problemas. Tudo parece se passar como se a vontade coletiva fosse, para usar uma expressão popular, “empurrar com a barriga” o enfrentamento real dos problemas a serem superados, numa vã esperança de que o tempo se encarregaria de achar a solução desejada, sem que se tivesse que passar pelas dificuldades que decorreriam de se encarar de frente o problema existente.

 

Meus amigos.

Preciso voltar a um tema que já foi motivo de manifestações minhas em tempos passados, porque entendo que, mais do que nunca, isso é pertinente e necessário.

Se analisarmos a história das nações que, nos dias atuais, ocupam posições de proeminência no cenário mundial, constataremos que, nos últimos cem – trezentos anos, passaram por tragédias sangrentas e inesquecíveis.

Estado Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Rússia, China, Japão, só para citar os exemplos mais significativos, enfrentaram, nesse período, convulsões sociais intestinas, ou se viram envolvidos em conflitos externos, que ceifaram milhões de vidas de suas populações.

Uma análise, ainda que superficial, parece sinalizar que, as desgraças, a dor, o sofrimento, as perdas experimentadas em todos os setores da vida desses povos, findaram por se constituir em referência para que se empenhassem em construir o arcabouço moral e legal que lhes permitiria evoluir e evitar novos sofrimentos futuros.

Causas desses traumas históricos? Usura, egoísmo, luta por poder ilimitado, falta de civismo, de civilidade, patriotismo, desrespeito ao próximo seu concidadão e todo tipo de fraqueza humana que costuma ser alvo de uma infinidade de tratados sociais, filosóficos e mesmo religiosos.

Claro que, em alguns casos foi preciso passar, novamente, por sofrimentos iguais, para que se conscientizassem dos seus erros, mas parecem ter aprendido a lição, já que, hoje, seus povos usufruem de qualidade de vida superior àquela que experimentam a maioria das outras nações.

Retomo essas considerações porque me angustia constatar que nós brasileiros, pelo menos em parcela mais esclarecida da população, justamente a parcela a quem deveria caber construir os destinos da comunidade, absolutamente ciente dessas realidades históricas, não temos sabido, enxergando as causas que determinaram os sofrimentos desses povos, aprender com elas, para evitar que caiamos na mesma esparrela.

Nesse mesmo período, no Brasil, aconteceu uma independência que não "independenciou", uma abolição que "não aboliu", uma república que "não republicou" e, mais recentemente, uma revolução que "não revolucionou".

Parece que faz parte do perfil do brasileiro a busca de meias soluções para os seus problemas. Tudo parece se passar como se a vontade coletiva fosse, para usar uma expressão popular, “empurrar com a barriga” o enfrentamento real dos problemas a serem superados, numa vã esperança de que o tempo se encarregaria de achar a solução desejada, sem que se tivesse que passar pelas dificuldades que decorreriam de se encarar de frente o problema existente.

Alguém poderá dizer que somos uma nação jovem, que ainda não teve tempo suficiente para amadurecer.

É verdade. Nos anos mil, quinhentos anos antes do Brasil ser descoberto, os romanos construíam Bath, no oeste da Inglaterra.

A ser pertinente esse raciocínio, ter-se ia que concluir que, ao invés de aprender com os erros alheios, o povo brasileiro precise esperar que cheguemos a 2500, para sermos uma nação decente, que não tenha que assistir no seu dia-a-dia, os atos mais abjetos de seus governantes e, sejamos justos, de seus “cidadãos” também, porque, como costumo dizer, os políticos, os governantes desonestos não ficaram desonestos ao se tornarem políticos. Na verdade, buscaram se tornar políticos, porque eram desonestos e enxergavam, na política, um espaço mais promissor para exercitar sua desonestidade.

Essa alternativa, com certeza, imporá que passemos pelos mesmos traumas: muita morte, muito sofrimento, muita desgraça.

Será que é isso que queremos?

 

 

 

Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP.

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